Você sabia que a batata-doce já salvou vidas? Muitos países que passaram por graves crises econômicas sobreviveram graças à hortaliça, que foi fundamental para alimentar suas populações – isso porque o alimento é muito nutritivo e saudável e por isso caiu no gosto – e no prato – de muitos nutricionistas e de pessoas que estão buscando um estilo de vida mais fitness.
O Brasil é o maior produtor de batata-doce da América Latina e em Santa Catarina a atividade está crescendo cada vez mais. Nosso Estado ocupa o 11º lugar no ranking de maior produtor de batata-doce do Brasil, sendo Antônio Carlos, Biguaçu e Araranguá as principais cidades produtoras.
E se depender do trabalho de pesquisadores e técnicos e dos vários estudos em desenvolvimento, a produção catarinense tende a aumentar logo, fazendo com que a nossa batata-doce chegue com uma qualidade ainda melhor na mesa do consumidor.
Mas para que o alimento chegue até as gôndolas do supermercado e se torne um delicioso purê, por exemplo, há muito trabalho braçal. O produtor rural Silvano Dimon explica que a produção de batata-doce acaba sendo mais fácil do que o plantio de outras hortaliças, já que só é necessário adubar uma vez e esperar elas amadurecerem.
Sozinho, o produtor realiza um trabalho coordenado: espalha engradados na lavoura, usa o trator para abrir a terra e facilitar a retirada dos tubérculos. Depois, manualmente ele arranca as batatas-doces.
Segundo Silvano, a produção leva entre três a quatro meses e ele colhe em média 200 caixas – todas com destinos já definidos, afinal, a espera pelo alimento nutritivo e cheio de saúde é grande.
De acordo com Gerson Wamser, pesquisador da Epagri, a batata-doce é uma cultura de pequenos produtores rurais e tem uma produção estadual ainda pequena, com menos de 1.100 hectares. Por ser uma cultura de baixo custo, ela traz um ótimo retorno para o agricultor catarinense.
A importância da pesquisa
A batata-doce: um tesouro nutricional que impulsiona a saúde e a economia catarinense – Foto: DivulgaçãoO Núcleo de Estudos em Olericultura do campus da UFSC de Florianópolis conta com resultados de um estudo de melhoramento genético da batata-doce – um processo que começou há mais de dois anos e que já está proporcionando alterações positivas no alimento catarinense.
André Zeist, doutor em agronomia, explica que a batata-doce com casca mais grossa é naturalmente mais resistente a pragas de solos, precisando de menos agroquímicos do que as outras. Além dos benefícios para o produtor, também existe a preocupação com quem consome a raiz, para que haja um valor nutricional maior – por isso, foram feitos vários cruzamentos genéticos, das melhores plantas vendidas no mercado.
“Tem plantas com maior potencial de florescimento, outras têm menor, mas no contexto geral, aqui é que a mágica acontece. Aqui vão surgir novas variedades e é muito importante que no momento em que a gente começa um programa de melhoramento, a gente escolha bons pais para o cruzamento. Você cruza plantas com alto potencial e tem uma tendência maior de gerar filhos com potencial também produtivo e qualitativo superior, em um contexto geral”.
O doutor completa revelando que nos últimos dois anos mais de 3 mil variedades de batata-doce foram avaliadas – com aproximadamente 10 variedades avançadas e de uma a três com alto potencial para ser colocada em nível comercial.
Quando colhidas, as raízes vão para o laboratório e é nele que é possível ter um parâmetro de quanto tempo elas irão durar na gôndola do supermercado, da qualidade que chegarão ao consumidor final, entre outros.
Do campo para a indústria
Descubra como a batata-doce se transforma em deliciosos snacks saudáveis – Foto: DivulgaçãoO processamento da batata-doce permite um número expressivo de produtos para atender a expectativa e a necessidade do consumidor. Diante disso, as indústrias se especializaram e o comércio incrementou o mix de produtos à base de batata-doce para atender uma demanda cada vez mais exigente.
O cultivo do tubérculo se mostra promissor pela necessidade de consumo: o que antes era só alimentação para animais, agora é matéria-prima na indústria. O empresário Gilberto Zanate conta que a batata-doce que chega até a indústria é uma batata mais seca, mais rígida, que não tem saída no supermercado. E se ela é vendida, estraga muito rápido e tem duração de dois a três dias apenas.
Na indústria fundada há mais de 30 anos, a batata-doce, comprada de forma cooperativa, entra in natura e sai um chips crocante. E aqui vai um dado interessante: a produção de chips de batata-doce dura cerca de quatro horas – desde o início do processo quando o tubérculo é descascado, até chegar no empacotamento – 2 mil kg de batata-doce se transformam em 13 mil pacotes de batata chips.
Com tanto investimento em máquinas e o potencial da raiz, a tendência é que a família de alimentos à base de batata-doce cresça ainda mais.
Batata-doce e os benefícios na alimentação
Conheça o processo de cultivo e produção da batata-doce em Santa Catarina – Foto: DivulgaçãoA alimentação consciente tem promovido diversos benefícios para a saúde e para o bolso, além de incentivar a cadeia produtiva da batata-doce, que está contando com o trabalho de diversos pesquisadores para que a produção atinja patamares cada vez melhores.
Gerson Wamser, pesquisador da Epagri, explica que com o aumento de notícias e artigos comprovando os benefícios da batata-doce para a saúde, o consumidor começa a se interessar por ela e a implementá-la cada vez mais em sua dieta.
Nesse caso, a batata-doce acaba sendo utilizada em programas de merenda escolar, que adquirem os produtos da agricultura familiar, sem o uso de agrotóxicos ou com um uso baixíssimo, o que também ajuda a aumentar o cultivo do alimento. Além disso, a batata-doce tem feito cada vez mais parte da dieta de quem pratica exercícios físicos e busca por mais saúde. O alimento tem unido nutricionistas, empresários e todos aqueles que desejam um prato mais saudável.
“Ela é muito rica e tem uma fibra alimentar incrível. A batata-doce quando é cozida e depois resfriada, cria um tipo de amido resistente, uma ótima fonte prebiótica – aqueles alimentos que alimentam as bactérias do nosso intestino – então é muito bom para a saúde intestinal. Além disso, é rico em vitaminas do complexo B, Vitamina A, C, E, K e minerais como ferro, cálcio, manganês e potássio por aí afora” – conta Maria Eduarda Costa, nutricionista esportiva.
O carboidrato chama atenção no mundo do esporte porque trabalha com a insulina de uma forma diferente. Ela vai graduando sua liberação de energia, ou seja, toda vez que você faz a sua refeição, ao longo do treino tem a energia liberada, o que também é ótimo para pessoas com diabetes e que precisam controlar a insulina e a glicemia.
Agora que você já sabe qual é a importância da batata-doce no campo, na pesquisa, na indústria e na alimentação, aproveite e assista ao episódio especial sobre o tema do programa Agro, Saúde e Cooperação. Nele você descobre como funcionam os processos de produção do tubérculo e aprende, inclusive, a fazer um delicioso brownie que tem o alimento como base.
O projeto idealizado pelo Grupo ND, conta com a parceria de instituições importantes, como a Ocesc, a Aurora, o Sicoob, o SindArroz Santa Catarina e a Fiedler Automação Industrial, buscando aproximar cada vez mais as pessoas do campo e o campo das pessoas.