Capivaras ‘universitárias’ estão fora de controle e podem virar praga em Florianópolis; entenda

Os animais, já conhecidos pelos estudantes, ocasionalmente aparecem no campus da Udesc

Foto de Ada Bahl

Ada Bahl Florianópolis

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Após o vídeo que mostra uma família de capivaras se abrigando da chuva no campus da Udesc (Universidade Estadual de Santa Catarina), em Florianópolis, viralizar na última semana, um alerta acendeu entre os moradores da Capital.

O registro foi publicado pelo perfil @brjordao, no Twitter, e já somava quase 10 mil visualizações e mais de 700 curtidas até esta terça-feira (13).

Capivaras são flagradas se protegendo da chuva em universidade de Florianópolis – Foto: Redes Sociais/Divulgação/NDCapivaras são flagradas se protegendo da chuva em universidade de Florianópolis – Foto: Redes Sociais/Divulgação/ND

Os animais, já conhecidos pelos estudantes, ocasionalmente aparecem no campus. Em seis meses, a família “vem crescendo descontroladamente”, diz o coordenador do Faed (Centro de Ciências Humanas da Udesc), Everton Vieira da Silva.

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“Parece que a família está aumentando, antes eram três, agora são mais de dez. Elas vivem circulando pela área, acho que ‘moram’ no mangue do Itacorubi e ‘dão uma volta’ quando a grama esta alta ou chove”, narra Silva.

Segundo o coordenador, o estacionamento do campus da Faed fica próximo do campo de futebol Paula Ramos, que faz divisa com o manguezal do bairro e, muitas vezes, elas aparecem “visitando” a universidade.

Ele explica que nenhum dos estudantes se aproxima muito dos animais e confessa que o local “merece a visita de algum órgão”. “A gente colocou até alguns cones de trânsito para proteger a área. Nós temos uma preocupação em não alterar esse ciclo natural”, diz.

Sem predadores

A tenente da PMA (Polícia Militar Ambiental) Renata Bousfield conta que a aparição das capivaras excede a época do ano. Porém, o período do verão é o mais propício para a reprodução.

“É comum durante o ano todo. Elas também não têm muitos predadores, no máximo o jacaré, e, por isso, aparecem em maior número. Mas é um animal muito tranquilo, elas fogem do homem, então não apresentam muito perigo”, explica a tenente.

Após acidente com capivara, casal do Sul de SC é indenizado em mais de R$ 6 mil – Foto: Pexels/Divulgação/NDApós acidente com capivara, casal do Sul de SC é indenizado em mais de R$ 6 mil – Foto: Pexels/Divulgação/ND

Renata ainda complementa orientando os moradores que avistarem esse tipo de roedor: “É a situação de qualquer animal no Estado, se for um simples recolhimento é com o IMA, e se houver um crime ambiental, uma caça, maus tratos, é com a PMA, através do 190”, finaliza.

O IMA (Instituto do Meio Ambiente) pontua, também, que a orientação é não interferir que ela voltará para o seu local. O órgão confirma que ainda não há nenhum monitoramento de capivaras em Florianópolis, mas adianta que um projeto está em desenvolvimento para 2023.

“É o Projeto Fauna Floripa que tem uma demanda do IMA para monitorar e identificar essa fauna para eles. Mas sem detalhes ainda, será para o próximo ano”, informam.

Capivaras podem atingir o nível de “praga”, diz o IMA

O professor e biólogo do IMA de Criciuma, André Klein, complementa afirmando que a reprodução de capivaras é um “problemão em nível nacional e sem solução em vista”.

Klein diz que esses roedores gostam de ficar em margens abertas de rios e o desequilíbrio populacional decorre, muitas vezes, das conversões de áreas florestais em áreas abertas.

“Pela conversão dessas áreas próprias para ocupação pela espécie, da drástica redução no número de predadores, que seriam apenas os grandes felinos, além, é claro, da grande capacidade reprodutiva da espécie, típica dos roedores”, explica.

Família de capivaras apareceu de surpresa em empresa de Joinville – Foto: Internet/ReproduçãoFamília de capivaras apareceu de surpresa em empresa de Joinville – Foto: Internet/Reprodução

Ele ainda diz que o cercamento da área “geralmente não costuma ser eficiente”, visto que esses animais podem desviar. Ele ainda conta que o problema não é somente na Capital catarinense, e sim, em diversos locais pelo País.

“O IBAMA e algumas instituições acadêmicas até chegaram a fazer alguns estudos, debates e tentativas de normatizar algum procedimento, mas por se tratar de espécie nativa e de problema sistêmico, acho que não foi possível progredir”, comenta.

Segundo ele, uma eventual realocação poderia, inclusive, transferir o problema para outro local. “Por se tratar de problema sistêmico, portanto, as soluções também são sistêmicas: maior preservação/recuperação das matas ciliares e, talvez por meio de políticas públicas, o manejo de habitats”, finaliza.