A equipe técnica do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS/Univille) realizou, na segunda-feira (21), a necropsia da baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae), que encalhou morta, na Praia de Salinas, em Balneário Barra do Sul, no último domingo (20).
Os técnicos realizaram coleta de fragmentos do intestino para análise de conteúdo. – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação NDA jubarte foi encontrada morta na linha de espraiamento próximo a um cabo de petrecho de pesca. Apresentava algumas escoriações, mas nada que evidenciou emalhe (presa em redes), afirmaram os técnicos.
Além de perda de pele, havia ausência de barbatana (cerdas bucais filtradoras), língua inchada e forte odor característico do avançado estágio de decomposição.
SeguirSegundo a médica veterinária responsável pela necropsia, Giulia Lemos, “o filhote era uma fêmea e media 6,5 metros de comprimento total. Os órgãos internos já estavam liquefeitos e devido a decomposição avançada não foi possível determinar a causa da morte. Os técnicos, então, realizaram coleta de fragmentos do intestino para análise de conteúdo.
Uma das nadadeiras peitorais da baleia-jubarte foi desarticulada com auxílio das máquinas e trazida para a base, em São Francisco do Sul, onde integrará a coleção osteológica do Acervo Biológico Iperoba da Univille.
A carcaça foi enterrada na praia onde ocorreu o encalhe, conforme orientações do Protocolo de Conduta para Encalhe de Mamíferos Aquáticos da Remane (Rede de Encalhe de Mamíferos Aquáticos do Nordeste).
Carcaça foi enterrada na praia onde ocorreu o encalhe. – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação NDTemporada migratória 2021
Este é o segundo encalhe de baleia-jubarte nesta temporada, na região Norte de Santa Catarina. De acordo com o médico veterinário do Projeto Baleia Jubarte, Milton Marcondes, “com o aumento da população de jubartes, que estão se recuperando do período de caça, está ocorrendo um aumento no número de encalhes.”
São mais baleias que morrem de causas naturais ou vítimas de atividades humanas. “Mas este ano estamos com um número muito alto de encalhes para este período, já são 37 baleias-jubarte mortas”, alertou o especialista.
Milton ainda complementa que o mês de junho não acabou e já houve recorde de encalhes para o primeiro semestre, que era de 22 ocorrências em 2016.
“Podemos estar diante de uma temporada atípica onde o número de encalhes pode superar a média de crescimento que temos observado”, finaliza.