Nesta segunda-feira (11), um gato-maracajá foi atropelado na Serra da Vila Itoupava (SC-180), localizada em Blumenau, no Vale do Itajaí. O animal foi recolhido e levado para o laboratório de taxidermia da Furb (Universidade Regional de Blumenau), onde será utilizado em pesquisas.
Gato-maracajá foi encontrado atropelado em Blumenau. – Foto: Divulgação/ NDO biólogo e professor da universidade, Sérgio Luiz Althoff, explicou sobre alguns hábitos do animal. Ele destacou que o Leopardus Wiedii, nome científico do gato-maracajá, é encontrado em todo o Estado e é uma das duas espécies de gatos-do-mato-pequenos pintados existentes na região.
“Ele tem ampla distribuição, a gente encontra ele praticamente no Estado todo e por isso mesmo ele não foi considerado ameaçado em Santa Catarina. Mas ele é ameaçado no Rio Grande do Sul e está com status de vulnerável na Lista Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente”. A lista mais recente foi divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente em 7 de junho.
SeguirO professor destaca que a diferença dessa espécie para o outro gato-do-mato presente na região é o tamanho, sendo o Maracajá um pouco maior, além da cauda, que é mais comprida, quase do mesmo tamanho do corpo.
“É uma cauda bem mais proeminente, bem mais cheia de pelo, não tem muito como se confundir os dois. Além disso, quando a gente vê uma pegada deles, a pegada da do gato do mato pequeno é quase uma moeda de 50 centavos e e do gato maracajá é do tamanho uma moedinha de um real”, explica.
O gato-maracajá, entre os gatos selvagens da região, é o mais arborícola, ou seja, ele usa árvores pra buscar alimento. “Ele se alimenta muito de animais que estão em árvores como roedores arbóreos, aves, mamíferos e répteis que ele acha nas árvores”.
Pesquisa
Os hábitos alimentares dessa espécie estarão presentes na pesquisa que o estudante de mestrado do programa de Pós-Graduação em Biodiversidade da Furb, Guilherme Buzzi, está fazendo. “Ele está pesquisando o conteúdo, estomacal e os parasitas desses animais e vai comparar, inclusive, com os parasitas dos nossos animais domésticos”, informa o professor.
Guilherme ressalta que nenhum tipo de procedimento de eutanásia é feito nos animais que chegam até a universidade. “Eles já chegam mortos para nós, muitas vezes trazidos pela Polícia Ambiental ou as pessoas podem ligar que nós buscamos”.
Além da taxidermia, muitas partes do animal são arquivadas, como a pele, órgãos internos, entre outros. “Eu, por exemplo, estou usando na minha pesquisa estômago e intestinos de animais que já foram guardados na coleção. Esse, provavelmente também vai entrar na minha pesquisa”, finaliza o estudante.