Família se depara com cão morto após picada de cobra em Blumenau

Caso ocorreu na madrugada da última terça-feira (22), no bairro Testo Salto; saiba como se proteger deste tipo de acidente

Redação ND Florianópolis

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Uma família de Blumenau, no Vale do Itajaí, se deparou com o seu cão de estimação morto ao lado de uma cobra coral na manhã da última terça-feira (22).

Os donos do animal relataram ao portal Vale dos Pets que chegaram a ouvir latidos durante a madrugada, mas não imaginaram o perigo.

Cachorro foi encontrado morto ao lado de uma cobra coral – Foto: Vale dos Pets/ReproduçãoCachorro foi encontrado morto ao lado de uma cobra coral – Foto: Vale dos Pets/Reprodução

De acordo com as informações da jornalista Danúbia de Souza, havia um outro cachorrinho no quintal, chamado Bob, que não ficou ferido.

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Negão, como era chamado, foi encontrado morto por volta das 6h30, ao lado da serpente.

“Nós escutamos ele latir por volta das 4h30. Mas como ele sempre late, a gente não deu bola. Quando acordamos, por volta das 6h30, encontramos ele sem vida ao lado da cobra, que também estava morta”, contou o tutor Cristiano Elias Bauer.

O Corpo de Bombeiros de Blumenau não chegou a ser acionado para a ocorrência.

Veterinário aponta os cuidados com animais domésticos

O médico veterinário comportamentalista Ricardo Fontão de Pauli, da Comporvet, afirma que é muito difícil educar um animal doméstico a lidar com cobras.

“Existem alguns adestradores que prometem treinamentos efetivos para cães não pegarem cobras. Ao meu ver isso seria bom, mas se fosse efetivo. Os treinadores precisariam de vários tipos de cobras reais para que esses treinamentos fossem efetivos, e isso é impossível. Não adiantaria você treinar com uma jararaca e depois aparecer uma Coral, o comportamento é completamente diferente.”

Segundo ele, o indicado é apostar em prevenção e tomar muito cuidado. “O mais correto seria você evitar, no seu ambiente, situações que possam gerar esse tipo de ocorrências. Não devemos sair matando cobras, isso não vai resolver e ainda traz riscos à pessoa”, explica.

“Existem algumas lendas, por exemplo colocar alho em volta do terreno. Elas não funcionam. O ideal é controlar a quantidade de matéria orgânica no terreno, assim como ração de animais ou alimentos, para que não chame ratos, e os ratos por consequência chame cobras”.

Em locais com alta incidência de cobras, a dica é murar o terreno, sendo assim o réptil não tem acesso ao interior da casa.

Outro fator crucial para prevenir a aparição de serpentes é a presença de lagartos no local, visto que é o natural predador das cobras.

Animal foi picado por uma cobra, e agora?

Caso o animal seja picado, o recomendado é levar para um veterinário o mais rápido possível. Também é muito importante, se possível, identificar qual o tipo de cobra envolvido no acidente.

“Não adianta fazer torniquete, ficar lavando, não perca tempo. Leve o animal direto para uma clínica, e no caminho já ligue para o veterinário e passe as informações.”

Além disso, vale entrar em contato com o CIATox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina), do HU (Hospital Universitário), que é referência no Estado e pode ter o soro antiofídico específico.

Ricardo Fontão ressalta que o soro para cobra Coral é muito raro e caro em todo o Estado. Porém, é uma das mais comuns de ocorrências de acidentes ofídicos.

“No caso da Coral, ela causa uma paralisia da musculatura e um dos primeiros sintomas é insuficiência respiratória, que pode causar sua morte. Por isso o tratamento é com ventilação mecânica, mantendo o animal entubado.”

É importante que, caso o animal doméstico seja visto próximo a uma cobra, ele seja levado à uma clínica veterinária antes mesmo de apresentar algum sintoma.

Além disso, se possível, e com toda a segurança, “pegue a cobra e leve até uma clínica veterinária junto ao animal para o profissional avaliar se houve algum sinal compatível com aquele acidente ofídico ou não”, recomenda o especialista.

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