Você já encontrou algum animal marinho marcado nas praias de Santa Catarina? A cena pode parecer estranha e até causa curiosidade em quem se depara com ela, mas o procedimento ajuda no acompanhamento dessas espécies no litoral catarinense.
Animais mortos são marcados para facilitar o monitoramento – Foto: PMP-BS/DivulgaçãoO ND explica: em todas as praias de Santa Catarina, há equipes formadas por técnicos que fazem o resgate e a reabilitação de animais marinhos que aparecem por aqui. Esses profissionais fazem parte do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), que compreende praias desde Laguna até Saquarema, no Rio de Janeiro.
Diariamente, os técnicos de campo dessas equipes percorrem as praias e registram os animais marinhos vivos e mortos que estão nesses locais. Quando eles estão vivos e precisam de atendimento veterinário, são resgatados e vão para uma unidade de reabilitação até estarem prontos para retornar ao seu habitat natural.
SeguirJá quando estão mortos, é preciso identificar o nível de decomposição do animal. E é aí que entra a marcação de alguns deles.
Profissionais marcam os animais para que eles não sejam contados novamente no levantamento – Foto: PMP-BS/DivulgaçãoConforme a equipe da Univille, que é responsável pelo trecho 5 do projeto de monitoramento, existem cinco códigos de decomposição. Nos códigos 2 e 3, estão aqueles animais recém-mortos, cuja necropsia ainda pode ser realizada. Nesse caso, eles são colocados em uma caixa com gelo e encaminhados para análise.
Já nos códigos 4 e 5 estão os animais encontrados já em processo de decomposição, o que impossibilita a coleta de amostras e uma análise conclusiva da morte. Quando isso acontece, eles são deixados ali mesmo na praia.
Nesse caso, para não haver recontagem pelo projeto de monitoramento, os animais já verificados são marcados com um spray roxo atóxico. Assim, as equipes sabem que eles já foram listados. Quando as praias são urbanizadas, os animais são enterrados. Já quando ficam em locais próximos à restinga, em locais com pouco movimento, são deixados no mesmo lugar.
Segundo a equipe, o procedimento é fundamental para manutenção do ciclo natural do ecossistema das praias, já que a carcaça em decomposição acaba servindo de alimento para animais necrófagos, como urubus, carcarás e gaivotas.