Dois cachorros foram atacados por um porco-espinho em Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba, no Paraná. O caso inusitado foi registrado por uma câmera de vídeo monitoramento na noite desta terça-feira (23). As informações são da Banda B.
Os cachorros cercaram o porco-espinho que acabou atacando. – Foto: Reprodução/InternetNa imagem é possível ver os cachorros correndo em volta do porco-espinho que acaba atacando. Os animais, que pertencem ao segurança Adilson Jurevitz, apresentaram machucados na cabeça ocasionadas pelo ataque.
O segurança disse à Banda B, que não sabia de onde vinha o roedor. Nas imagens também é possível ver Jurevitz e os bombeiros retirando o animal de cima da árvore.
SeguirO homem mora em uma região próxima a um parque, o que pode explicar a presença do porco-espinho na árvore do pátio da casa. “Foi um susto. Não sei de onde ele veio. Ainda bem que não machucou muito os cachorros”, disse.
O biólogo Jackson Preuss explica que o porco-espinho é conhecido como ouriço, na América do Sul. São roedores com dentes grandes na frente que continuam crescendo ao longo da vida e serve para facilitar sua alimentação. São arborícolas, ou seja, vivem em árvores e se alimentam de brotos e folhas, desta forma são herbívoros.
“As pessoas acreditam que eles têm espinhos na pele, mas na verdade são pelos modificados que, na ponta, tem como se fosse uma flecha que se entrar na pele de algum predador tem maior dificuldade de sair”.
Preuss esclarece que quando eles se sentem ameaçados por predadores, como ocorreu no caso com os cães, eles acabam ouriçando os pelos que são bem duros e parecem formados por queratina, o que se torna uma capsula de defesa.
Instinto de defesa
O biólogo acrescenta que se algum animal tentar mordê-lo, ele acaba soltando esses pelos. “Ele não tem a capacidade de arremessar os ‘espinhos’, apenas se tiver contato ele solta da pele e penetra na pele do predador”.
De acordo com Preuss, esses espinhos precisam ser tirados com cuidado, uma vez que se for quebrado dentro da pele do predador pode causar inflamação local. O biólogo observa que esses animais são calmos, tranquilos e que dificilmente atacam sem ser atacados antes.
“Normalmente nos predadores esses pelos acabam penetrando em locais complicados, no rosto, na cabeça, e até mesmo na boca ou nos olhos que podem causar ferimentos mais graves”, acrescenta.
Os espinhos cobrem todo o corpo com exceção da cauda que é utilizada para se prender nas árvores. “É como se fosse um quinto membro que ajuda ele a se segurar. É um herbívoro fundamental dentro do ecossistema”, afirma.
Habitat natural
Preuss destaca que eles vivem, em geral, em florestas e estão em todo o Brasil. Acabam aparecendo nos quintais das casas ou nas ruas o que acaba gerando encontros indesejados com animais domésticos que tentam mordê-los e, consequentemente, são atingidos.
O ideal, conforme o biólogo, é mantê-los em seu ambiente natural e não ter contato com eles. A presença desses animais nas cidades tem se dado principalmente pela diminuição da cobertura vegetal dos fragmentos florestais e também em épocas reprodutivas no verão principalmente eles se deslocam em busca de parceiras reprodutivas.