Mamãe capivara vive com arame no corpo há 5 meses em Florianópolis: ‘não conseguimos capturar’

Animal vive nas proximidades do mangue do Itacorubi, no bairro Santa Mônica

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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Uma mãe capivara vive há pelo menos cinco meses com um arame em volta do seu corpo nas proximidades do mangue do Itacorubi, no bairro Santa Mônica, em Florianópolis. Segundo o IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina), o animal sempre foge antes de ser resgatado.

A capivara e seus seis filhotes foram avistados por um casal morador das proximidades na noite deste domingo (2). De acordo com Lorena Machado, de 27 anos, o animal parecia abatido.

Animal foi avistado próximo ao mangue do Itacorubi – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDAnimal foi avistado próximo ao mangue do Itacorubi – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

“Fiquei com muita pena. Passamos e ela parecia estar com dificuldade de locomoção por estar com um fio enrolado no corpo bem apertado. Parecia estar com a barriga machucada”, conta Machado.

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O registro da capivara foi enviado para a Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina, que foi até o local e não conseguiu resgatar o animal. Segundo o órgão, a bichana foge toda vez que alguém se aproxima. No entanto, uma armadilha do IMA para fazer o resgate, já está instalada no local.

Ana Cimardi, bióloga e Gerente de Biodiversidade e Florestas do IMA explica que a capivara é monitorada desde dezembro pelo órgão.

“Instalamos armadilhas na tentativa de captura para podermos romper o material que circunda o corpo da mamãe capivara. Mantivemos e monitoramos por bastante tempo a armadilha no local mas não obtivemos sucesso”, conta a bióloga.

Imagem mostra família de capivaras em Florianópolis – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDImagem mostra família de capivaras em Florianópolis – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

Além do IMA, a PMA (Polícia Militar Ambiental) e a GMF (Guarda Municipal de Florianópolis) já tentaram resgatar a bichana. No entanto, nada foi concluído.

Em uma das vezes, a capivara chegou a se alimentar com os petiscos deixados pelo IMA, mas não foi até o prato principal, onde ficava uma armadilha para captura-la e fazer a retirada do objeto.

Vídeo mostra capivara comendo petiscos sem chegar na armadilha – Vídeo: IMA/Divulgação/ND

Enquanto o animal não é resgatado, a mãe capivara que tem seu corpo envolto no objeto desde a gravidez de ao menos seis filhotes, segue cuidando das crias enquanto o objeto a envolve.

“O objeto chegou a ferir a capivara em especial quando ela estava no período de amamentação, pois nessa época elas engordam para produzir mais leite. Agora o processo cicatrizou perfeitamente, mesmo assim não estamos medindo esforços para livrá-la do arame”, explica Ana Cimardi.

Descarte irregular

A desconfiança das autoridades ambientais é que a mamãe capivara tenha se enroscado no objeto ao tentar comer algum alimento. Sendo assim, é possível entender que havia lixo nas proximidades do mangue do Itacorubi, no bairro Santa Mônica.

“Podemos afirmar sobre o péssimo comportamento que pessoas têm em usar um curso d’água, ou mesmo um canal artificial como se fosse um contentor de lixo”, reitera a gerente do IMA.

A bióloga conta que qualquer coisa jogada dentro do canal ou mesmo nas margens podem causar a morte de um animal muitas vezes totalmente incapaz de se defender, levando até mesmo a morte e o pior, morte com sofrimento.

A profissional afirma que a capivara não está correndo risco de morte no momento. E reitera “mesmo assim é um corpo estranho e que deve estar incomodando essa bela mamãe capivara”.

A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, responsável por fazer a limpeza do córrego onde está a capivara, informou ao portal ND+ que a limpeza de canais como o localizado em frente ao Shopping Vila Romana acontecem de geralmente de seis em seis meses, em calendário organizado de acordo com a necessidade de cada local.

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