Santa Catarina tem história quando o assunto é superpopulação de animais. Desde cobras até quatis, o Estado já lidou com a algumas reproduções descontroladas de bichos e, em alguns casos, ainda lida.
Cobras, capivaras e escorpiões estão entre os “descontroles” catarinenses – Foto: Reprodução/NDCom o intuito de relembrar esses momentos históricos, o ND+ separou 8 grandes “surtos” da história catarinense que valem a menção.
1. Caramujo-africano
O caramujo-africano (Achatina fulica) assolou o Litoral de Santa Catarina no início dos anos 2000. O molusco foi detectado em várias cidades do Estado e considerado uma praga pelo Departamento de Saúde Pública.
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Caramujos africanos se reproduzem rapidamente e podem até transmitir doenças – Foto: Pixabay/NDO Achatina fulica foi trazido para o Brasil na década de 80 para ser cultivado como um tipo de escargot, mas seu uso comercial foi descartado e a espécie foi liberada na natureza.
Por serem animais exóticos, não possuem predadores e, por isso, o único método que vem mostrando resultados a longo prazo é a coleta e destruição.
Além disso, seu muco pode transmitir doenças, a orientação é não tocar sem alguma proteção nas mãos.
2. Saguis
Simpáticos e fofinhos, os saguis aprenderam a interagir com o homem e, mesmo parecendo inofensivos, acostumaram a frequentar casas e terrenos em busca de alimento oferecidos por humanos.
Os saguis são naturais do Nordeste e Sudeste e chegaram à região Sul por meio do tráfico ilegal – Foto: Divulgação/NDEm Florianópolis, eles se espalharam feito praga, sendo a principal causa de desequilíbrio ambiental nas matas de Norte ao Sul da Ilha. Eles oferecem risco por poderem morder pessoas e transmitir doenças como a raiva, febre-amarela, hepatite e leptospirose.
O sagui também não é nativo de Santa Catarina: trazido na boleia de caminhoneiros nos anos 1960, o animal chegou ao Estado por meio do tráfico ilegal e se reproduziu até tornar-se uma espécie exótica invasora.
3. Jacaré-de-papo-amarelo
Os Jacarés-de-papo-amarelo são animais vistos com frequência em Florianópolis. Sejam em espaços de mangue ou em canais próximos a Áreas de reservas ambientais, esses animais silvestres são uma espécie característica e símbolo da Mata Atlântica, ecossistema que domina boa parte das paisagens da Ilha.
Jacarés-de-papo-amarelo são encontrados nos manguezais de Florianópolis – Foto: Flávio Tin/NDA maior manifestação de jacarés no local ocorre, dentre outros fatores, pela falta de predadores naturais e elevação na oferta de alimento.
A Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) orienta a população a manter distância e não se aproximar dos animais, que vivem em seu habitat natural.
O uso da coleira em animais domésticos é extremamente recomendado. Mantendo a distância necessária, esses animais não oferecem risco à população.
Entre os meses de fevereiro e abril, o cuidado deve ser redobrado. Isso acontece, pois esse normalmente é o período de eclosão dos ovos dos filhotes. Durante esse período, as fêmeas podem ser mais agressivas, como um mecanismo de defesa da espécie.
A presença do réptil também motivou a instalação de uma placa com alerta para os animais na Praia de Ponta das Canas, no Norte da Ilha.
4. Javalis
Os javalis são reconhecidos como uma das espécies invasoras que mais impactam a conservação de áreas naturais e agrícolas, segundo o ICMCBi (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
Animais são agressivos e apresentam riscos a agricultura – Foto: Divulgação/Internet/NDEm Santa Catarina, o animal é muito conhecido na região serrana e Oeste do Estado. O impacto é tanto que motivou o Governo catarinense a se manifestar sobre a necessidade do controle populacional.
A espécie de javalis-europeus (Sus scrofa), em todas as suas formas, são animais exóticos invasores. Estima-se que em 2022, foram abatidos aproximadamente 50 mil javalis no Estado.
5. Capivaras
O crescimento populacional das capivaras vem alertando as autoridades ambientais. Diferente de alguns animais, a aparição delas excede a época do ano e, por serem uma espécie nativa, podem ser encontradas quase todos municípios catarinenses.
Capivaras são motivos de queixa entre os moradores – Foto: Daniel Brend/Arquivo Pessoal/NDApesar de não ser um animal agressivo, o descontrole pode acarretar diversos prejuízos. Para os agricultores, elas são vistas com temor, visto que podem acabar com uma plantação em dias.
Para o professor e biólogo do IMA de Criciuma, André Klein, elas são um “problemão em nível nacional e sem solução em vista”.
Uma série de fatores agrava a superpopulação desses animais, comenta ele:
“A conversão de áreas florestais e áreas abertas; a drástica redução no número de predadores, que seriam apenas os grandes felinos, além, é claro, da grande capacidade reprodutiva da espécie, típica dos roedores”, explica.
6. Quatis
Os quatis passaram anos fazendo travessuras e dando o que falar na zona Sul de Joinville.
Segundo a prefeitura, os quatis chegaram ao meio urbano em 2017, após perderem espaço na mata e, consequentemente, alimentos para se sustentar. A alternativa para os bichinhos foi invadir empresas e casas em busca de uns petiscos.
Moradores de Joinville reclamaram da invasão de quatis em suas casas – Foto: PMRv/Reprodução/NDApesar de queridos, eles também causaram alguns transtornos: certa vez, invadiram a cozinha de uma empresa e acabaram mordendo a perna de uma funcionária.
Os bichinhos chegaram até virar matéria na TV:
“É importante as pessoas saberem que os quatis podem hospedar vírus ou doenças que podem ser transmitidas. Além disso, a superpopulação desses animais contribui para o desequilíbrio da cadeia alimentar, já que não há predadores naturais para absorver o excedente da população de quatis”, alerta o médico veterinário Jaime de Matos Júnior.
7. Escorpião-amarelo
Em 2021, a Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) considerou 10 cidades catarinenses infestadas pelo escorpião-amarelo (Tityus Serrulatus). Além de perigoso à saúde, o escorpião tem fácil a adaptação a qualquer ambiente.
Escorpião-amarelo pode causar acidentes graves e até mortes – Foto: SESRS/DivulgaçãoConforme os registros da Dive e do Ciatox/SC, as espécies com o maior número de registros é de uma espécie invasora, mais perigosa que causa o maior número de acidentes: o Tityus Bahiensis.
As medidas de controle e manejo populacional de escorpiões baseiam-se na coleta e modificação das condições do ambiente a fim de torná-lo desfavorável à ocorrência, permanência e proliferação destes animais.
8. Jararacas
Em só 15 dias, 10 cobras jararacas foram resgatadas em áreas urbanas de Santa Catarina no ano de 2020, o que colocou a cidade de Jaraguá do Sul em estado de alerta para incidência do animal.
Em 15 dias, 10 jararacas foram resgatadas em Jaraguá do Sul – Foto: Cristiano BezerraSegundo a Fujama (Fundação Jaguarense do Meio Ambiente), a aparição desses animais se deu ao aumento nas temperaturas, deixando as serpentes mais ativas e em busca de alimentos.
Jararaca agressiva é capturada em Jaraguá do Sul – Vídeo: Cristiano Bezerra
A espécie é venenosa, e uma das maiores responsáveis por acidentes dessa natureza no Brasil. Porém, esse animal exerce um papel importante no ecossistema, e, portanto, caso encontrá-lo, o correto é entrar em contato com o Corpo de Bombeiros para a captura do animal e jamais tente capturá-lo por conta própria ou matar.