O caso do bebê recém-nascido que morreu após ser atacado pelo cachorro da família em Biguaçu, na Grande Florianópolis, acendeu um alerta para a segurança de crianças que convivem com animais de estimação. O animal, que na realidade é uma fêmea, foi encaminhado pela Prefeitura para um centro de adestramento da cidade. O objetivo da Famabi (Fundação Municipal do Meio Ambiente) é garantir a integridade física do animal.
Bebê morreu após ser atacado pelo cachorro da família, em Biguaçu – Foto: Divulgação/CBMSC“Violência gera violência. Então, a gente não pode descontar no animal, que é um ser irracional e que não tem qualquer culpa pelo acontecido. Ele tem as questões comportamentais dele e, na verdade, isso foi uma fatalidade que a gente não pode atribuir com violência. Então, a fundação procurou garantir o bem-estar do animal e também levar um pouquinho de conforto para a família que não estava conseguindo conviver com a presença dele”, disse o procurador adjunto da Famabi, Thiago Martins Coelho.
Atualmente, a cadela Raiska está em período de adaptação e nos próximos dias vai começar o trabalho de adestramento. O processo é longo e pode durar mais de meses, mas funciona. A intenção é garantir que ela possa voltar ao convívio social. Ela tem demonstrado carinho e obediência já nos primeiros dias. Sinal de que o adestramento e o cuidado com o seu pet, vão dizer como ele vai se comportar e interagir com a família.
Convívio com cães adestrados
Os irmãos Pedro e Clara convivem com o cachorro de estimação da família desde que nasceram. O Rank, que é da raça Pitbull, é adestrado e adora estar com as crianças. A cena até chama a atenção de muita gente, mas esse contato desde cedo é fundamental. Para isso, tem centros de treinamento que fazem esse trabalho de educação e socialização com os pets.
Pedro e Clara convivem com o cachorro de estimação da família desde que nasceram – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVSegundo o adestrador Anderson Ross, “a primeira coisa que a gente busca é a confiança do cão. Eu não posso chegar lá, como muita gente faz, e chutar o cão. Óbvio que ele vai me agredir. Então, não é assim que funciona. A gente primeiro conquista a confiança do cão. Aí, depois que eu conquistar essa confiança, eu começo a mostrar ele para a sociedade: ‘tá vendo aquela pessoa, é algo bom’. Aonde a gente começa a trabalhar esse tipo de agressividade”.
A família precisa estar sempre atenta aos comportamentos do cachorro. Ao adotar um cão, por exemplo, a primeira dica é conferir o estado de saúde do animal em um veterinário.
“Ele vai fazer um clínico geral, um quadro geral desse cachorro. Se o cachorro não apresenta nada, ele vem para o centro de treinamento, a gente vai fazer alguns testes com esse cão, [para saber] porque ele tá gerando essa agressividade ”, explicou Ross.
O treinamento adequado traz a segurança de um convívio social. Os bichinhos precisam confiar no seu dono e conhecer todos da família que moram no mesmo espaço. Quando o animal é de rua e foi adotado, o cuidado precisa ser ainda maior. Muita vezes é um cachorro com histórico de violência que precisa de atenção de um profissional.
De acordo com o adestrador, “quando é um cão de família, é muito mais fácil de trabalhar do que quando a gente pega às vezes um cão abandonado, que já passou por maus tratos, não confia. Ele não confia no ser humano, não é que ele seja agressivo, mas quanta coisa aquele cachorro já passou na vida dele”.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.