Muitas histórias incríveis foram compartilhadas ao longo dos programas – Foto: DivulgaçãoNo ar desde o segundo semestre de 2022, o programa Agro, Saúde e Cooperação, realizado pelo Grupo ND, em parceria com a Aurora e a OCESC, conectou a sociedade do campo com a da cidade ao longo dos últimos meses.
A iniciativa busca mudar a percepção do agro, aproximando as pessoas do campo, mostrando como é seu dia a dia e como os alimentos chegam até a mesa dos catarinenses. Muitas histórias incríveis foram compartilhadas ao longo dos programas e elas merecem destaque.
Por isso, relembramos a trajetória percorrida por nossa equipe nos quatro cantos do Estado para conhecer as diferentes cadeias produtivas em Santa Catarina, que sem dúvida se destaca, seja por sua grandiosidade, seu pioneirismo ou capricho.
O leite produzido no Oeste
O leite produzido no Oeste Catarinense, tem qualidade testada e aprovada em laboratórios de alta tecnologia. Segundo Franciele Rampazzo Vancin, veterinária e coordenadora do LABLEITE da UnC, no mínimo uma vez por mês os produtores de leite que têm a matéria-prima entregue para as indústrias, realizam esse processo em um dos laboratórios da RBQL – Rede Brasileira de Qualidade do Leite.
Esse processo envolve as famílias do campo, produção, investimentos e controle. Tudo isso para que os catarinenses e outros brasileiros tenham na mesa um produto de alta qualidade.
Inclusive, sabia que cada caixinha de leite tem um RG? Essa espécie de código traz informações importantes sobre a procedência do leite, além da data de produção, a unidade produtora e a validade do produto.
Destaque para a maricultura
É bonito ver toda essa dedicação, que leva sabor e saúde ao dia a dia de tanta gente, de tantos lugares. Exemplos que se multiplicam do Oeste ao Litoral. Na praia, o destaque é a maricultura.
São 560 km de costa, um berço para quase 500 fazendas marinhas espalhadas ao longo do litoral catarinense – território de oportunidades que transformou Santa Catarina em uma referência na maricultura, conquista de um trabalho iniciado em 1980.
A maricultura catarinense começou com um trabalho de pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A experiência de outros países com o cultivo de ostras foi trazida para o Estado, surpreendendo pesquisadores e pesquisadores.
No Chile levava dois anos para uma ostra atingir o tamanho comercial, já na baía norte catarinense levou apenas seis meses, segundo Carlos Rogério Poli, doutor em oceanografia biológica e pesqueira.
O setor madeireiro e a produção de mel
Já na Serra, é o setor madeireiro que impulsiona a economia. Líder nacional na exportação de móveis de madeira, a indústria catarinense ultrapassou os 160 milhões de dólares em vendas para o exterior no primeiro semestre de 2022.
Agora, no Sul do Estado, outra área que manifesta a excelência do agronegócio catarinense é a produção de mel. Nós somos um dos principais polos de apicultura orgânica do mundo. Uma empresa situada em Araranguá, por exemplo, é uma das maiores exportadoras e representante do mel brasileiro no exterior. Inclusive, ela já ganhou seis vezes a medalha de melhor do mundo. Segundo o fundador, Célio Silva, o segredo do sucesso está no trabalho em conjunto com os apicultores. Esse blend de méis, exportado, é o que garante o sucesso do produto. “- A nossa técnica é fazer esse blend com qualidade” – completa.
A banana mais doce do brasil
Sabia que a banana mais doce do Brasil é de Santa Catarina? Entre Jaraguá do Sul e São Bento do Sul se destacam os bananais catarinenses, principal fonte de renda da região e o melhor produto do país por conta de fatores externos, como relevo, clima e o local em si.
Eliane Müller, diretora executiva da ASBANCO, explica que dentro do vale, a troca do ar quente, que vem do mar e vai para dentro das montanhas e o ar frio que sai da serra e vai em direção ao mar, é o que possibilita uma banana mais doce.
Ela explica que não basta só pegar uma muda dessa banana e plantar em outro local. Isso não garante sua característica fundamental: a doçura.
A importância do mate catarinense
Se no nordeste catarinense é a banana que vale ouro, no Planalto Norte, o ouro tem outra cor. Em Canoinhas, região destaque na exploração e comercialização do mate. Dos indígenas aos jesuítas, espanhóis, caboclos e coronéis – a indústria ervateira resistiu a guerra, crises e grandes desafios.
Hoje é sinônimo de orgulho e parte do cotidiano de moradores. Segundo a turismóloga Viviane Bueno, o mate gera renda para o turismo, gera emprego, é multiplicadora de empregos na cidade, desde o início de sua produção até a entrega no mercado.
