Lugar mais perigoso do mundo fica no Brasil? Biólogo explica o caso da ‘ilha das cobras’

Ilha fica a cerca de 150 quilômetros de São Paulo e possui uma população enorme de cobras

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Redação ND Joinville

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O pesadelo de muitas pessoas é, na verdade, realidade e fica no Brasil. Com uma distância de 150 quilômetros de São Paulo, a Ilha Queimada Grande possui uma grande população de serpentes e é conhecida como “ilha das cobras”. Um vídeo que circula nas redes sociais informa que o local já foi eleito o mais perigoso do mundo. O biólogo Henrique Abrahão comenta o caso e desmente alguns estereótipos.

Cobra presente na "ilha das cobras"Cobras desta espécie são encontrada apenas na Ilha Queimada Grande – Foto: Instituto Butantan/Divulgação/ND

A “ilha das cobras” tem, principalmente, a espécie de jararaca-ilhoa, uma serpente peçonhenta. Esse tipo de animal é encontrado somente nesta localidade, conforme o Instituto Butantan.

No vídeo, o narrador diz que o local já recebeu o título de mais perigoso do mundo. O biólogo, por outro lado, explica que não há uma pesquisa que identifique a incidência e número de ocorrências de acidentes com as cobras presentes na ilha.

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“Lugar mais perigoso do mundo? Dois caras em uma moto no Rio de Janeiro disseram assim: ‘hahaha’”, brinca o especialista.

“Parte da mística das pessoas. ‘Caraca tem um monte de cobra lá’ e vai chegar lá e vai ser devorado”, diz. Mas, ele destaca que estas não são as cobras mais peçonhentas existentes, nem entre as próprias jararacas.

Se você tem medo, não se preocupe. Isso porque não é tão fácil chegar ao local. “É um lugar muito difícil de alcançar e você precisa de autorização”, comenta o especialista. Ainda assim, ele já teve colegas que obteram a liberação, foram até o local, dormiram por lá e não foram picados.

No vídeo, o narrador também conta que a ilha recebeu o nome de “Queimada Grande” porque os pescadores, ao chegarem no local, usaram fogo para espantar as cobras. O biólogo confirma a versão.

Saiba mais sobre a espécie que fica na “ilha das cobras”

Segundo o Instituto Butantan, a espécie desenvolveu hábitos alimentares adaptados ao local e caça principalmente nas árvores, abocanhando as aves que migram para a ilha. Apesar de arborícolas, elas também são encontradas no chão da mata.

Por frequentar mais a vegetação, seu corpo parece ter se modificado ao longo de gerações. Ela é menor e mais leve que a jararaca continental, com uma cauda longa, adaptada para agarrar e escura na ponta, possivelmente usada para imitar larvas de inseto e atrair presas. Sua cabeça é maior e as presas menores comparadas as suas parentes.

Ainda de acordo com o Butantan, a espécie ficou isolada na Ilha da Queimada Grande há 11 mil anos, após a era glacial. Com o aumento das temperaturas, o nível das águas subiu e separou o território do continente, junto com um certo número de jararacas.

A jararaca-ilhoa é um grande alvo de biopirataria, ou seja, traficantes de animais costumam retirar exemplares da ilha e vender ilegalmente, o que põe em risco sua existência, diz o Instituto Butantan. Hoje, a espécie está criticamente ameaçada de extinção, conforme a IUCN (International Union for Conservation of Nature ) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

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