As capivaras já são animais conhecidos na Grande Florianópolis, seja como atrações ou pragas. Recentemente, uma denúncia registrou mais de 20 roedores no terreno de uma casa em Santo Amaro da Imperatriz.
Mais de 20 capivaras são vistas em campo atrás de casa em Santo Amaro da Imperatriz – Foto: Nery Artur/Arquivo Pessoal/NDO registro foi feito por Nery Artur Eller, natural do município, em julho deste ano, quando o assunto da febre maculosa estava em alta.
Acontece que, como comentado pelo morador, a capivara é o principal hospedeiro do carrapato-estrela, que pode transmitir as bactérias Rickettsia rickettsii e Rickettsia parkeri, que são causadoras da doença.
SeguirEller também se queixa, pois esses animais costumam comer as plantações e destruir a produção dos agricultores, além de competir com o gado se alimentando de capim.
Outra queixa é em relação às lavouras e plantações — Foto: Nery Artur/Arquivo Pessoal/ND“Está havendo uma grande proliferação das capivaras e, com isso, alguns problemas são gerados: riscos para a saúde da população; problemas/prejuízos para agricultores; competição no uso de pastagens; dentre outros”, diz.
Motoristas fazem fila para tirar fotos de capivaras
Segundo Daniel Brend, da Associação de Moradores, a situação é realmente complicada. “Tem uma quantidade muito grande. Moro no primeiro bairro, chegando em Santo Amaro. Elas estão sempre ali na margem”.
Capivaras são motivos de queixa entre os moradores – Foto: Daniel Brend/Arquivo Pessoal/NDEle conta que no final de semana, quando já tem um fluxo maior de pessoas voltando da Serra, as pessoas chegam a reduzir a velocidade do carro para tirar fotos dos animais na margem do rio. Isso faz com que o trânsito aumente mais ainda.
Motoristas formam fila para tirar foto dos roedores – Vídeo: Daniel Brend/Arquivo Pessoal/ND
Além disso, ele ainda complementa sobre os impactos na agricultura e na saúde. “Onde tem alguma lavoura produzindo elas entram e destroem. Fora que viviam no lixo. Isso traz pulga, traz doença. Para um bairro com um ponto de anjo próximo, é complicado”, afirma.
O que diz a Prefeitura de Santo Amaro da Imperatriz?
O ND+ entrou em contato com a Prefeitura de Santo Amaro da Imperatriz, que se mostrou disposta a verificar o caso. “Encaminhamos um ofício para o IMA, solicitando apoio para fazermos um estudo”, diz.
“Entre 2021/2022 recebemos algumas reclamações de capivaras na Beira Rio, muito em função de tutores que passeavam com seus pets, mas a maioria das denúncias vem de zonas rurais, principalmente dos agricultores preocupados com as lavouras e plantações”, esclarece a prefeitura.
Número de roedores em Santo Amaro tem aumentado – Foto: Pexels/Divulgação/ND“Questionamos sobre a ocorrência de surtos e reclamações de munícipes, relataram não ter conhecimento. A presença de capivaras no município é algo bem comum, situação relacionada com a presença do Rio Cubatão, principal habitat da espécie”, explica.
Em relação à doença, a administração municipal esclarece: “Entramos em contato com o setor de Vigilância Epidemiológica a respeito da incidência de febre maculosa no município e não foi identificado nenhum caso positivo até o momento”.
“É importante ressaltar que as capivaras são animais silvestres, nativos e que vivem há muito tempo no curso dos rios, mesmo aquelas que agora se encontram em condição urbana. Elas são, portanto, animais protegidos pela Constituição Federal (artigo 225) e pela Lei Federal 9605/1998 (Lei de Crimes Ambientais)”, finaliza.
Capivaras podem virar “pragas”?
As capivaras são avistadas com mais frequência nos últimos meses e em lugares cada vez mais inusitados da Grande Florianópolis.
Capivaras aproveitam o dia na Grande Florianópolis – Foto: Internet/Reprodução/NDA tenente da PMA (Polícia Militar Ambiental), Renata Bousfield, conta que a aparição das capivaras excede a época do ano. Porém, o período do verão é o mais propício para a reprodução.
Renata ainda orienta os moradores que avistarem esse tipo de roedor: “É a situação de qualquer animal no Estado. Se for um simples recolhimento é com o IMA, e se houver um crime ambiental, caça ou maus tratos, deve-se chamar a Polícia Militar”.
O professor e biólogo do IMA (Instituto do Meio Ambiente) de Criciúma, André Klein, afirma que a reprodução das capivaras é um “problemão em nível nacional e sem solução em vista”.
Família de capivaras apareceu de surpresa em empresa de Joinville – Foto: Internet/ReproduçãoKlein diz que esses roedores gostam de ficar em margens abertas de rios e o desequilíbrio populacional decorre, muitas vezes, das conversões de áreas florestais em áreas abertas.
“Pela conversão dessas áreas próprias para ocupação pela espécie, pela drástica redução no número de predadores, que seriam apenas os grandes felinos, além de, é claro, da grande capacidade reprodutiva da espécie”, explica.
Segundo ele, uma eventual realocação poderia, inclusive, transferir o problema para outro local.
“Por se tratar de um problema sistêmico, as soluções também são sistêmicas: maior preservação e recuperação das matas ciliares e, talvez por meio de políticas públicas, o manejo de habitats”, finaliza.