Por onde anda o pinguim encontrado ‘perdido’ em praia de SC?

Em fevereiro, banhistas registraram a ave no Morro dos Conventos, em Araranguá; na época, estava debilitada e em processo de troca de penas

Foto de Redação ND

Redação ND Criciúma

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Há cerca de um mês, um pinguim juvenil foi encontrado por banhistas no Morro dos Conventos, em Araranguá. A situação chamou a atenção, principalmente porque as aves marinhas não costumam visitar Santa Catarina nesta época do ano, apenas entre junho e agosto. A suspeita dos veterinários é o que animal tenha encalhado na praia.

Como ele foi encontrado e como está no momento – Foto: Internet/Reprodução NDComo ele foi encontrado e como está no momento – Foto: Internet/Reprodução ND

Na época, ele foi identificado como da espécie pinguim-de-Magalhães e conduzido para a Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), onde recebeu atendimento especializado. Na última quarta-feira (3), ele acabou sendo transferido para reabilitação em Florianópolis.

O pinguim, no momento, está “hospedado” na Associação R3 Animal, onde será realizado exames de sangue, tratamento para ganho de peso e, posteriormente, exercícios de nado e condicionamento físico.

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    Atualmente, o pinguim se recupera na Associação R3 Animal, em Florianópolis - Nilson Coelho/Divulgação ND
    Atualmente, o pinguim se recupera na Associação R3 Animal, em Florianópolis - Nilson Coelho/Divulgação ND
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    Em breve, poderá ser reinserido na natureza - Nilson Coelho/Divulgação ND
    Em breve, poderá ser reinserido na natureza - Nilson Coelho/Divulgação ND

Conforme a veterinária Marzia Antonelli, a ave, quando foi encontrada,  estava em muda – processo anual fisiológico em que ocorre a substituição das penas antigas pelas novas.

“Durante esse período, a ave perde a impermeabilização e precisa sair da água até que termine por completo a troca das penas. Este pinguim estava passando pela primeira muda de sua vida, quando substitui a plumagem de juvenil, mais acinzentada, pela plumagem de adulto, caracterizada por coloração mais escura com anéis brancos ao redor dos olhos e ventre”, explica.

O processo de muda das penas ocorre entre fevereiro e abril e, geralmente, nessa época as aves já retornam às colônias após a migração anual. “Apesar de, provavelmente, este pinguim ter encalhado apenas devido à perda de impermeabilização pela muda de penas, ele está magro e passará por uma série de exames para avaliação do estado clínico geral”, avalia Marzia.

“Assim que aumentar o peso e os resultados dos exames de sangue confirmarem que a ave está saudável, iniciaremos a transição para recinto externo, com acesso à piscina para nado e condicionamento físico, etapas importantes da reabilitação”, complementa a veterinária.

Migração anual

Segundo a associação, os pinguins que chegam à costa de Santa Catarina costumam sair de suas colônias, principalmente na Patagônia (Argentina), a partir de meados do outono. Eles também têm o hábito de se deslocar todos os anos rumo ao Norte seguindo os cardumes de peixes e as correntes de água fria.

Ainda conforme a R3 animal, nesse processo, é comum que alguns pinguins mais juvenis, de primeira viagem, se percam do bando, tenham dificuldade em buscar o alimento e acabem encalhados debilitados nas praias.

Muitos ainda acabam interagindo de alguma forma com as ações humanas ou antrópicas, como é o caso das interações com petrechos de pesca. Os pinguins acabam sendo capturados de forma não intencional (bycatch) ou ainda podem ser afetados pelo lixo presente no mar.

Como ajudar?

Encontrou uma ave, mamífero ou tartaruga marinha nas praias? Ligue para o telefone 0800 642 3341, das 7h às 17h.

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