Estudante da UFSC desenvolve cadeira de rodas de baixo custo para cães

Modelo, que tem objetivo de atender as necessidades caninas, passa por período de testes antes de ser comercializado

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Redação ND Florianópolis

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Com o objetivo de baixar custos e atender a todas as necessidades, a cadeira de rodas para cachorro, desenvolvida no laboratório da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) como projeto de conclusão de curso do estudante Artur Donadel Balthazar, passa, agora, por testes antes de uma possível comercialização.

Teresa Cristina foi uma das primeiras a testar o novo modelo desenvolvido por Artur – Foto: Rafaella Whitaker/Agecom/UFSC/Reprodução/NDTeresa Cristina foi uma das primeiras a testar o novo modelo desenvolvido por Artur – Foto: Rafaella Whitaker/Agecom/UFSC/Reprodução/ND

O invento desenvolvido sob orientação de Regiane Trevisan Pupo, professora do Departamento de Expressão Gráfica e coordenadora do Laboratório 3D da UFSC, ainda se encontra em fase de teste, mas com diferenciais marcantes em relação ao produto atual disponível no mercado.

A principal singularidade são suas barras laterais, que, ao mesmo tempo em que garantem a estabilidade da coluna, são maleáveis e permitem que o animal mexa seu tórax para os lados. Um movimento natural dos cachorros, mas que é impedido pelas cadeiras de rodas comuns.

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Artur relata que o ponto principal durante o desenvolvimento foi a etapa de observação e adequação do animal. “A questão do cachorrinho é muito difícil, porque tu não tens um ser humano com quem tu podes conversar e perguntar o que está sentindo. O cachorrinho, tu tens que observar e tentar te colocar no lugar dele”, conta.

As barras flexíveis resolvem, ainda, outro problema: ao viabilizarem a movimentação do tórax, elas eliminam a necessidade dos rodízios giratórios, como os de carrinhos de supermercado. Sendo solucionada pelas rodas dianteiras, elas costumam ser pequenas e trancam em desníveis.

Principal diferencial são as barras laterais que permitem movimento natural do cachorro – Foto: Rafaella Whitaker/Agecom/UFSC/Reprodução/NDPrincipal diferencial são as barras laterais que permitem movimento natural do cachorro – Foto: Rafaella Whitaker/Agecom/UFSC/Reprodução/ND

“Com a barra flexível, a roda pode ser grande, ou seja, ela consegue passar em degrau, meio-fio e consegue virar também, conforme a intenção do cachorro”, comenta o designer.

Impressão 3D

Com exceção dos parafusos, de um coleira peitoral, que prende a cadeira no cãozinho, e das pequenas coleiras que seguram as patinhas, todo o produto pode ser produzido por uma impressora 3D.

O fato de ser imprimível, permite a adaptação às medidas de cada animal ainda na etapa de projeto, possibilitando tiragens únicas e eliminando a necessidade de muitos mecanismos de ajuste de altura, comprimento e largura após a fabricação.

Cadeira de rodas tem produção por impressora 3D – Foto: Rafaella Whitaker/Agecom/UFSC/Reprodução/NDCadeira de rodas tem produção por impressora 3D – Foto: Rafaella Whitaker/Agecom/UFSC/Reprodução/ND

“A fabricação digital [com impressoras 3D] surge como uma uma solução para esses casos, que precisam ser muito personalizados e de baixo custo”, explica o estudante.

Porém, vale ressaltar que os custos da impressão 3D para cachorros muito grandes podem aumentar consideravelmente, além de exigirem impressoras maiores e mais difíceis de encontrar e manusear.

“Na impressão 3D,  o custo não é linear, ele é exponencial, porque quando se aumenta o volume, está aumentando em três dimensões. Então para uma peça de custo X, com o dobro do volume, [o custo] vai passar para, 4 ou 5 X”, explica Artur.

O preço de venda de cadeira de rodas varia atualmente. Para as cadeiras personalizadas, com as medidas específicas do cachorro, Artur conta que, para um cachorro muito pequeno, o mínimo seria em torno de R$300.

Ele complementa dizendo que já existem cadeiras no mercado feitas com impressão 3D, mas que são “praticamente uma cópia da cadeirinha simples”. “Nesse caso, dessas cadeiras com impressão 3D, eu vi coisa de mil reais para cachorrinho pequeno, 2 mil para cachorros grandes”, diz.

Período de testes

Até o momento, a cadeirinha só foi testada em duas cadelinhas sem deficiência: Pitty e Teresa Cristina. Apesar de terem mobilidade nas quatro patas e não se sentirem muito à vontade com as patinhas presas em um dispositivo estranho, a etapa é importante para verificar se as dimensões estão corretas, se há necessidade de ajustes, entre outras questões.

O projeto agora passará por novos testes – Foto: Rafaella Whitaker/Agecom/UFSC/Reprodução/NDO projeto agora passará por novos testes – Foto: Rafaella Whitaker/Agecom/UFSC/Reprodução/ND

O próximo passo são os testes com diferentes cães com deficiência. A ideia é fabricar algumas cadeirinhas para os cães que precisam, sem custos, e aproveitar para validar o projeto com uma gama maior de animais. Para isso, Artur já movimenta o contato com cuidadoras de animais com paralisia nas patas.

“Acho que o trabalho do Artur tem tudo para dar certo como um exemplo bem real de que a pesquisa vale a pena, de que a pesquisa tem como ajudar a sociedade”, enfatiza a professora Regiane.

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