Santa Catarina tem melhor safra da cebola dos últimos anos com recorde de toneladas

Boletim da Epagri/Cepa aponta que trigo também está com safra encerrada no território catarinense e produção 38% superior ao ciclo passado

Redação ND Florianópolis

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Pouco mais de 551 mil toneladas de cebola devem ser colhidas em Santa Catarina na safra de 2022/23, registrando um recorde de maior volume dos últimos anos. A informação foi publicada no BA (Boletim Agropecuário) da Epagri/Cepa (Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola).

A safra já foi encerrada, mas os números ainda serão consolidados. Se confirmada, a quantidade colhida mantém o Estado na condição de maior produtor do país. Outra boa notícia para os produtores da hortaliça são os preços, que estão acima dos custos de produção.

Santa Catarina é o maior produtor de cebola do país — Foto: Pixabay/Reprodução/NDSanta Catarina é o maior produtor de cebola do país — Foto: Pixabay/Reprodução/ND

Safra da Cebola

A colheita da safra 2022/23 de cebola foi finalizada em Santa Catarina e deve ser a maior dos últimos anos. Os números, ainda em fase de consolidação, indicam uma produção pouco acima de 551 mil toneladas, superior ao estimado pela Epagri/Cepa até dezembro. A elevação dessa estimativa foi puxada especialmente pelos novos números da região do Alto Vale do Itajaí. A microrregião de Ituporanga deverá produzir 257.670 toneladas, o equivalente a 46,75% do total do Estado. O Estado se firma como o maior produtor da hortaliça no país.

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Outra boa notícia é que os preços pagos ao produtor estão acima do custo médio estimado para Santa Catarina. Apesar do aumento da oferta da hortaliça desde dezembro, os valores se mantiveram entre R$2,30/kg e R$2,50/kg nas principais praças, como Rio do Sul. A comercialização segue em ritmo normal e o volume comercializado já é superior a 50% da produção catarinense.

APROCESC (Associação dos Produtores de Cebola de Santa Catarina)

Em contato com o ND+, o presidente da Aprocesc, Jelson Gesser, comentou sobre o recorde da safra e as expectativas dos produtores nas próximas colheitas.

Gesser explicou que não imaginava a proporção desta safra. “Inicialmente, na primavera, data onde inicia o desenvolvimento da cebola, a gente não imaginava que a safra tivesse toda essa proporção, pois passamos por um momento complicado, estávamos calculando até perdas, principalmente pela alta incidência de florescimento na cebola” explicou.

“Isso acaba trazendo prejuízo para o agricultor, pois faz com que o produto perca seu valor comercial, porém, como o preço da cebola acabou batendo uma alta muito forte, esse ‘capitão’, como chamamos, acabou sendo absorvido pelo mercado, por um preço mais barato”.

O presidente da associação esclarece que “essas cebolas também apresentaram uma alta qualidade, acaba diminuindo as perdas pós-colheita e consequentemente incrementando a produtividade do agricultor, simbolizando um número menor de cebolas descartadas”.

Por um lado é bom para o agricultor, pois está produzindo mais cebola, por outro lado, não é tão bom porque o preço acaba com a oferta caindo. Os preços não se mantiveram nos patamares dos meses de novembro e chegaram a alcançar R$ 6,00 reais o kg  e depois do início do ano ocorreu uma queda”.

Gesser diz que está sendo a safra mais cara da históra. “Hoje eles já se estabilizaram novamente, representando uma faixa de R$ 2,10 e 2,20 o kg, não sendo preços ruins, porém também não considero bons, devido à alta no custo que tivemos, sendo essa última safra a mais cara da história”.

“Os custos de fertilizantes e a escassez de mão de obra foram muito simbólicos para o valor total desta safra”.

“Os produtores de cebola que estão comercializando neste patamar de preço, não estão no vermelho, porém estão um pouco frustrados pois esperavam preços melhores nesta época”, afirma, Gesser.

“Mas ainda temos um período para comercializar, temos safra pela safra ainda e com o andamento da comercialização a cebola vai diminuindo a oferta e a gente talvez possa ter uma mudança, é difícil de prever até porque precisamos considerar da oferta em outras regiões do Brasil e até cebolas que vem da Argentina entrando no mercado neste mês de março”, explicou o presidente da Aprocesc.

Ao ser perguntado sobre o que pode ter ocasionado os bons resultados dessa safra, Gesser respondeu que “um dos principais pontos que levaram a gente a ter uma produção melhor esse ano, foi o investimento em tecnologia por parte dos agricultores para a produção de cebola, qualidade do solo e maquinário”.

Em relação às expectativas da próxima safra, o presidente da Aprocesc explica “que ainda é muito cedo para avaliar qualquer situação, ainda estamos no período de comercialização, iniciando a safra novamente em abril, com os semeados e confecção das mudas, e o plantio começa para julho e agosto”.

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