“- Então ela tem uma cadeia produtiva muito grande, que agrega muitas pessoas trabalhando nesse mercado. Para nós ela é riqueza ela é o nosso Ouro Verde da nossa região a erva-mate ela só nos traz alegria e o desenvolvimento da nossa cidade” – explica.
O poder do cooperativismo
O nosso agro é mesmo pujante e uma das nossas principais características é o cooperativismo. A união de pequenos produtores que juntos se tornam grandes, competitivos. O sistema que gera uma receita de 70 bilhões de reais, envolve 3,5 milhões de pessoas e conta com mais de 250 organizações só aqui, em Santa Catarina. Cooperação é o nosso forte.
Cooperar é a forma mais eficaz de se empreender. Historicamente as pessoas cooperam porque sabem que os resultados obtidos coletivamente são melhores do que os que conseguiriam individualmente. Essa foi a premissa de um visionário da região Oeste, que há décadas deu início a esse grande movimento aqui no Estado.
Dona Zelinda pode ser considerada a história viva do início do cooperativismo em Santa Catarina. Chapecoense de nascença, Italiana de origem, a mulher de fala tranquila, é viúva de Aury Luiz Bodanese, líder cooperativista, fundador e primeiro presidente da Cooperalfa e, consequentemente, da Aurora Alimentos.
“- Ele era um visionário, enxergava longe. Aquilo lá estava no sangue dele, nas veias dele. Não sei se alguma outra pessoa faria o que ele fez. Ele era muito humano, também gostava muito de ajudar as pessoas” – conta dona Zelinda.
Hoje a Aurora se tornou exemplo, fruto do empreendedorismo e da união das cooperativas agropecuárias. É uma das mais bem-sucedidas do país, tem renome nacional e internacional, com mais de 100 mil famílias em seu quadro social.
Segundo Élio Cella, secretário de desenvolvimento econômico, hoje a Aurora é a maior empresa de Chapecó. Ela exporta para os quatro cantos do mundo, praticamente para 60 países, é a única empresa brasileira que exporta carne suína para os Estados Unidos e tem um faturamento de cerca de 20 bilhões.
A cidade e o campo nunca estiveram tão integrados. Mais do que nunca, cada semente plantada na lavoura tem a capacidade de fazer girar uma engrenagem que impacta uma infinidade de setores, com reflexo imediato na economia mundial.
Na lavoura coberta pelo nabo forrageiro, o produtor aguarda o tempo certo para o plantio do milho, grão que na colheita, após o processo de secagem, vira alimento para os plantéis de suínos.
Depois que o agricultor estiver com a colheita finalizada, o milho vai para a cooperativa da cidade em que ele é associado e cabe ao sistema cooperativista fazer o produto chegar até as granjas – seja comprando de fora, ou dos produtores locais.
Seja em época de safra ou de preparação do solo, o trabalho das cooperativas é constante e essencial para que a informação chegue completa ao produtor.
Cooperativismo e tecnologia
A cooperação também está na troca de conhecimento, nos debates de assuntos técnicos, em diálogos com pesquisadores, como no evento Campo Agroacelerador, em que o produtor busca a tecnologia, a informação, para acelerar em sua propriedade, o que auxilia na tomada de decisões, na rentabilidade e na diversificação.
Um bom exemplo é a indústria de fertilizantes da Fecoagro, a maior e a mais moderna do Estado. Só em 2021 foram produzidas 54 mil toneladas de fertilizantes, com faturamento de pouco mais de 1 bilhão. A partir de agora a meta é dobrar o valor e a capacidade de produção, passando de 60 para 120 toneladas por hora, 5 mil por dia.
Luiz Vicente Suzin, presidente da Ocesc, conta que isso é muito importante para o agronegócio catarinense, pois ter uma empresa como a Fecoagro, ligada por diversas cooperativas, com uma fábrica de grande dimensão, é ter a certeza de que chegará um produto de qualidade no campo, pro associado.
Ao longo de 2022 foram 26 edições do programa Agro, Saúde e Cooperação. O objetivo, desde o início do projeto, foi promover a troca de experiências e encontros de universos diferentes, mas ligados em variados aspectos. Produtor e consumidor, técnico e pesquisador, agricultura familiar e agroindústria. Ver e poder mostrar essa conexão entre as pessoas do campo e da cidade foi importante para fortalecer ainda mais o agro catarinense.
Se você deseja relembrar essas histórias, é só acessar o site e conferir o episódio especial do programa, com a retrospectiva na íntegra.
Aproveite também para ficar de olho no Programa Agro, Saúde e Cooperação, que vai ao ar todo domingo, às 9h, na NDTV e conta com a parceria da Ocesc e da Aurora.