Medalhas, conquistas, marcas, recordes. Os paratletas catarinenses brilham em competições nacionais e internacionais, mas além deles, quem prepara, apoia e se dedica para a conquista de grandes resultados são os treinadores, que trabalham duro para formar campeões. O amor ao paradesporto é a base de uma família de Joinville que, hoje, tem três técnicos se destacando no país e no mundo.
Eliandro, Felipe Lucio e Everaldo fazem história como treinadores no Paradesporto brasileiro – Foto: Arquivo Pessoal/NDQuem abriu caminho foi Everaldo Braz Lucio, hoje treinador do CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro). Atencioso com seus atletas e com uma história de décadas no esporte, ele começou em Joinville e com o espelho em casa, em uma família que tem pais envolvidos com o esporte, primo no futebol, irmãos e sobrinhos na dança. Hoje, é ele que inspira os mais jovens.
“Eu tive um espelho e hoje eu sou um espelho. Eu tive um espelho porque meus dois irmãos mais velhos são do esporte, meus pais também foram do esporte, então minha família inteira é do esporte. Sempre me espelhei na minha família porque é base, é tudo, e ser espelho deles agora é um sentimento que eu não consigo explicar. É sentimento de missão cumprida, de legado positivo e que me deixa transbordando de alegria”, fala.
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Everaldo abriu o caminho e hoje é treinador do CPB – Foto: Arquivo Pessoal/NDEm julho, o também joinvilense Edenilson Floriani conquistou a medalha de bronze na prova de arremesso de peso no Mundial de Atletismo Paralímpico de Paris. Quem o prepara diariamente é Eliandro Braz Lucio, treinador do Cepe (Centro Esportivo para Pessoas Especiais) e que teve dentro de casa o incentivo e o apoio que tornou a escolha pelo esporte paralímpico algo natural.
“Quando eu vi as Olimpíadas da Apae acontecendo aqui, eu vi os atletas com Síndrome de Down e me tocou muito porque o primeiro que chegou na linha de chegada, o campeão dos 100 metros, voltou até a metade para pegar o outro menino que estava no final, isso tocou muito. Eu tenho um grande espelho dentro de casa, que são meus pais, meus sobrinhos e eu me espelho muito no meu irmão porque hoje ele é técnico da seleção e é onde a gente quer chegar né? Então, chegar no Mundial e ele [Edenilson] voltar para casa com medalha é a certeza de que estamos no caminho certo”, diz.
Eliandro Braz Lucio comemorou a medalha mundial de Edenilson Floriani – Foto: Arquivo Pessoal/NDCom dois exemplos de dedicação e amor ao Paradesporto em casa, o jovem Felipe Lucio Mendes aproveitou o caminho aberto pelos tios e já começou a construir a própria história. Aos 25 anos, ele, que é treinador da Apesblu (Associação de Paradesporto de Blumenau), se tornou o mais jovem da história a ter um atleta medalhista em um Mundial.
“O meu caminho a ser percorrido foi mais fácil, eles abriram muito as portas, me deram muitas dicas, aprendi muito com eles. Muito do que eles sofreram, eu não precisei sofrer porque eu os ouvi e sou eternamente grato a eles. Se não fosse eles, eu não seria atleta inicialmente, não seria professor de educação física, não seria o treinador que eu sou hoje, nem metade”, salienta.
Felipe Lucio Mendes se tornou o treinador mais jovem da história a ter um atleta medalhista mundial – Foto: Arquivo Pessoal/NDPaixão de família, o esporte paralímpico mudou a vida de tios e sobrinhos, que já são referência não só em Santa Catarina, mas em todo o país.
“Cada dia que estamos com nossos atletas, cada evento, cada competição é um aprendizado diferente. Eu só tenho a agradecer o movimento paralímpico, não me vejo longe do movimento paralímpico e eu tenho certeza que fiz a escolha certa”, destaca Eliandro.
O Paradesporto é a paixão, mas a família é o pilar que sustenta as escolhas, a vida de treinos, viagens e competições.
“É a base de tudo, sem eles eu não conseguiria chegar até aqui”, fala Eliandro. “Se estou onde estou é porque minha família me apoiou muito, me deu muitos exemplos, me mostrou a direção e eu tentei seguir ao máximo, só tenho que agradecer minha mãe, minha vó, meu vô, meus tios, eles são a base de tudo, se não fosse por eles, eu não seria metade do que sou”, ressalta Felipe. “Ver orgulho, brilho nos olhos deles é sensação de gratidão, de obrigado… meu pai e minha mãe trilharam isso para nós”, finaliza Everaldo.