Mudar a rotina pode ser um processo doloroso, mas muitas vezes é na mudança que nos encontramos. Esse foi o caso de Ilton e Solange Rubenich, ela era professora em Chapecó, mas ao se aposentar resolveu deixar os cadernos para cultivar morangos em Guatambu, no Oeste de Santa Catarina.
A professora de matemática conta que foi um processo gratificante. “Deixei o material escolar e fui para a estufa. Muitas vezes na sala de aula nós, professores, não somos reconhecidos, mas quando entrego a bandeja de morango para o meu cliente recebo um sorriso e um agradecimento sincero”.
Solange conta que a mudança veio em 2017, o marido comprou uma chácara em Guatambu e como ela havia se aposentado resolveu ir com ele e o filho para a produção de alimentos. “Nos primeiros anos tivemos ótimas safras, com frutas grandes e muitos pedidos. Porém, nos últimos anos, com os temporais e secas, a produção sofreu”.
Em 2022 a família contava com três estufas e toda a produção era livre de agrotóxicos. Devido a um vendaval, uma das estufas ficou completamente destruída e afetou gravemente a produção de morangos em Guatambu. “Nós até vendemos nosso carro para poder reconstruir”.
A família estava se reestabelecendo quando, em 2023, um novo vendaval destruiu uma das estufas e mais uma vez a produção foi atingida. Com as frequentes alterações no clima, as pragas se fortaleceram e tem atingido a qualidade dos morangos, os quais já não são tão grandes quanto antes.
Solange conta que com as dificuldades o filho voltou para o emprego, pois já não era possível, apenas com a produção, dar conta de todas as necessidades da família. Com isso, Ilton se dedica ao plantio e manejo das frutas enquanto Solange cuida das encomendas e entregas.
Neste período do ano, o morango está em um período de entre-safra, com baixa quantidade de frutas. Mas Solange fala que tem esperança, pois a partir de julho até o mês de dezembro a produção deve aumentar.
Os morangos em Guatambu e uma alimentação saudável:
Solange conta que o objetivo da família não era apenas produzir alimentos, mas sim a produção de uma alternativa saudável. Com base nesse propósito, eles puderam contar com apoio de professores do curso de Agronomia da UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul) e da Unochapecó (Universidade Comunitária da Região de Chapecó).
Além dos professores, acadêmicos de Agronomia realizaram diversos estudos de campo e pesquisas na propriedade. Com o suporte foi possível testar e encontrar as melhores formas de manejo para que a produção pudesse ser reconhecida como livre de agrotóxicos e em uma perspectiva de agricultura familiar sustentável.
Além do apoio da UFFS e da Unochapecó, a família contou com cursos de formação do Sebrae. “O curso nos ajudou a olhar para a divulgação e gestão do nosso trabalho. Tem uma frase que nunca esqueci, o professor nos falou um dia que ‘amigos, amigos, negócios faz parte’ e foi isso que seguimos, contamos muito com nossos conhecidos, familiares e amigos para o negócio crescer”, comentou.
Colheita colaborativa de morangos em Guatambu:
Além da produção livre de agrotóxicos, a família Rubenich conta com uma ação de integração entre os clientes e a produção. Nos finais de semana é possível colher as próprias frutas. “É só marcar o horário, a pessoa vem aqui e pode ela mesma colher os morangos para levar”.
Para quem quiser conhecer o trabalho da família Rubenich pode acessar o @morangos_rubenich, no Instagram. Por meio deste canal é possível fazer encomendas das frutas in natura ou do morango congelado.