Com o fim das safras, a Cravil (Cooperativa Regional Agropecuária Vale do Itajaí), em conjunto com entidades parceiras, finalizou o levantamento dos prejuízos causados pelas enchentes de 2023 na agricultura catarinense, principalmente na região do Alto Vale do Itajaí.
Entidades somam mais de R$ 1 bilhão de prejuízos para o agronegócio do estado – Foto: Cravil/Reprodução/NDO valor total da perda chega a R$ 1.019.206.500, impactando diversas culturas e colocando em risco a subsistência de milhares de famílias.
De acordo com dados da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) as perdas no solo foram de 236 mil hectares, dos quais 61.280 hectares precisam de recuperação urgente.
SeguirPerdas por safra na agricultura catarinense
- Soja: 63.640.000,00
- Tabaco: 198.693.000,00
- Milho (silagem e em grão): 56.250.000,00
- Arroz: 124.740.000,00
- Trigo: 8.970.000,00
- Feijão: 5.544.000,00
- Cebola: 364.864.500,00
- Pastagem: 54.750.000,00
- Leite: 19.880.000,00 (estimado, devido à perda de pastagem e alimentos)
Danos na produção de hortifrúti, ornamentais, piscicultura e pequenos animais também foram contabilizadas nas enchente no Alto Vale do Itajaí.
O presidente da Cravil, Harry Dorow, explicou que os prejuízos foram significativos devido à perda de safra em diversas áreas. “As produções em geral tiveram muita perda, pois não houve uma formação completa de grãos nas lavouras, o que afetou a produtividade”, detalhou.
Solução para a agricultura catarinense
Harry Dorow acrescentou que um documento solicitando medidas emergenciais de suporte às famílias foi enviado ao Governo Federal. O documento busca ainda o auxílio para a agricultura de Santa Catarina.
“É justo garantir que os agricultores consigam reconstruir essas perdas e reconstituir, principalmente, o solo. Apenas para recuperação de solo, precisamos de mais de R$ 115 milhões para novos plantios de safra”, afirmou.
O gerente regional da Epagri, Almir Kröger, ressaltou que os números refletem a realidade do Alto Vale e da agricultura de Santa Catarina. “Tivemos uma grande perda de produção devido ao excesso de chuvas, que atrasou o início do plantio e lavou o solo”, explicou.
Almir também lembrou os períodos sem sol durante 2023, afirmando que a perda foi geral, “desde grandes lavouras de soja até pequenas produções de autossubsistência familiar. Nada se produziu, desde a batata-doce até o confinamento de gado. Além disso, houve uma perda de solo muito significativa”, completou o gerente regional.
De acordo com a Epagri, 162 municípios reportaram prejuízos significativos. As áreas mais gravemente impactadas, com o maior número de estabelecimentos afetados e as maiores perdas econômicas, foram as regiões do Alto Vale do Itajaí e do Planalto Norte Catarinense.
As perdas no solo foram um total de 236 mil hectares em SC – Foto: Cravil/Reprodução/NDRelembre a situação das enchentes no Vale do Itajaí em 2023
Rio do Sul, a maior cidade da região do Alto Vale, sofreu intensamente com as inundações. Em um período de dois meses, o município foi atingido por sete enchentes.
As inundações ocorreram no mês de outubro, quando o Rio Itajaí-Açu subiu para 8,16 metros. Nessa época, aproximadamente 190 moradores tiveram que evacuar suas residências por segurança, buscaram refúgio em abrigos, as aulas foram suspensas e várias estradas foram afetadas.
Em novembro, a cidade se deparou com a segunda maior enchente de sua história, quando o nível do rio atingiu 13,04 metros. Na ocasião, a cidade contabilizava mais de 600 pessoas desabrigadas e contou com 12 abrigos abertos.