Aparentemente inofensivo, ataques de abelhas são frequentes no Brasil. Um estudo da Unesp (Universidade Estadual Paulista) aponta que, por ano, são registrados cerca de 10 mil ataques de abelhas no país – destes, 150 levam à morte.
É muito comum que moradores tenham problemas com enxames, mas em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, funcionários do Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, também tiveram imprevistos com o inseto. No prédio onde acontece uma obra de restauração, o trabalho precisou ser interrompido por conta de quatro enxames de abelhas.
O trabalho de rescaldo dos apicultores foi feito com a ajuda de um guindaste – Foto: Gideão Cesco/Divulgação/NDFoi na terça-feira (8), durante a retirada de uma placa cimentícia que os trabalhadores perceberam um enxame. “Foi chamado a Associação dos Apicultores do município, e solicitamos ajuda para retirar os insetos. Então eles subiram lá em cima achando que era apenas um enxame, mas depois foi visto mais um e na sequência um terceiro”, disse o responsável pela manutenção do Centro de Eventos, Gideão Cesco.
SeguirO Natalício Singiski, que faz parte da Associação dos Apicultores, atendeu o chamado dos funcionários, segundo ele, o susto foi grande e trabalhoso. “A gente vai preparado para tirar um enxame, isso é normal de uma abelha, nós removemos uma placa, tiramos um enxame, daqui a pouco apareceu outro enxame e mais outro. Eu com 30 anos de apicultura nunca vi tantos enxames perto um do outro. Foi preciso mobilizar um guindaste bem alto para fazer a retirada, tudo por questões de segurança”, contou.
Apicultores durante o rescaldo dos enxames de abelha no Centro de Eventos – Vídeo: Gideão Cesco/Divulgação/ND
O trabalho de retirada começou no fim da tarde, às 17h e foi finalizado às 21h. “Fizemos o controle com inseticida de spray (não foi usado produto especial porque não exigia), fizemos o rescaldo. Depois levei as abelhas para o interior, na comunidade de Colônia Cella, lá estarão em um local mais seguro e apropriado para elas ”, explicou Natalício.
Mais abelhas
Tudo parecia estar resolvido quando na manhã da quarta-feira (9), os funcionários encontraram outro enxame. E por pouco, um acidente não aconteceu, graças a uma iniciativa do apicultor. “Eu tive uma intuição e decidi deixar um macacão usado para fazer o rescaldo lá com os trabalhadores do Centro de Eventos. Vai que eles precisassem de novo, né? Um deles vestiu somente a parte de cima da proteção e no momento que fez força, a placa caiu e o enxame atacou. Foi o que preveniu porque ele levou ferroadas das abelhas, se não tivesse com a proteção poderia ser pior”, detalhou.
O apicultor foi chamado novamente por Gideão para remover o enxame. Trabalho que iniciou às 10h e terminou somente às 13h. Ainda conforme o apicultor, “para quem é alérgico, uma ferroada de abelha pode fechar vias aéreas e se não receber atendimento hospitalar imediato pode levar à morte. 60 ferroadas correspondem a uma mordida de cobra”.
Nada de grave aconteceu na situação ocorrida no Centro de Eventos com os frequentadores ou pessoas que passaram pelo local.
Orientação
É sempre importante perceber se esses insetos aparecem com frequência pois pode existir algum enxame por perto, seja em imóveis residenciais ou comerciais. Se encontrar algum, a orientação é procurar pessoas que trabalham com apicultura. “Abelha quando se sente ameaçada, ataca. Começou a fazer um corte de grama, viu um enxame, ela vai atacar, pois ela não sabe exatamente o que está acontecendo. Ela vai se defender, então é importante se prevenir”, afirmou Natalício Singiski.
Segurança
O macacão é o principal equipamento de proteção individual. E nem poderia ser diferente. Trata-se de um EPI que protege 100% do corpo humano contra enxames de abelhas e as temidas ferroadas. Os modelos mais comuns que podem ser encontrados no mercado são de macacão de apicultor fabricado em 100% de poliamida e com tratamento antiaderente.