VÍDEO: Correnteza arrasta sucuri enrolada em capivara e tenta afogar

Biólogo Henrique Abrahão Charles explica detalhes do flagrante feito em um rio

Foto de Redação ND

Redação ND Chapecó

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Uma sucuri gigante foi filmada sendo arrastada pela correnteza de um córrego enrolada em uma capivara. A imagem foi compartilhada no YouTube pelo biólogo Henrique Abrahão Charles, especialista em serpentes. Não há informações sobre onde ocorreu o registro bastante curioso.

Vídeo mostra sucuri arrastando capivara – Foto: Reprodução/NDVídeo mostra sucuri arrastando capivara – Foto: Reprodução/ND

O biólogo se diz chocado com a imagem. “Essa filmagem é um flagrante impressionante, eu fiquei muito impressionado com isso”, diz. No vídeo, Abrahão comenta sobre a cena, explicando sobre o comportamento da cobra sucuri durante o processo de predação.

“A sucuri tem um modelo de predação muito interessante. Ela vê a presa de longe, ela vai por baixo da água até um ponto que ela consiga dar o bote”, comenta. Ele lembra que a serpente usa a ponta da calda como uma ancora para o ataque.

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A filmagem mostra que a sucuri mantém a cabeça fora da água enquanto sufoca a capivara no fundo do rio. Henrique Abrahão explica que essa atitude é uma das características do animal.

“Toda vez que uma sucuri ataca, ela se enrola em uma posição de modo que a preza sempre fique com a cabeça para baixo. Mesmo que a preza esteja em um local com pouca água, ainda assim ela se afoga”, completa.

O especialista comenta que neste caso, a cobra não deve ter se enrolado em um ponto fixo para se manter parada após o ataque, por isso, acabou sendo arrastada pela correnteza.  “Ou se enrolou em algum galho ou pedra que se soltaram. Pode ser que aquela ancora que ela achou não era adequada e como o rio estava com correnteza, a água levou”, finalizou.

A sucuri é uma cobra da família Boidae, pertencente ao gênero Eunectes e sua distribuição geográfica é restrita à América do Sul. Até o momento são conhecidas quatro espécies de sucuri ─ Eunectes notaeus, Eunectes murinus, Eunectes deschauenseei e Eunectes beniensis ─ sendo as três primeiras com ocorrência no Brasil e a última ocorrente na Bolívia.

A Eunectes murinus é a maior cobra do continente americano, chegando a medir até 11 metros e 60 centímetros, e a segunda maior ao nível mundial, perdendo em tamanho apenas para a cobra píton (Python reticulatus) do sudeste Asiático.

A cor das diferentes espécies de sucuri varia conforme a espécie. É mais frequente o seu avistamento em ambientes da Amazônia e do Cerrado onde o padrão de coloração da sua pele ajuda na camuflagem.

Estas cobras vivem perto de córregos, rios e lagos. Apesar de não serem ágeis em ambiente terrestre, elas são muito rápidas dentro d’água podendo ficar até 30 minutos sem respirar. Possuem hábitos crepusculares e noturnos.

A estratégia utilizada para caçar é a da espreita seguida do bote. As sucuris não são venenosas, pois não possuem dentes inoculadores de veneno, mas sua mordida é forte o bastante para atordoar sua presa que rapidamente é envolvida pela musculatura forte e robusta da serpente.

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