Um gato-maracajá, espécie de felino que está ameaçada de extinção, foi encontrado morto na beira da rodovia Anes Gualberto, em Criciúma, no Sul do Estado, nesta quinta-feira (13).
O animal foi encaminhado pela Famcri (Fundação do Meio Ambiente de Criciúma) para o Museu de Zoologia da Unesc (Universidade do Extremo Sul Catarinense), onde será utilizado em pesquisas.
“Infelizmente essas rodovias vem trazendo muitas mortes de animais silvestres, não só dessa espécie mas de várias”, lamenta o biólogo do museu, Rodrigo Ribeiro de Freitas.
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Gato-maracajá foi encontrado morto em beira de rodovia, em Criciúma – Foto: Divulgação/ND“Ele foi encontrado próximo ao Clube Mampituba, em Criciúma, na divisa com Cocal do Sul. Estava na beira da estrada, com o crânio todo quebrado, então muito provavelmente foi vítima de atropelamento”, informa o biólogo.
O animal ficará exposto junto com outras espécies de felinos no Museu de Zoologia da Unesc.
“Também vai servir para a pesquisa do Instituto Felinos do Aguaí, aqui da nossa região, que tem parceria com algumas instituições do Uruguai, onde vão ser coletados alguns pelos, para ver o material genético, estudar a questão da população, etc”, explica Rodrigo de Freitas.
Impacto das rodovias e importância da preservação
A ocorrência levanta uma problemática importante na questão da preservação ambiental para a região, como destaca o profissional da Unesc.
“Esses animais precisam de uma área de vegetação fechada, uma floresta mais densa, que é onde ele gosta de viver. Infelizmente essas rodovias vem trazendo várias mortes de animais silvestres, não só dessa espécie mas de várias. Então por isso a importância de mantermos nossas florestas e nossos parques”, afirma.
“Quando temos fragmentos divididos por rodovias, sem passagens adequadas para esses animais poderem se deslocar, como corredores ecológicos por exemplo, eles acabam ficando muito vulneráveis em relação ao trânsito”, analisa.
Ameaça de extinção
De acordo com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), o gato-maracajá se encontra no status de vulnerável na escala de ameaça de extinção.
Isso significa que as evidências disponíveis indicam que a espécie enfrenta um risco elevado de extinção em um futuro muito próximo.
O gato-maracajá vive em partes mais “escondidas” das florestas, mas existem registros em Santa Catarina.
“Ele gosta mais de região bem arborícula, porque adora subir em árvore, então ele vive dentro das florestas mesmo. Mas infelizmente, por falta de opção, ele tem que se deslocar e muitas vezes é atropelado. O Instituto Felinos do Aguaí trabalha com esses animais e tem registros dessa espécie por essa região em imagens, principalmente na noite, porque ele tem hábito noturno”, relata o biólogo Rodrigo Ribeiro de Freitas.