Ave típica da região amazônica aparece em praia de Florianópolis e surpreende moradores

Zoólogo explica que a hipótese mais provável é que o animal tenha fugido de um cativeiro

Redação ND Florianópolis

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Uma ave típica da região amazônica surpreendeu os moradores do Sul da Ilha ao aparecer na praia dos Açores, no bairro Pântano do Sul, na manhã desta quinta-feira (25), em Florianópolis. O animal estava sozinho e permaneceu na árvore próxima ao posto salva-vidas, apesar da aproximação de quem passava pelo local.

Animal estava sozinho em  árvore próxima ao posto salva-vidas, na praia de Açores – Foto: Andréa da Luz/NDAnimal estava sozinho em  árvore próxima ao posto salva-vidas, na praia de Açores – Foto: Andréa da Luz/ND

De acordo com o zoólogo, especialista em Ornitologia, Guilherme Brito, trata-se de um exemplar da espécie arara-piranga (Ara macao), nativa da região amazônica, também conhecida como arara-vermelha.

Brito explica que o animal aparenta estar saudável e é provavelmente oriundo de um escape de cativeiro. Ao analisar as imagens o estudioso não conseguiu encontrar uma anilha de identificação, o que deixa em aberto a possibilidade de o animal estar ilegalmente em Florianópolis.

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“A espécie não ocorre originalmente aqui e seria muito difícil algum indivíduo ter se dispersado de onde ocorre originalmente até Santa Catarina. Além disso, o animal parece se aproximar com tranquilidade da população, um sinal comum em aves de cativeiro”, comenta o ornitologista.

A adaptação da ave em Florianópolis também seria desafiadora, pois poucos indivíduos conseguem se adaptar com sucesso fora do cativeiro e em habitat desconhecido na fase adulta, segundo explica o especialista.

“Depende também do histórico da ave, não se sabe se foi criada desde filhote, tirada da natureza e trazida para Santa Catarina já adulta, por exemplo. Ela teria alguma dificuldade por não conhecer as espécies nativas comestíveis daqui…Papagaios, araras e afins aprendem muito com outros indivíduos dos grupos na natureza,  como ela está sozinha é outro problema”, diz Brito.

A ave é da espécie arara-piranga (Ara macao), nativa da região amazônica. – Vídeo: Andréa da Luz /ND

A arara-vermelha não é ameaçada de extinção e pode viver até 60 anos. A ave mede de 73 a 95 centímetros de comprimento e pesa até 1,5 quilo.

“No Brasil existem duas espécies de arara-vermelha. Essa que possui a cauda ligeiramente maior, bastante amarelo na asa e poucas marcas vermelhas na face. E outra espécie que tem mais verde na asa”, afirma Brito.

O que fazer ao encontrar uma arara?

Conforme o zoólogo, o aconselhável é solicitar auxílio ao IMA (Instituto do Meio Ambiente), ao Instituto Espaço Silvestre e/ou a Polícia Militar Ambiental para manusear um animal selvagem.

O contato com o IMA pode ser feito pelo e-mail fauna@ima.sc.gov.br ou pelo telefone (48) 3665-6761.

“Não se deve tentar manipular nem incomodá-la. Já a questão do alimento é mais complicada, mas não haveria problema em oferecer ração recomendada para a família Psittacidae, à qual a espécie pertence. O ideal seria tentar encontrar os donos e até falar com algum órgão ambiental”, orienta o zoólogo.

Venda de animais silvestres é crime

O crime de tráfico de animais movimenta até US$ 20 bilhões por ano, tendo o Brasil a participação em 15% desse total. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), é a terceira atividade clandestina que mais gera dinheiro, ficando atrás apenas do tráfico de drogas e armas.

A pena prevista é de detenção de 6 meses a 1 ano e multa. No caso de crime decorrente de caça profissional, a pena pode ser triplicada.

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