Após o aparecimento do gambá no estádio Heriberto Hülse, a CBF, Confederação Brasileira de Futebol , exigiu uma resposta da direção do Criciúma que procurou Unesc para que estudos sejam realizados acerca do ocorrido e da repensa de animais no local.
Gambá apareceu no Heriberto Hülse no segundo tempo do jogo contra o Londrina em abril deste ano – Foto: Divulgação/NDA missão ficou a cargo do coordenador do Departamento de Ciências Biológicas e do Laboratório de Zoologia e Ecologia dos Vertebrados e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, Fernando Carvalho, que, com toda a sua equipe, fez a primeira visita ao Estádio nesta quarta-feira.
“Após reunião com a direção do clube para entender o que precisava ser feito e de que forma poderíamos contribuir, definimos que faríamos uma análise da estrutura do estádio para tentar identificar se há indício da incidência de outros animais e em quais locais podem se alojar durante o período diurno, pois esses gambás são de hábitos noturnos”, revela o professor.
SeguirPara identificar se há mais animais circulando no interior do estádio, serão instaladas dez câmeras fotográficas, que são ativadas por movimento. Então, caso um bicho passe por ela, uma foto ou um vídeo é registrado.
No segundo tempo do jogo entre Criciúma e Londrina, do dia 14 de abril deste ano os cerca de nove mil torcedores que pintavam as arquibancadas do estádio Heriberto Hülse de preto, amarelo e branco explodiram em uma grande histeria. Esse foi menor, é claro que aquela dos 16 minutos do primeiro tempo, quando Marquinhos Gabriel fez o gol que deu a vitória por 1×0 para o Tigre sobre o Londrina, em seu primeiro jogo no Campeonato Brasileiro da Série B de 2022.
Os gritos não festejavam mais um gol, não foram porque um jogador adversário foi expulso, nem porque o árbitro da partida escorregou e caiu. O que ocorria era algo inusitado. Um elemento estranho a uma partida de futebol entrara no campo.
Alheio aos gritos que vinham da arquibancada, um gambá passeava pelo gramado.
Passado o fato, surgiu a pergunta: é comum que ele estivesse no estádio, localizado na área central de Criciúma?
Foi então que a CBF exigiu uma resposta à direção.
“Tudo começou com o professor Joni que já desenvolve um trabalho com o Criciúma. O clube estava com a demanda de responder à CBF sobre a invasão do gambá ao campo porque para a confederação, a entrada de um animal no decorrer do jogo é passível de multa. O clube precisa preparar uma justificativa de que aquilo foi um acidente e a chance de acontecer novamente será minimizada, mostrando que está se preparando para enfrentar este problema”, explica o professor Fernando Carvalho.
Conforme Fernando, o Criciúma E.C. fica com significativa responsabilidade, primeiro com os jogadores e torcedores, e também com os animais. “Seria muito fácil contratar uma empresa, tirá-los e colocá-los em qualquer local, mas o Clube está procurando fazer isso da melhor forma possível e minimizar qualquer chance de outro animal entrar no campo, mas também está pensando na conservação e na importância deles na área urbana. Esta concepção ambiental também está sendo feita”, afirma.
Na busca por estes “bichinhos”, a análise conta com o apoio do Laboratório de Zoologia, o curso de Ciências Biológicas e o Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Unesc, envolvendo a ajuda de alunos.
Ao final do trabalho, será elaborado um relatório com as características de tudo que foi observado, se foram registrados outros animais e se houve a necessidade de fazer a realocação.
“O caso do gambá durante a partida ganhou as páginas da mídia nacional. Todos ficaram se perguntando como o animal entrou no gramado e vimos a oportunidade de mostrar ao público a preocupação do clube com o respeito aos animais. Por isso estamos produzindo juntamente com a Unesc um documento que garanta ao Criciúma uma sustentação jurídica em caso de reincidência”, explica o presidente do clube, Anselmo Freitas.