VÍDEOS: Cão que matou bebê em SC passará por testes de agressividade; veja como vai ser

Animal foi encaminhado ao adestramento nesta segunda-feira (30); resultados dos testes vão indicar se cão poderá retornar ao convívio social

Bruna Stroisch Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

O cão que matou um bebê de 20 dias em Biguaçu, na Grande Florianópolis, chegou na manhã desta segunda-feira (30) ao centro de treinamento que será responsável pelo adestramento do animal.

A cadela sem raça definida passará por testes que avaliarão o nível de agressividade, conforme explica Anderson Ross, adestrador e proprietário da empresa.

Cão que matou bebê em Biguaçu passará por testes de agressividade – Foto: Divulgação/NDCão que matou bebê em Biguaçu passará por testes de agressividade – Foto: Divulgação/ND

O contato com o centro de treinamento foi feito pela Famabi (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Biguaçu) que se reuniu com a família do bebê na semana passada.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Os pais da criança buscaram auxílio após terem dificuldade em doar os dois animais de estimação: o cão que atacou o bebê e outro animal, também sem raça definida. Ambos foram encaminhados ao centro de treinamento, onde ficarão hospedados e serão adestrados.

De acordo com o procurador adjunto da Famabi, Thiago Martins Coelho, os custos do centro de treinamento, tanto pelo adestramento quanto pela estada, serão arcados pela Fundação, que levantará os valores por meio de termo de compensação ambiental firmado junto aos autuados pela fiscalização no município de Biguaçu.

Veja os vídeos da chegada do cão ao centro de treinamento:

Cadela Raysk passará por adestramento – Vídeo: Divulgação/ND

Cadela Raysk avançou e matou bebê de 20 dias – Vídeo: Divulgação/ND

O adestrador Anderson Ross diz que, a partir dos trabalhos, será elaborado um diagnóstico do comportamento dos animais, analisando a agressividade e as possíveis causas que levaram um deles ao ataque.

Posteriormente, dependendo dos resultados, os cães poderão retornar ao convívio social.

Período de adaptação

Em entrevista ao ND+, Ross conta que as duas cadelas que pertenciam à família chegaram ao centro de treinamento por volta das 9h30.

O animal que avançou no bebê tem a cor preta, porte médio, de dois a três anos, e se chama Raysk. A outra cadela tem a cor branca, é idosa e se chama Mel. Raysk é filha de Mel.

O profissional, que atua no ramo há cerca de 10 anos, diz que Raysk não demonstrou agressividade quando foi coletada. Ao chegar ao centro de treinamento, o adestrador conta que soltou a cadela para analisar como ela reagiria aos tratadores.

“Fiz um teste e soltei um pouco ela pelo centro. Foi tranquila. Deixou passar a mão nela. Por ora, ela não demonstrou nenhum tipo de agressividade”, diz o tratador.

Antes de efetivamente iniciar os trabalhos de adestramento, os cães passarão por um período de adaptação, que dura dois dias. A ideia é que os animais entendam a mudança de local.

“Vamos checar se elas estão se alimentando e bebendo água normalmente. Como estão as fezes. Quando elas estiverem adaptadas ao novo ambiente, vamos começar os trabalhos de adestramento”, explica.

Como é feito o adestramento

Anderson Ross diz que o primeiro teste envolve o convívio com outros cães. Assim, os tratadores vão analisar se as duas cadelas demonstram algum tipo de agressividade para com outros animais.

Caso o resultado seja negativo, um segundo teste é feito com humanos. “Vamos causar alguns ‘transtornos’ como gritos, barulhos e ações que possam despertar algum comportamento agressivo”.

Se nada for observado, o centro de treinamento parte para um terceiro teste. Desta vez, com uma criança.

“Com cautela e sempre protegendo a criança, vamos aproximá-la do cachorro para ver se o animal esboça algum tipo de reação agressiva. Com esses testes, vou poder saber que tipo de cão eu tenho em mãos”, explica Ross.

Se, ao fim dos trabalhos, os profissionais constatarem que os cães são sociáveis e dóceis poderão ser encaminhados à adoção, inclusive, Raysk, que avançou no bebê. Caso contrário, Ross diz que a cadela poderá permanecer no centro de treinamento. “Temos outros cães agressivos e sabemos como lidar com eles”.

Veja as duas cadelas:

  • 1 de 2
    Cadela Raysk - Divulgação/ND
    Cadela Raysk - Divulgação/ND
  • 2 de 2
    Cadela Mel - Divulgação/ND
    Cadela Mel - Divulgação/ND

Período de adestramento

O empresário diz que, um trabalho de obediência básica, que envolve o adestramento de cães agressivos e que representam perigo às pessoas, dura cerca de quatro meses.

Já o adestramento de cães considerados não agressivos leva cerca de um mês. Ross avalia que, conforme o que foi observado até o momento, esse pode ser o tempo de trabalho com a cadela que matou o bebê.

As primeiras impressões foram de um cão não agressivo. No entanto, a resposta definitiva virá somente após todo o processo de adestramento.

Por ora, Ross acredita que ciúmes dos donos possa ter motivado Raysk a atacar o bebê. Porém, ele reforça que ainda é precoce para afirmações sobre as causas da tragédia.

Relembre o caso

O caso que chocou a região da Grande Florianópolis aconteceu no dia 14 de agosto, em Biguaçu. De acordo com o delegado responsável pela abertura do inquérito policial, Rodrigo Dantas, as duas cadelas brigaram enquanto os donos entregavam a comida.

Em seguida, o casal proprietário tentou separar a briga, mas um dos animais entrou na residência e avançou na criança de apenas 23 dias, que estava no sofá. O bebê foi levado ao hospital em estado gravíssimo. No entanto, a morte foi confirmada ainda na tarde do dia do ataque.

A equipe de investigação esteve no local onde o bebê morreu para apurar se os cães sofriam maus-tratos, mas a possibilidade foi descartada.

Inicialmente, a Polícia Civil havia atribuído a autoria do ataque ao bebê a um cão da raça Chow-Chow. A informação, no entanto, foi corrigida.

Tópicos relacionados