Bióloga desvenda mistério e revela bicho curioso achado no Oeste de SC

O animal foi encontrado por Lenoir Guisolphi, morador de Nova Erechim

Foto de Caroline Figueiredo

Caroline Figueiredo Chapecó

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O mistério envolvendo um curioso animal encontrado pelo morador de Nova Erechim, no Oeste de Santa Catarina, Lenoir Guisolphi, foi desvendado: é uma cuíca ou catita, parente dos conhecidos gambás. O bicho foi trazido pelo gato de estimação da família e deixado na calçada da casa, na manhã do dia 25 de dezembro.

bichoDo lado esquerdo o animal encontrado por Lenoir e do lado direito a mesma espécie registrada pela bióloga em Itá. – Foto: Montagem/ND

A bióloga e professora da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), Vanessa Barbisan Fortes, foi quem desvendou o mistério e esclareceu a dúvida de Lenoir e dos leitores do ND+. Segundo ela, apesar de ser da família dos gambás, a cuíca é bem menor. Pesa cerca de 80 gramas e mede no máximo 15 centímetros e mais 8 centímetros da cauda, por isso se parece com um rato.

“O que diferencia do rato, à primeira vista, é a ausência dos dentes incisivos desenvolvidos que caracterizam os roedores. O dente canino proeminente que aparece na foto indica sua dieta insetívora, ou seja, de insetos, aranhas, lesmas, besouros, formigas e até mesmo camundongos, daí seu importante papel na teia alimentar e no equilíbrio ecológico”, explica.

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Vanessa ressalta que existem várias espécies de cuícas no Brasil. A encontrada pelo morador de Nova Erechim pertence ao gênero Monodelphis, provavelmente Monodelphis dimidiata, caracterizada pela coloração marrom da pelagem com tons mais alaranjados nas laterais do corpo.

A bióloga esclarece que sua distribuição geográfica vai desde a metade norte da Argentina, Uruguai, Paraguai e regiões sul e sudeste do Brasil, até o Rio de Janeiro. Porém, não são facilmente vistas, pois vivem em tocas e esconderijos no solo e deslocam-se por túneis entre pedras, troncos e folhas.

As fêmeas têm apenas um filhote por gestação e, ao contrário dos gambás, elas não possuem bolsas na barriga. O filhote é carregado agarrado nas costas, se segurando com a boca e as mãos.

A bióloga registrou um dos raros momentos em que viu uma cuíca frente a frente. – Foto: Vanessa Barbisan Fortes/Divulgação/NDA bióloga registrou um dos raros momentos em que viu uma cuíca frente a frente. – Foto: Vanessa Barbisan Fortes/Divulgação/ND

“A espécie já havia sido registrada na região durante o resgate de fauna no alagamento da Usina Hidrelétrica de Itá. Foi um dos dois raros momentos em que vi esse animal”, conta Vanessa.

Segundo a bióloga, são animais extremamente inofensivos e não trazem perigo ao homem ou animais domésticos. “Quando capturadas se estressam facilmente e podem morrer pelo estresse em poucas horas. Seu habitat é formado por florestas e campos nativos, por isso a proteção destes ambientes é essencial para sua sobrevivência”, acrescenta.

E você, já viu uma cuíca por aí?

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