Frajola, Diego, Valeska, Dara, Gaúcho e Amora. Estes são apenas alguns nomes dos 93 pets que as protetoras de animais Salete Soares, de 56 anos, e Ângela Alves, de 43 anos, tem em casa. Juntas, as duas voluntárias que moram em bairros distintos de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, adotaram 53 gatos e 40 cães.
Ângela Alves adotou 50 gatos e oito cães abandonados — Foto: Nadia Michaltchuk/NDOs animais hoje vivem em conforto e segurança, mas a vida deles nem sempre foi assim. Resgatados da rua, alguns deles foram vítimas dos mais diversos maus-tratos. Somente na casa de Ângela, localizada na linha São Roque, estão abrigados 50 gatos e oito cães.
A protetora, que também trabalha como diarista, dedica boa parte do seu dia à causa animal. “Eu acordo todos os dias às 5h, faço o café para o meu marido e logo começo a limpar a casinha deles e a tratar”, conta Ângela, que construiu vários canis e gatis nos fundos da sua casa.
SeguirAlém do gasto para construir um ambiente adequado para os pets, que foi de cerca de R$ 5 mil, Ângela relata que tem um custo fixo de mais de R$ 2 mil por mês para sustentar os animais. Deste valor, R$ 1.100 é em alimentação, R$ 120 em areia, R$ 600 em medicamentos e R$ 200 em produtos de limpeza.
Isso sem contar nos gastos com clínicas veterinárias e castração. “Eu já perdi as contas de quanto já gastei na causa animal. Tenho sempre meu cartão de crédito com o limite estourado e devo em várias clínicas veterinárias, mas aqui em Chapecó todos me conhecem, sabem que sou honesta e sempre honro com meus compromissos, aos poucos vou pagando”, relata Ângela.
Ângela Alves dedica a maior parte de sua vida à causa animal — Foto: Nadia Michaltchuk/NDAmor que supera preconceitos
A realidade de Salete não é muito diferente. A moradora do bairro Efapi possui 32 cães e três gatos em casa. Ela passou a adotar animais em situação de rua há cerca de 10 anos e hoje, mesmo com tantos pets, conhece cada um pelo nome.
Apesar de sua linda história de amor aos bichos, a aposentada conta que já sofreu preconceito. “Já me incomodei com vizinhos. Antigamente até davam veneno. Fui muito julgada, inclusive por familiares. Mas hoje, com o apoio do meu marido e filhos, cuido dos meus animais e não me importo com a opinião alheia. O amor supera preconceitos”, afirma a protetora.
Salete Soares possui 32 cães e três gatos em casa — Foto: Nadia Michaltchuk/NDCão Cidadão
Além do amor incondicional aos animais, Ângela e Salete tem mais uma coisa em comum. As duas são associadas à ONG (Organização Não Governamental) Cão Cidadão. Fundada há seis meses, a Cão Cidadão conta com 50 protetores e voluntários. Ao todo, o projeto já castrou 190 animais.
O objetivo da ONG é realizar ações para viabilizar a castração de cães e gatos, combater os maus tratos, realizar palestras de conscientização nas escolas, atuar junto ao poder público na criação de leis de proteção aos animais, promover campanhas de adoção e controlar o número de pets em situação de rua.
Entre as ações está o apoio psicológico às protetoras associadas. “Nosso intuito é ajudar as protetoras. Muitas delas enfrentam problemas de depressão, porque convivem diariamente com os animais vítimas de maus tratos e sofrem por eles”, explica a presidente da ONG Cão Cidadão, Karla Klein.
Para arrecadar fundos, a ONG promove eventos. Além disso, conta com o projeto Ecopet, que arrecada tampinhas e materiais recicláveis para venda. Todo o valor arrecadado nas ações é revertido à causa animal.
Karla Klein é presidente da ONG Cão Cidadão — Foto: Nadia Michaltchuk/NDComo ajudar?
Além de participar das ações realizadas pela ONG Cão Cidadão, você pode apadrinhar um animal abandonado ou contribuir com qualquer valor por meio do PIX 42.388.383/0001-67 (CNPJ).