Mistura inédita: pesquisa revela fêmea híbrida de cão e canídeo selvagem

Fêmea híbrida foi descoberta no Rio Grande do Sul e é o primeiro caso dessa ‘mistura’ a ser relatado no Brasil; animal se recusou a comer ração, mas se alimentou de ratos

Daniela Ceccon Florianópolis

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Um caso surpreendente foi relatado por um estudo científico no Rio Grande do Sul: uma fêmea híbrida entre um cachorro e um canídeo selvagem foi descoberta após um atropelamento na cidade de Vacaria, em 2021.

A criatura, de pelagem escura com poucos pelos brancos, é uma mistura dos dois animais, e se tornou a primeira espécime a ser registrada na América do Sul.

Animal é uma fêmea híbrida entre cão e canídeo selvagem - Foto: Flávia Ferrari/Reprodução/NDAnimal é uma fêmea híbrida entre cão e canídeo selvagem – Foto: Flávia Ferrari/Reprodução/ND

O atropelamento que acabou por revelar o animal, aconteceu dois anos atrás, mas o estudo completo do híbrido foi publicado somente neste mês, pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). As informações são do Portal UOL.

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Fêmea híbrida tinha sido atropelada

Tudo começou com o acionamento da Patrulha Ambiental da cidade de Vacaria, no Rio Grande do Sul, após o atropelamento de um animal. Com o atendimento, os agentes classificaram o animal como um canídeo selvagem, possivelmente da espécie “graxaim”.

O mamífero estava com uma extensa lesão na lateral do abdômen e foi encaminhado ao Hospital Veterinário da UFRGS para receber cuidados médicos.

As características do animal chamaram a atenção de pesquisadores da universidade: ele tinha pelagem escura e com poucos pelos brancos, semelhante a um cão doméstico. Por outro lado, se recusou a comer ração, e preferiu se alimentar de ratos. Começou aí a investigação sobre a espécie real da fêmea.

Estudo científico

Após uma completa recuperação do animal, os pesquisadores realizaram um estudo detalhado da fêmea e fizeram uma descoberta surpreendente: ela era, de fato, um híbrido resultante do cruzamento entre um cachorro doméstico e um canídeo silvestre.

A partir de análises de amostras de pele e sangue da fêmea coletadas depois de uma sedação, a equipe descobriu que o animal teria ascendência materna de graxaim-do-campo.

Esse tipo de cruzamento, até então inédito na América do Sul, chamou a atenção da comunidade científica, que publicou um estudo completo no periódico “Animals”, no início de agosto.

Os autores do estudo são Bruna Szynwelski, Cristina Matzenbacher, Thales de Freitas, Flávia Ferrari e Marcelo Alievi, todos ligados à UFRGS, juntamente com o professor Rafael Kretschmer, da UFPel (Universidade Federal de Pelotas).

“Embora essas espécies tenham divergido há cerca de 6,7 milhões de anos e pertençam a gêneros diferentes, parece que poucas alterações ocorreram em seus materiais genéticos, o que possibilita a hibridização”, afirma Kretschmer.

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