FOTOS: Das festas às ruínas, relembre história de casarão centenário de Joinville

Casarão pertenceu a um dos homens mais famosos da cidade: Procópio Gomes de Oliveira

Foto de Fernanda Silva

Fernanda Silva Joinville

Receba as principais notícias no WhatsApp

Marcado pelas janelas quebradas, telhas arrancadas e pichações nas paredes, um dos principais casarões de Joinville já foi lar de um dos homens mais famosos da cidade do Norte catarinense, o ex-prefeito Procópio Gomes de Oliveira.

À esquerda, registro de janeiro de 2022 e à direita, do século 20 – Foto: Carlos Jr/ND e Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/NDÀ esquerda, registro de janeiro de 2022 e à direita, do século 20 – Foto: Carlos Jr/ND e Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND

Construído em 1913, a mansão leva o nome da esposa de Procópio, sendo chamada de “Vila Maria”. Apesar de apagada em meio as ruínas que virou o casarão, o nome ainda é visível na fachada do prédio, localizado no bairro Bucarein, na avenida nomeada em homenagem ao político.

Casal Procópio Gomes de Oliveira e sua esposa Maria Balbina Gomes de Oliveira – Foto: Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/NDCasal Procópio Gomes de Oliveira e sua esposa Maria Balbina Gomes de Oliveira – Foto: Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND
Casal Procópio Gomes de Oliveira e sua esposa Maria Balbina Gomes de Oliveira – Foto: Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/NDCasal Procópio Gomes de Oliveira e sua esposa Maria Balbina Gomes de Oliveira – Foto: Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND
Dilney Cunha é coordenador do Arquivo Histórico de Joinville – Foto: Carlos Jr/NDDilney Cunha é coordenador do Arquivo Histórico de Joinville – Foto: Carlos Jr/ND

Além de ser proprietário do icônico casarão centenário, Procópio Gomes também era dono da área onde, hoje, está localizado a Escola S. “Ele cedeu [em 1920] o terreno para fazer a primeira partida de futebol da cidade”, conta Dilney Cunha, coordenador do Arquivo Histórico de Joinville. O imóvel do político, hoje abandonado, também serviu como sede de eventos, principalmente familiares. No local, pessoas importantes da época também eram recebidas. Uma das visitas Bispo Duarte Leopoldo Silva, da Diocese de Santa Catarina, com sede em Curitiba, foi realizada no casarão durante o século 20.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir
Evento religioso, durante a visita do Bispo Duarte Leopoldo Silva, da Diocese de Santa Catarina, com sede em Curitiba, a Joinville – Foto: Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/NDEvento religioso, durante a visita do Bispo Duarte Leopoldo Silva, da Diocese de Santa Catarina, com sede em Curitiba, a Joinville – Foto: Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND
Membros da Família Gomes de Oliveira reunidos em evento familiar – Foto: Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/NDMembros da Família Gomes de Oliveira reunidos em evento familiar – Foto: Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND

Conforme Dilney, após Procópio Gomes, o famoso casarão não teve muitos outros proprietários. Depois da morte de Procópio Gomes de Oliveira, em 1934, aos 75 anos, um dos filhos mais novos do político, o farmacêutico Moacir, foi quem morou no local até falecer, na década de 1980.

Com o falecimento do herdeiro de Procópio, os filhos e esposa de Moacir moraram no local por um período. Até que, em meados dos anos 2000, o imóvel foi ocupado por um comércio.

“Era uma casa de festas infantis. Este foi o último uso. Está há mais ou menos 10 anos desocupado”, conta Dilney.

Com a desocupação, o prédio foi alvo de ações externas. Desde intervenções humanas, acidentes e até causas naturais. Nas redes sociais, inclusive, muitos moradores costumam publicar vídeos entrando na casa, apesar do ato ser proibido e um cadeado ter sido colocado no portão.

Registro do século 20 – Foto: Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/NDRegistro do século 20 – Foto: Acervo do Arquivo Histórico de Joinville/Divulgação/ND
Casarão atualmente – Foto: Carlos Jr/NDCasarão atualmente – Foto: Carlos Jr/ND

Histórias por trás do casarão

O casarão carrega muitas histórias, na maioria das vezes falsas, revela o historiador. Uma delas é o fato de que muitas pessoas entram no local com o intuito de “averiguar” a informação de que o casarão seria assombrado.

Outro relato bastante propagado, conta Dilney, é de que escravos teriam morrido no local. Porém, o historiador conta que, na época, já não era permitido ter pessoas escravizadas, além de que não há indícios de que o político os tenha tido de forma ilegal.

Mais uma história que envolve o casarão é de que um piso com uma suástica teria sido encontrado no local. O coordenador do arquivo histórico conta que este relato é real em partes. “Foi encontrado, mas não neste casarão, na vizinhança”, conta.

Dilney Cunha – Foto: Carlos Jr/NDDilney Cunha – Foto: Carlos Jr/ND

Dilney conta que, já nos anos 2000, um vídeo havia sido publicado nas redes sociais e mostrava quatro azulejos decorados com uma suástica nazista em um casarão da região. Após um período, historiadores foram até o mesmo local e notaram que os azulejos haviam sido arrancados.

“Os azulejos que faltavam eram justamente nos locais onde eram encontradas as suásticas no vídeo”, conta. Porém, o coordenador do Arquivo Histórico reforça que o casarão em questão não é o de Procópio Gomes.

O casarão hoje

Após ter sido ocupado por uma loja de festas infantis, o casarão se mantém sem atividade. Depois de anos desocupado, em 2018 o imóvel pegou fogo. O incêndio atingiu principalmente o primeiro andar do prédio.

Apesar de estar a mais de dez anos sem uso, o casarão pertence a um proprietário, porém, o futuro do imóvel depende de um processo judicial. “Questão familiar, da venda do imóvel”, explica Dilney.

Casarão fica localizado no bairro Bucarein – Foto: Carlos JR/NDCasarão fica localizado no bairro Bucarein – Foto: Carlos JR/ND

Tópicos relacionados