‘Raposa que late’: ‘1ª filha’ de raposa e cachorro é encontrada por pesquisadores no Brasil

Indivíduo é o primeiro híbrido de raposa e cachorro registrado no mundo; espécie foi resgatada por pesquisadores da UFRGS

Foto de Portal R7

Portal R7 Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Pesquisadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) identificaram um híbrido entre um cachorro doméstico e uma raposa do pampa.

A espécie foi resgatada após um atropelamento registrado na cidade de Vacaria, em 2021. Ninguém imaginava que seria uma “fusão” entre as espécies. As informações são do portal Mega Curioso.

Espécie foi encontrada na cidade de Vacaria – Foto: Flávia Ferrari/Reprodução/Portal Mega Curioso/Portal R7/Divulgação/NDEspécie foi encontrada na cidade de Vacaria – Foto: Flávia Ferrari/Reprodução/Portal Mega Curioso/Portal R7/Divulgação/ND

O artigo que relata o caso destaca que a espécie era tida como uma raposa do pampa, muito comum no estado gaúcho. No entanto, o Centro de Conservação e Recuperação de Vida Selvagem detectou que as características fenotípicas do animal não eram compatíveis com nenhuma das espécies de caninos silvestres conhecidas no estado.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Vários detalhes levantaram suspeita: a pele escura, que se distinguia das tonalidades brancas ou avermelhadas das raposas da região, o formato das orelhas e tamanho. O animal também apresentou comportamento estranho, recusando ração, mas latindo como cachorro.

Testes genéticos e cito-genéticos, a partir da biópsia da pele do animal, ajudaram a entender a origem dele: o animal é híbrido entre cachorro doméstico (Canis lupus familiaris) e a raposa do pampa, também conhecida como graxaim (Lycalopex gymnocercus). A fêmea híbrida possui 39 cromossomos de cachorro e 37 da raposa.

Animais híbridos que “surgem” de espécie do mesmo gênero (como o vira-lata) são comuns. No entanto, quando o assunto é espécies diferentes, não é tão fácil: a diferenciação gera barreiras reprodutivas que são dificilmente ultrapassadas.

“Este foi o primeiro caso de híbridos entre caninos registrado na América do Sul. Na América do Norte e na Europa, casos envolvendo espécies de lobo e cães domésticos já haviam sido registrados”, destaca a reportagem do Mega Curioso.

Pressão urbana pode ter colaborado para acasalamento entre raposa e cachorro

Os pesquisadores apontam que o efeito dos seres humanos sobre o habitat das espécies selvagens, provocando a diminuição das matas, pode ter contribuído para a fusão. “Os caninos precisam se aventurar cada vez mais perto de aglomerados urbanos, onde a população de cães domésticos é grande”, destaca.

O estudo cita que mais pesquisas são necessárias para comprovar se o indivíduo híbrido é capaz de se reproduzir. A família Canidae é originária da América do Norte e se espalhou em várias espécies ao longo de 40 milhões de anos. Atualmente são 12 gêneros e 36 espécies de animais.

Estima-se que os gêneros Lycalopex gymnocercus e Canis lupus familiaris tenham se distinguido há pelo menos 6 milhões de anos. Além disso, a ocorrência de um híbrido pode ser perigosa, pois torna os indivíduos silvestres suscetíveis a uma série de doenças para as quais os cães domésticos já criaram defesas.

Tópicos relacionados