A morte do piloto de Joaçaba, Marcelo Cancelli, 40 anos, é tratada como uma ‘fatalidade’ pela comunidade do automobilismo. O piloto não resistiu a uma saída de pista registrada neste domingo (21), no Autódromo Cavalo de Aço, em uma corrida de endurance, válida pela 4ª Etapa do CCA (Campeonato Catarinense de Automobilismo).
Restavam poucos minutos para o término da corrida quando Marcelo Cancelli adentrou o “bacião”, antes de uma reta chamada “porta do céu”, que dá passagem para a linha de chegada. A bordo de modelos Volkswagen Gol os pilotos alcançam mais de 160 km/h.
O Cavalo de Aço é nacionalmente reconhecido já que é o segundo mais antigo, em atividade, em todo o País – fica atrás apenas do Autódromo de Interlagos.
SeguirForam vários eventos realizados ao longo do final de semana com destaque para a prova 3h de Joaçaba, a última do dia. Trata-se de uma modalidade de resistência onde os pilotos, que correm em equipes, se revezam na direção. O revezamento, inclusive, é obrigatório bem como a parada dos veículos para ajustes, abastecimento e demais detalhes.
Era o trecho final da prova que requer 50% de tempo (nesse caso 1h30) transcorrido para ter validade. Restavam 20 minutos para que esse tempo fosse alcançado, momento em que Marcelo foi à pista, no lugar do seu companheiro Luciano Tróes, natural de Catanduvas (SC).
Veja o momento do acidente
Momento da batida de Marcelo Cancelli – Vídeo: TV No Alto Giro/Divulgação/ND
Briga pelo pódio e baixa luminosidade
Era final da tarde de domingo quando os pilotos, no transcorrer da prova, estavam fazendo o percurso de 2,2 quilômetros em pouco mais de 1min10s. Cancelli chegou a ocupar a 2ª colocação na classificação final, em dado momento da prova.
Momento que a transmissão mostra a aparente escuridão do horário; acidente aconteceu poucos minutos depois – Foto: TV No Alto Giro/Divulgação/NDA TV No Alto Giro, que fez a transmissão de todo o evento, salientou o final de tarde e a suposta baixa visibilidade que passou a ser a realidade de um domingo ensolarado também no Meio-Oeste do Estado. A prova, inclusive, foi reduzida no seu final devido a término da luz natural.
“A luz [do dia] está compensando pelo filtro da câmera, mas já está bem mais baixo”, mencionou o narrador. O comentarista ainda observou, àquela altura, que restavam três minutos para o término da prova. “Não tem como lutar contra a natureza e daqui a pouco começa aquele lusco-fusco”.
Eram mais de 60 voltas percorridas quando as expectativas estavam voltadas para o anúncio de última volta da corrida. Marcelo Cancelli, na 3ª posição, vinha defendendo a condição do pódio.
Além do pódio, a equipe de Cancelli estava prestes a embolsar R$ 500, prêmio previsto para o 3º colocado.
Foi quando Marcelo Cancelli saiu da curva da “ferradura” e antes de adentrar no “bacião” teria perdido o controle e saído da pista. O veículo capotou e acabou colidindo contra uma árvore.
O cockpit – bolha onde os pilotos ficam – ficou completamente destruído com a força da batida, como mostram as imagens.
“Foi uma fatalidade”
“Onde ele bateu é um lugar que não existe bater, antes de falar qualquer coisa a gente tem que fazer uma perícia para saber o que aconteceu, pois não dá pra entender o que aconteceu”, desabafou o presidente da Fauesc (Federação de Automobilismo de Santa Catarina), Ademir Chiesa, o Niki.
Niki salientou que todos os itens de segurança, seja pela pista, ou pelo veículo, estavam “homologados e em dia”.
“Vamos esperar, fazer um laudo, para depois falar o que aconteceu”, comentou. Questionado sobre a possível falta de luminosidade, Niki negou. “Um dia mais ensolarado que aquele não tinha como”, argumentou.
O presidente ainda lembrou que o piloto era experiente, tinha seguro e o carro dele “era bem feito”. “Aconteceu uma fatalidade. A gente tem seguro, o piloto tem seguro, estava com carteira federada, estava tudo certo. O carro dele era bem feito. Um piloto de ponta. Uma perca muito grande, eu sinto muito”, acrescentou.
Veículo ficou completamente destruído em acidente que vitimou Marcelo Cancelli – Vídeo: Carlos Corrêa/ND
Outras fontes consultadas pela reportagem asseguraram o histórico e a segurança da pista. Apesar de alguns episódios pontuais, o autódromo está em dia com quesitos de segurança e homologação.
Fauesc assegura homologação do carro
A Federação de Automobilismo do Estado de Santa Catarina comunica o falecimento do piloto federado Marcelo Cancelli de 40 anos, natural de Joaçaba (SC) na tarde deste domingo, 21 de Agosto de 2022.
Após um grave acidente no autódromo Cavalo de Aço em Joaçaba, o piloto foi resgatado pela ambulância do evento e encaminhado ao Hospital Santa Teresinha que atestou seu óbito.
A Fauesc e o Auto Moto Clube de Joaçaba, promotores do evento, atestam que o veículo estava totalmente homologado e apto para participação no evento em segurança, assim como o equipamento de segurança e proteção do piloto foram vistoriados antes da realização da prova.
Fauesc, Auto Moto Clube de Joaçaba, pilotos, preparadores e amigos lamentam profundamente a perda do piloto campeão brasileiro de Automobilismo na terra com uma honrosa história neste esporte.
Polícia Civil vai investigar
O caso será acompanhado pela Polícia Civil que deverá abrir um inquérito para apurar as causas.
Marcelo Cancelli, 40 anos, vítima de um acidente em prova de corrida, em Joaçaba – Foto: Divulgação/NDO sepultamento de Marcelo Cancelli está marcado para a tarde desta segunda-feira (22), em Joaçaba (SC).
Tragédias na família
Ainda de acordo com o que foi apurado pela reportagem, a família de Marcelo Cancelli já passou por tragédias no trânsito. Além do pai, Marcelo já havia perdido o seu irmão, foi registrada no ano de 2013, no município de Alfredo Wagner.