Santa Catarina é lar de uma das espécie de roedores mais raras do mundo. O animal, que se chama preá-de-moleques-do-sul, é da família da capivara e do porquinho da índia. Eles vivem em uma das ilhas do Arquipélago de Moleques do Sul, a cerca de 10 km de Florianópolis.
O baixo número de preás, estimado em 50 roedores, e seu isolamento, fazem da espécie um dos animais mais raros do planeta – e também um dos que mais correm riscos de serem extintos. Conheça um pouco mais sobre o animal!
Conheça espécie mais rara de roedores do planeta – Foto: IMA/Divulgação/NDOrigem
O preá-de-moleques-do-sul é reconhecido há poucas décadas pela ciência. Em 1989, pesquisadores que estudavam as aves do arquipélago realizaram o primeiro registro, mas inicialmente o animal foi confundido como outra espécie de preá que ocorre no continente.
SeguirEm 1991, foram assinaladas as diferenças que apontavam tratar-se de uma nova espécie. Dez anos depois, em 1999, foi publicado um artigo que descreveu o preá-de-moleques-do-sul com o nome cientifico de “Cavia intermedia”, sendo “intermedia” devido às características intermediárias entre as duas espécies, como medidas externas, cranianas e coloração.
Não se sabe exatamente como eles foram parar lá, mas algumas hipóteses afirmam que com o fim da Era Glacial, geleiras formadas na América do Norte começaram a derreter. Do lado de cá, o nível do mar 120 metros abaixo do atual, avançou.
Neste período, as águas separaram do continente de Palhoça a área onde fica o Arquipélago Moleques do Sul e também acabou dividindo um grupo de preás, do restante da espécie.
Espécie
A família a que pertence o preá-de-moleques-do-sul inclui espécies bastantes conhecidas, como a capivara, o maior roedor do mundo, e o porquinho da índia.
Ao todo são 18 espécies exclusivas da América do Sul. O gênero Cavia possui seis espécies selvagens e uma doméstica, o porquinho da índia. Destas, cinco são registradas em Santa Catarina.
Os preás tem corpo robusto, orelha curta e não possuem cauda. Eles diferenciam-se pelas medidas do crânio, uma calosidade bem particular nas patas traseiras e é a única do gênero com número de cromossomos diferente.
Considerado o mamífero com menor distribuição no planeta, está entre os 20 pequenos mamíferos mais ameaçados de extinção no mundo em todos os níveis (global, nacional e estadual).
A população de preá-de-moleques-do-sul gira em torno de 50 indivíduos, alterando entre 30 e 60, de acordo com nascimentos e mortes ao longo do ano.
Os nascimentos ocorrem todo o ano, especialmente, nas estações quentes. A gestação dura entre 30 e 60 dias, e pode resultar no nascimento de um ou dois filhotes. A expectativa de vida dos roedores desta espécie é de aproximadamente 400 dias.
O preá não tem predadores naturais na Ilha, sua maior fonte de alimentação são as plantas e gramas de onde vive, considerado assim, um animal herbívoro.
Perigo de extinção
A ilha onde os roedores vivem, a maior das três do arquipélago, faz parte do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. A área é classificada como “zona intangível”, ou seja, a visitação para lá é proibida.
O biólogo e especialista em preás, Carlos Salvador, explica o porquê da raridade da espécie, e o que os torna tão suscetíveis a extinção.
“Essa questão da raridade pode ser visto de duas maneiras; Uma é pela quantidade de indivíduos. São no máximo 50 roedores adultos em todo mundo, e são esses que estão na Ilha”, conta.
“Outra maneira é pela questão geográfica, eles não ocorrem no planeta inteiro, não ocorrem no Brasil todo, ou em Santa Catarina. Eles estão naquela Ilha. Não existe outro lugar no planeta com essa espécie, então a raridade está em onde eles ocorrem, são restritos e raros, e a quantidade, são muito poucos”, explica.
O biólogo ainda afirma que existem 100% de chance da espécie ser extinta em 100 anos. “Qualquer evento que você considere que vá acontecer na Ilha, é catastrófico para aquela quantidade de indivíduos”, continua. “É uma questão de critério para definir se eles são ameaçados de extinção ou não, e essa espécie se encaixa em todos eles”, esclarece.
Arquipélago de Moleques do Sul
O arquipélago é composto por três ilhas localizadas a 8,25 km a sudeste da Ponta das Andorinhas (sudeste da Ilha de Santa Catarina) e a 14 km do continente sul-americano.
A maior ilha, onde se encontra o preá-de-moleques-do-sul, possui 9,7 hectares de área, é considerada o principal abrigo para a reprodução de aves marinhas da costa catarinense e inclui 31 espécies de aves, com destaque para os atobás, as gaivotas e as fragatas.
No local, existe apenas uma espécie de mamífero, o “Cavia intermedia”, e uma espécie de réptil, a cobra-de-duas-cabeças, também endêmica da Ilha.
*Com informações da apostila “Preá-de-moleques, o mamífero mais raro do planeta!”, de autoria de Haliskarla Moreira de Sá, Lauro da Cunha Narciso e Carlos Henrique Salvador. Realização do Instituto Tabuleiro, do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e do IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina).