Fraco, desidratado e desnutrido. Foi assim que um jovem macaco-prego (sapajus negritus negritus) foi encontrado por um homem na linha Cabeceira Poço Rico, no interior de Iraceminha, após ser atacado por cães. O animal foi resgatado, há cerca de três semanas, pela Polícia Militar Ambiental de São Miguel do Oeste, no Extremo-Oeste de Santa Catarina.
Macaco-prego foi encontrado debilitado no interior de Iraceminha. – Foto: Jackson Preuss/Arquivo Pessoal/Divulgação/NDConforme o cabo da PMA, Daniel Panizzon, ele estava deitado no chão, acuado e sem esboçar nenhuma reação, mas não apresentava lesões aparentes. Após o resgate, o primata foi encaminhado ao Hospital Universitário da Unoesc (Universidade do Oeste de Santa Catarina).
O macaco, que recebeu o nome de Jorginho, está em recuperação sob os cuidados de uma equipe de médicos veterinários e biólogos do Núcleo de Estudos em Vida Selvagem (Nevs) da universidade.
SeguirO coordenador do NAVS e biólogo, Jackson Preuss, conta que o macaco chegou ao hospital veterinário apresentando uma alteração na face e com algumas dificuldades de movimentação do olho. “Ele passou por um raio-x e identificamos vários fragmentos de chumbo, provavelmente de arma de fogo”.
Os chumbinhos foram encontrados nos braços, tórax e cabeça de Jorginho. O biólogo analisa que a mãe do macaco-prego pode ter sido alvejada e morta durante caça ilegal e o primata foi resgatado.
Panizzon esclarece que Polícia Militar Ambiental realiza constantes operações de combate a caça ilegal na região.
Reabilitação
Jorginho está em processo de reabilitação. O objetivo, segundo Preuss, é aumentar o peso e a imunidade para que o macaco-prego fique forte para passar por procedimento de retirada dos chumbinhos.
O biólogo explica que, caso não seja retirado, o material pode ser tóxico e causar problemas neurológicos e no fígado do animal. “A recuperação segue lenta, mas estamos tentando fazer todo o possível para deixar ele forte. Depois, em cirurgia, será retirado o máximo de chumbinhos possível e o reencaminharemos à Polícia Militar Ambiental”.
Segundo Panizzon, após a recuperação o macaco-prego passará por análise veterinária e de biólogos, que atestarão sua aptidão para soltura e, assim, retornará ao seu habitat de origem.
Características do macaco-prego
De acordo com Preuss, o macaco-prego é um primata que ocorre na Mata Atlântica do Sudeste até o Sul do Brasil. É um animal com uma dieta diversificada. “Ele come desde alimentos de origem animal, pequenos invertebrados e alguns vertebrados, até frutos e folhas, dependendo da estação do ano e do local em que ele está”, pontua.
O macaco-prego vive em grupos de 8 a 35 indivíduos em fragmentos florestais, mas também é visto em ambientes urbanos principalmente se tiver alimentação. “É um animal que não está em risco de extinção, mas merece cuidado devido à caça predatória e a perda de habitat”.
Alguns fragmentos já foram retirados, mas outros precisarão de procedimento cirúrgico – Foto: Jackson Preuss/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND“É muito importante a preservação dessa espécie, visto que desenvolvem um papel fundamental na manutenção das florestas nativas. Atuam como dispersores de sementes e predadores de insetos, de modo que sua retirada do habitat poderia provocar desequilíbrio”, acrescenta Panizzon.
Saiba o que fazer ao encontrar um animal ferido
O cabo da Polícia Militar Ambiental explica o que ao se deparar com um animal silvestre machucado ou debilitado o correto é manter distância segura para não assustar o animal. Conforme ele, a aproximação pode piorar a situação. Além disso, não se deve permitir que animais domésticos se aproximem.
“O correto é entrar em contato com a Polícia Militar Ambiental no telefone 190. Contudo, se o animal estiver saudável e não oferecer riscos o certo é se afastar do local e ficar monitorando, pois provavelmente ele retornará ao seu habitat”.
Mamão é uma das frutas preferidas de Jorginho. – Vídeo: Jackson Preuss/Arquivo Pessoal/Divulgação/ND