Jacarés decapitados e mancha de óleo intrigam órgãos em Florianópolis; veja o que se sabe

Animais foram encontrados na tarde de sábado (6); Polícia ambiental investiga a origem do vazamento do óleo

Bruna Stroisch* Florianópolis

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As circunstâncias da morte de dois jacarés em um córrego no bairro Santa Mônica, em Florianópolis, estão sendo investigadas. Os animais da espécie jacaré-de-papo-amarelo foram encontrados na tarde de sábado (6). Eles estavam sem a cabeça e a cauda dentro de uma poça de óleo.

Jacarés decapitados e mancha de óleo intrigam órgãos em Florianópolis – Foto: Guga Andrade/Divulgação/NDJacarés decapitados e mancha de óleo intrigam órgãos em Florianópolis – Foto: Guga Andrade/Divulgação/ND

A superintendente da Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente),  Beatriz Campos Kowalski, afirmou que, aparentemente, trata-se de duas infrações ambientais distintas: morte de animal silvestre e o despejo da substância.

Ainda não se sabe se os cortes foram provocados por ação humana ou animais predadores. Na tarde de sábado, a Guarda Municipal de Florianópolis flagrou o momento em que um jacaré carrega uma das carcaças. Diante disso, não se descarta a possibilidade de que os animais tenham sido decapitados por outros jacarés.

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Jacaré carregou carcaça no mangue – Vídeo: GMF/Divulgação/ND

Amostras do óleo foram coletadas no domingo (7) por equipes da Delegacia de Repressão a Crimes Ambientais da Polícia Civil, IGP (Instituto Geral de Perícias) e do IMA (Instituto do Meio Ambiente).

De acordo com o delegado Fábio Pereira, a polícia aguarda o resultado de análises para saber se a morte dos jacarés está relacionada ou não à poluição.

Um dos animais foi recolhido pelo IMA e encaminhado ao Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres), no Rio Vermelho, onde será submetido à perícia para confirmar a causa da morte.

Novas diligências serão feitas no local nesta segunda-feira (8) pela Polícia Civil, IGP (Instituto Geral de Perícias) e Floram.

Perito deve analisar a carcaça

A gerente de Biodiversidade e Florestas do IMA, Ana Cimardi, afirma que a carcaça, que se encontra preservada em um freezer no Cetas, deverá ser analisada por um médico veterinário especialista em laudo patológico. Isso porque o animal foi encontrado em avançado estado de decomposição.

“Somente um perito para ou identificar ou ter indícios de que os cortes foram ação humana ou predação natural. Estamos verificando qual instituição pode dispor desse veterinário. O IMA está articulando com instituições para podermos identificar o perito”, afirmou.

Cimardi destacou que ações humanas contras os jacarés não são comuns. “Ao longo dos anos a população começou a ver esses animais de forma diferente, vendo que não são perigosos, que são importantes para o equilíbrio da natureza e sempre fazem contato quando avistam um animal que precise de algum tipo de ajuda”, disse.

Origem do vazamento

A PMA (Polícia Militar Ambiental) investiga a origem da mancha de óleo e a autoria do crime. De acordo com o comandante do 1º Batalhão da PMA, coronel Marledo Egídio Costa, o óleo teria vindo pela rede pluvial da cidade, responsável por receber a água das chuvas.

Devido ao cheiro, a PMA suspeita que se trate de óleo diesel, mas ainda é necessária a análise do produto.

Devido ao cheiro, a PMA suspeita que se trate de óleo diesel mas ainda é necessária a análise do produto – Vídeo: Gabriela Milanezi/NDTV

Os policiais chegaram a suspeitar que a substância vazou dos geradores utilizados pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), uma vez que a rede pluvial passa por dentro do campus. Foi feita a vistoria das máquinas e, inicialmente, nenhum indício de vazamento foi encontrado.

Drones sobrevoaram a região para tentar identificar de onde sai a mancha, mas a fonte ainda é desconhecida. Postos de combustíveis na região da UFSC e locais que possuem geradores elétricos devem ser investigados.

Óleo interfere no ecossistema

Até a manhã desta segunda, a mancha de óleo com colocação avermelhada ainda permanecia na água. Uma reação química provoca a aparição de uma espécie de nata branca em forma de espuma.

Em entrevista a NDTV, Paulo Horta, professor de Biologia da UFSC afirmou que a substância interfere em todo o ecossistema da região. O material foi coletado e levado para análise na universidade.

No laboratório já foram separados recipientes com plantas comuns em manguezais para medir o impacto do óleo. O professor de botânica afirma que o grande problema é que a água contaminada no bairro Santa Mônica pode ir muito mais longe e causar estragos graves.

“O óleo pode proporcionar queda de folhas, perda de capacidade reprodutiva das plantas, prejudicar as algas que vivem no manguezal e a própria maricultura. Quando o óleo drena para a baía prejudica todo o contexto não só ambiental, mas econômico e social”, afirmou o professor.

Ainda de acordo com o pesquisador, a situação precisa ser resolvida o mais rápido possível e um plano de contingência já deveria ter sido colocado em ação.

“É importante vivenciarmos esse momento de maneira pedagógica. Colocar em prática planos de contingência com barreiras de contenção e filtros. Existem muitos mecanismos para diminuir os prejuízos. Acidentes acontecem, mas eles têm que ser resolvidos. É dever da sociedade reparar o erro”, tachou o professor.

A superintendente da Floram afirmou que o órgão municipal e o IMA analisam as medidas de remediação do dano, com a contenção e recolhimento do óleo.

*Com informações da repórter da NDTV Gabriela Milanezi

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