Aumento de doenças transmitidas por mosquitos pode estar associado ao desaparecimento de sapos?

Biólogo estabelece conexão entre o desaparecimento de sapos e o aumento nos casos de dengue e febre oropouche

Foto de Natalia Bollmann

Natalia Bollmann Blumenau

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O desaparecimento de sapos em várias regiões do Brasil, importantes para o equilíbrio do ecossistema e controle de insetos, pode estar associado ao aumento de casos de dengue e febre oropouche, doença transmitida pelo mosquito maruim.

O desaparecimento dos sapos pode ter relação com o aumento de casos de dengueDesaparecimento de sapos gera preocupação para biólogos que estudam o impacto ambiental da perda de habitat – Foto: Freepik/Reprodução/ND

É o que afirma o biólogo Jackson Preuss, que considera a relação entre os desaparecimento de sapos e o aumento nos casos de doenças. Isso por que os sapos são predadores naturais de muitos insetos, incluindo os mosquitos transmissores de doenças.

Pesquisas apontam o desaparecimento de sapos

Um artigo de 2023 intitulado “Ongoing declines for the world’s amphibians in the face of emerging threats”, publicado pela revista Nature, apresenta uma avaliação global sobre os anfíbios, feita pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza ).

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No estudo, coordenado por mais de mil cientistas, foi revelado que 40,7% das espécies de anfíbios estão ameaçadas de extinção, um aumento de 1,7% desde 2004. Quatro espécies foram consideradas extintas e outras 27 potencialmente extintas, totalizando mais de 160 espécies desaparecidas.

Relação dos anfíbios com o aumento dos casos de dengue e febre oropouche

Alguns fatores têm contribuído para o desaparecimento. De acordo com o biólogo Jackson Preuss, a destruição de habitats, a poluição, e mudanças climáticas são os que mais prejudicam.

“Essas mudanças afetam diretamente os locais de reprodução e alimentação desses animais, principalmente, as perdas de áreas úmidas, onde os sapos geralmente vivem e se reproduzem, é um dos principais fatores dessa diminuição”, afirma o biólogo.

Além disso, o uso indiscriminado de pesticidas e outros produtos químicos na agricultura contamina os habitats naturais dos sapos, prejudicando a sobrevivência.

O desaparecimento de sapos tem um efeito cascata no ecossistema, já que eles são importantes controladores de insetos, segundo o biólogo.

Como o desaparecimento de sapos afeta o controle de insetos e mosquitos?

Os sapos consomem uma grande quantidade de insetos ao longo de suas vidas. Eles são predadores vorazes de mosquitos, ajudando a manter as populações dos insetos sob controle.

Com menos sapos na natureza, há um aumento potencial no número de mosquitos, o que pode levar a um aumento nos casos de doenças transmitidas por eles, como a dengue e a febre oropouche.

“O desaparecimento de sapos tem um impacto direto na proliferação de insetos. Com menos predadores naturais, os mosquitos encontram menos barreiras para se multiplicarem, o que pode explicar o aumento nos casos de dengue e maruim”, explica o biólogo.

Jackson também destacou a importância da conservação dos sapos para o controle biológico de pragas. “Preservar os habitats naturais dos sapos é essencial não apenas para a biodiversidade, mas também para a saúde pública.

Diversos estudos apontam para a correlação entre a presença de sapos e a redução de mosquitos. A preservação dos anfíbios é uma estratégia eficaz e sustentável para o controle de vetores de doenças.

Sapo na natureza podem estar sumindo, diz biólogo Jackson Preuss explica como os anfíbios ajudam no controle de doenças – Foto: Freepik/Reprodução/ND

Dengue e febre do oropouche em Santa Catarina

Santa Catarina tem mais de 354 mil casos prováveis de dengue registrados até o momento.

De acordo com o Governo do Estado, mais de 44,2 mil focos do mosquito Aedes aegypti foram localizados em 254 municípios catarinenses. Dos 295 municípios catarinenses, 169 são considerados infestados.

A recém-chegada, a Febre do Oropouche, doença transmitida pelo maruim, também causa transtornos, conforme a atualização mais recente da Dive-SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica).

Os primeiros casos confirmados da febre do oropouche em Santa Catarina foram registrados no fim do mês de abril deste ano. O total de casos registrados no ano chega a 137.

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