Entenda protesto feito por atleta no pódio olímpico em Tóquio; ato está sendo investigado

Raven Saunders colocou a medalha de prata no pescoço nesta segunda-feira (1º) e, durante a cerimônia de premiação, ergueu os braços e os colocou em forma de X

Redação ND Florianópolis

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A atleta dos Estados Unidos Raven Saunders ganhou a medalha de prata no arremesso de peso feminino nesta segunda-feira (1º). Durante a cerimônia de premiação dos Jogos Olímpicos de Tóquio, a medalhista ergueu os braços e os colocou em forma de X, como ato de protesto.

A atitude não foi bem vista pela organização do evento, que abriu um inquérito para investigar uma possível violação das regras olímpicas sobre gestos e demonstrações de teor político nos pódios.

Atleta fez gesto em protesto contra a opressão – Foto: Instagram/Divulgação/NDAtleta fez gesto em protesto contra a opressão – Foto: Instagram/Divulgação/ND

Apesar do COI (Comitê Olímpico Internacional) ter flexibilizado sua Regra 50 para permitir gestos, como se ajoelhar – contanto que não atrapalhem o evento e mantenha respeito pelos outros competidores, a organização proibiu tais manifestações nos pódios.

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Posteriormente, a atleta de 25 anos se pronunciou nas redes sociais, deixando claro o real significado do seu gesto durante a cerimônia. Saunders indicou que seria uma expressão de apoio aos oprimidos.

“‘Qual é o seu impacto?’ Amor, consciência e bondade. Jovens e pessoas velhas e negras, vocês são lindas vocês valem, vocês são incríveis. Pessoas LGBTQIA vocês são lindos, vocês valem vocês são incríveis! Se você está lutando mentalmente não importa quem e onde você está no mundo, eu te vejo, eu estou lutando por você. Eu preciso, Deus, eu preciso que você continue lutando por si mesmo”, escreveu.

Inquérito é suspenso

Já nesta quinta-feira (5), o processo que investigava a atleta foi suspenso, devido a noticia da morte da mãe de Saunders. “Ouvimos nesta manhã a notícia muito triste do falecimento da mãe de Raven Saunders”, disse o porta voz do COI, Mark Adams. “O COI oferece suas condolências a Raven e sua família. Vocês entenderão que, dadas as circunstâncias, o processo está totalmente suspenso por ora”, concluiu.

O USOPC (Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos) disse também que o gesto não violou suas regras, já que foi uma “expressão pacífica em apoio à justiça racial e social que foi respeitosa com seus concorrentes”.

Regras sobre manifestações nas Olimpíadas

Os atletas não deveriam fazer “manifestações políticas” ou expressar suas opiniões pessoais nos pódios dos Jogos de Tóquio, disse o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, em 16 de julho.

O COI que afrouxou sua Regra 50 – que proibia protestos dos atletas, agora permite que eles façam gestos durante as provas, contanto que não interrompam-nas e mantenham o respeito com outros competidores.

Mas, ainda existe uma norma sobre protestos feitos nos pódios de medalha durante os Jogos. “O pódio e as cerimônias de medalhas não são feitos… para uma manifestação política ou outra”, disse Bach ao jornal Financial Times.

“Eles são feitos para homenagear os atletas e os ganhadores de medalhas por conquistas esportivas, e não por suas [opiniões] particulares”, continuou o presidente do COI. “A missão é ter o mundo inteiro junto em um lugar e competindo pacificamente um com o outro. Isto você nunca conseguiria se os Jogos [se tornassem] polarizadores”, disse.

Manifestações feitas em Olímpiadas anteriores

Embora os protestos de atletas nas Olimpíadas sejam raros, nos Jogos do México de 1968 os velocistas negros norte-americanos Tommie Smith e John Carlos foram expulsos do evento depois de abaixarem as cabeças e erguerem os punhos com luvas negras no pódio para protestarem contra a desigualdade racial.

Na Olimpíada Rio 2016, o maratonista etíope Feyisa Lilesa ergueu os braços e cruzou os pulsos ao atravessar a linha de chegada para mostrar apoio aos protestos de sua tribo oromo contra planos do governo para realocar terras de cultivo.

*Com informações da Agência Brasil.

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