Rato anfíbio e mais: pesquisadores descobrem 27 novas espécies na Amazônia

A equipe da Conservation International registrou mais de 2.000 espécies de plantas e animais durante uma expedição na Amazônia peruana

Foto de Lucas Rodrigues

Lucas Rodrigues Blumenau

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Um grupo de pesquisadores da Conservation International realizou uma expedição de 38 dias na Amazônia peruana. A missão era encontrar o maior número possível de espécies.

Um rato anfíbio extremamente raro foi uma das 27 espécies de plantas e animais totalmente novas encontradas na expedição.

Foto de uma espécie semiaquática de Rato Anfíbio encontrado no PeruO rato anfíbio recém-descoberto pertence a um grupo de roedores semiaquáticos que estão entre os mais raros do mundo – Foto: Divulgação/ Conservation International/ND

Rato anfíbio encontrado no Peru

A espécie semiaquática vive em um ecossistema conhecido como aguajales, que são áreas pantanosas dominadas por palmeiras aguaje, sendo localizado em uma zona de recuperação do ecossistema.

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Segundo a equipe de pesquisadores, essa espécie de rato anfíbio vive apenas na Floresta de Proteção Alto Mayo, localizada no Peru.

O biólogo da Conservation International  Trond Larsen, comentou que  pertence a um grupo de roedores semiaquáticos para os quais a maioria das espécies conhecidas são extremamente raras.

 “Documentar até mesmo um indivíduo é uma grande conquista.”, comentou Larsen

Novas espécies de plantas e animais foram descobertas

Ao longo dos 38 dias de expedição, os pesquisadores exploraram pântanos, lagoas e rios da região, escalaram montanhas e cruzaram campos agrícolas para encontrar as espécies.

Além do rato anfíbio, a equipe de 20 pessoas, incluindo guias indígenas e cientistas da Global Earth, coletou amostras e instalou armadilhas fotográficas para monitorar os movimentos e sinais dos animais.

Mesmo sendo conhecido por abrigar uma biodiversidade extraordinária, o Alto Mayo Ainda surpreendeu os pesquisadores do projeto.

A equipe registrou mais de 2 mil espécies de plantas e animais, incluindo 27 novas para a ciência e 49 que estão ameaçadas de extinção. Sendo quatro das novas descobertas foram espécies de mamíferos.

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    Um sapo-arlequim (Atelopus seminiferus) foi descoberto pelos pesquisadores - Divulgação/ Conservation International/ND
    Um sapo-arlequim (Atelopus seminiferus) foi descoberto pelos pesquisadores - Divulgação/ Conservation International/ND
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    A expedição também documentou 536 espécies de pássaros, 26 das quais estão ameaçadas de extinção - Divulgação/ Conservation International/ND
    A expedição também documentou 536 espécies de pássaros, 26 das quais estão ameaçadas de extinção - Divulgação/ Conservation International/ND

Uma visão para o futuro

A Conservation International, juntamente com o povo Awajún e comunidades locais, tem trabalhado para conservar o ambiente e combater o desmatamento.

A expedição realizada em 2022 nasceu desses esforços, sendo o início de uma estratégia para conectar os trechos restantes de alta biodiversidade dentro do Alto Mayo e criar um corredor de conservação protegido, essencial para a sobrevivência a longo prazo da vida selvagem.

“Para proteger a natureza de forma eficaz, primeiro você precisa saber o que há lá. Ao entender onde a vida selvagem vive, podemos tomar melhores decisões de gestão de terras e mirar áreas que são mais adequadas para conservação e atividades sustentáveis, como ecoturismo, extração seletiva de madeira e agricultura sustentável”, comentou Diego Dourojeanni, líder do trabalho da Conservation International com os povos indígenas do Alto May.

Comparado com a década passada, Dourojeanni disse que existem sinais de progresso, com as comunidades alugando menos suas terras, e com um maior compreensão da importância para proteger suas florestas.

Uma área dentro do Alto Mayo que foi explorada para agricultura. O desmatamento continua sendo uma ameaça persistente na região.Cerca de 280.000 pessoas residem na paisagem de Alto Mayo, incluindo o povo indígena Awajún. No final dos anos 1990 e início dos anos 2000, muitos em sua comunidade tiveram que alugar suas terras para fazendeiros migrantes para sobreviver – Foto: Divulgação/ Conservation International/ND

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