O morango transformou Rancho Queimado em referência nacional – Foto: DivulgaçãoRancho Queimado, uma pequena cidade no coração de Santa Catarina, encontrou no morango mais do que uma cultura agrícola – fez dele um símbolo de identidade, crescimento econômico e transformação social.
Conhecida como a capital catarinense do morango, o município de pouco mais de 3.200 habitantes tem na fruta um dos principais pilares de sua economia e turismo. Mas essa história de sucesso tem raízes profundas, que começam há três décadas, quando o cultivo do morango se tornou uma alternativa promissora para enfrentar o êxodo rural que ameaçava a região.
A introdução da cultura do morango, ainda na década de 1990, foi uma iniciativa do pastor luterano Silvino Schneider, que viu no fruto uma chance de gerar renda para os agricultores locais. Com o passar dos anos, o cultivo deixou de ser uma experiência tímida para se consolidar como a principal atividade econômica da cidade.
Atualmente, a cidade produz quase metade de todo o morango de Santa Catarina, consolidando-se como referência no setor.
A cultura que manteve as famílias no campo
Com o clima ameno proporcionado pela Serra da Boa Vista, a região oferece condições ideais para o cultivo do morango, permitindo colheitas ao longo de todo o ano. Essa característica foi essencial para que os produtores vissem na fruta uma fonte de renda constante, ao contrário de outras culturas sazonais que limitavam o faturamento.
Seu Alécio Luchtenberg, produtor de morangos há mais de 30 anos, explica como a fruta trouxe novas perspectivas para sua propriedade: “A gente planta ele e do mesmo pé nós tiramos a fruta três anos seguidos. E toda semana a gente tira uma fruta dele”, comenta.
A adaptação ao cultivo em bancadas elevadas foi outro fator determinante para a consolidação da produção. A mudança trouxe melhorias na qualidade de vida dos agricultores, reduzindo os impactos físicos do trabalho e aumentando a eficiência da colheita. Segundo os produtores, a mudança melhorou o trabalho “1000%” e garantiu melhores condições para toda a família.
Do campo à mesa: o morango como motor do turismo e da economia
O impacto econômico do morango vai além do cultivo. A cidade soube aproveitar o potencial da fruta para impulsionar o turismo, desenvolvendo eventos e experiências que atraem visitantes de diversas regiões – como a tradicional Festa do Morango, que é realizada anualmente e reúne cerca de 10 mil pessoas, oferecendo delícias preparadas com a fruta, desde tortas e geleias até coxinhas recheadas.
Com quase metade da produção estadual, Rancho Queimado consolidou-se como polo agrícola e turístico, unindo sabor e desenvolvimento – Foto: DivulgaçãoMaria Angélica, uma das empreendedoras locais, relembra o início do negócio familiar: “A gente trabalhava assim tão diretamente ali que as pessoas ficavam encantadas com tudo que a gente oferecia aqui, mas era só aquele momento da festa. Depois elas iam embora, quando voltavam não tinham mais aquelas tortas, não tinham mais aquele bombom de morango, aquela sobremesa. Aí pensamos: vamos fazer, vamos abrir um café.”
Além dos cafés e confeitarias, Rancho Queimado viu o surgimento de agroindústrias que agregam valor à produção local. Um exemplo é a família de Guilherme e Camila, que transformou o descarte de morangos em uma oportunidade de negócio, investindo na produção de geleias e morangos congelados, garantindo renda e reduzindo desperdícios.
Saúde e sabor: os benefícios do morango
A nutricionista Marina Cripa destaca que o morango não é apenas saboroso, mas também um aliado para a saúde. Rico em vitamina C e antioxidantes, como a antocianina, o fruto contribui para a saúde cardiovascular, auxiliando na redução do colesterol ruim (LDL) e no aumento do colesterol bom (HDL). Com baixo índice glicêmico, é uma excelente opção para quem busca uma alimentação saudável sem abrir mão do sabor.
“Quando começo a falar com o paciente, quando ele chega no consultório, eu falo: ‘Gosta de morango?’. É a primeira fruta que eu pergunto, independente do que ele queira, se ele quer emagrecer, se ele quer saúde, porque é uma fruta que tem baixo valor calórico, tem bastante vitamina C, comparável ao limão.”, explica.
Tradição e inovação caminhando juntas
Hoje, Rancho Queimado mantém a tradição do cultivo familiar, mas também investe em inovação. A criação de novas variedades, como a Randoce, em parceria com universidades, demonstra o empenho dos produtores em garantir uma produção de alta qualidade e com diferenciais competitivos.
Ela também abraçou o conceito de agroindústria, oferecendo produtos derivados do morango, como licores, compotas e até cervejas artesanais que utilizam a fruta em suas receitas. A cervejaria local desenvolveu uma versão premiada que combina o doce do morango com a acidez refrescante da Catharina Sour, uma variedade típica brasileira.
Hoje, Rancho Queimado mantém a tradição do cultivo familiar, mas também investe em inovação – Foto: DivulgaçãoA cidade encontrou no morango mais do que uma cultura agrícola – fez dele um símbolo de resiliência, inovação e desenvolvimento sustentável. A fruta, que começou como uma solução para os desafios do campo, hoje se tornou um verdadeiro motor para a economia e turismo local, provando que, com planejamento e dedicação, é possível transformar uma cidade e a vida de seus habitantes.
Para saber mais sobre a produção de morangos em Rancho Queimado, aproveite e assista ao episódio completo do programa Agro, Saúde e Cooperação. O projeto, desenvolvido pelo Grupo ND, tem parceria com a Ocesc, Aurora, SindArroz Santa Catarina e Sicoob.