‘Vou chegar onde quero’: catarinense acelera com determinação rumo ao topo do automobilismo

A catarinense, Bruna Tomaselli, vem conquistando seu espaço nas pistas e é uma das promessas brasileiras no automobilismo; conheça sua história

Foto de Rafaella Moraes

Rafaella Moraes Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

O coração de Bruna Tomaselli, piloto catarinense de Cabi, Oeste de Santa Catarina, acelerou freneticamente quando o telefone tocou. Até parecia estar nas pistas naquele momento. A ansiedade tomou conta dela enquanto esperava a notícia que poderia mudar sua vida. E então, quando finalmente ouviu que iria competir na W Series, a primeira e única categoria de automobilismo 100% feminina do mundo, como única representante brasileira e da América do Sul, a emoção veio como fogos de artifício.

automobilismoA catarinense irá brilhar na Stock Series, que começa dia 22 e 23 de abril, em Interlagos, em São Paulo e está confiante para colocar o pé no acelerador. – Foto: Arquivo Pessoal Bruna Tomaselli/Cedido/ND

Ela não conseguia acreditar no que seus ouvidos acabavam de escutar, sentindo como se estivesse prestes a explodir de felicidade. Era como se a sua música favorita tivesse sido tocada especialmente para ela, preenchendo cada célula do seu ser com uma alegria inimaginável. Pulou de alegria, gritando de felicidade com sua mãe e irmã que se juntaram a ela em um abraço emocionado, com lágrimas nos olhos e a certeza de que aquele momento seria um dos seus passos mais importantes na história feminina do automobilismo.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

“Foi muito bacana. Fiz testes, passei por uma classificatória e aí depois fiquei esperando eles darem a resposta. (…) Uma das maiores conquistas foi poder representar as mulheres e o Brasil nessa categoria”, relembra a catarinense, de 25 anos, com orgulho. A categoria faz parte da programação da F1 e Bruna competiu pela Veloce Racing.

A história de amor com as pistas começou quando ainda era criança. Pedia sempre para dirigir o carro do pai e demonstrava interesse pelo automobilismo.

Aos oito anos, seu pai decidiu dar asas ao interesse e deu para Tomaselli o seu primeiro kart. Desde então, ela não parou mais de acelerar, conquistando diversos títulos em campeonatos estaduais, nacionais e até internacionais.

“A gente ia para a pista treinar de kart. A pista ficava em São Miguel, uma que tem ainda até hoje. Toda semana treinava, era uma brincadeira mesmo, mas aí comecei a participar de provas, corridas, tendo que treinar cada vez mais. E foi assim que comecei. Eu competi no kart até os 15 anos. Hoje eu ainda treino de kart toda semana como uma forma de manter reflexo”, conta.

  • 1 de 3
    Aos oito anos, seu pai decidiu dar asas ao interesse e deu para Tomaselli o seu primeiro kart - Arquivo Pessoal Bruna Tomaselli/Cedido/ND
    Aos oito anos, seu pai decidiu dar asas ao interesse e deu para Tomaselli o seu primeiro kart - Arquivo Pessoal Bruna Tomaselli/Cedido/ND
  • 2 de 3
    Na adolescência, ela começou a trilhar seu caminho nas corridas de "Fórmula" - Arquivo Pessoal Bruna Tomaselli/Cedido/ND
    Na adolescência, ela começou a trilhar seu caminho nas corridas de "Fórmula" - Arquivo Pessoal Bruna Tomaselli/Cedido/ND
  • 3 de 3
    Bruna competiu dois anos na Fórmula Júnior - Arquivo Pessoal Bruna Tomaselli/Cedido/ND
    Bruna competiu dois anos na Fórmula Júnior - Arquivo Pessoal Bruna Tomaselli/Cedido/ND

Na adolescência, ela começou a trilhar seu caminho nas corridas de “Fórmula”, uma jornada que exigia muito treinamento, dedicação e, acima de tudo, coragem.

Foram dois anos na Fórmula Júnior, mais dois na Fórmula 4 Sul-americana e, então, mais um passo importante no caminho: morou três anos nos Estados Unidos, competindo na USF2000, que faz parte do Road to Indy e, em 2019, foi a recordista de ultrapassagens da temporada, encerrando o ano na oitava posição em uma das categorias mais competitivas. Em 2020, Bruna fez história ao se tornar a primeira mulher a vencer na sua divisão P3, no Campeonato Brasileiro de Endurance e disputou o título até o final.

Bruna nunca parou a busca pelo que almejava no automobilismo e, para isso, treina todos os dias. “Sou piloto e preciso ter força e resistência. Então, é academia com personal, cardiorrespiratório e kart toda semana”, explica. E com tanto comprometimento, em 2019, veio a classificação para a W Series, onde se destacou e competiu até o ano passado, mas agora seu olhar está voltado para a Stock Series, um desafio ainda maior, uma categoria antes da Stock Car, a mais almejada.

Estrada de sonhos: próximos passos impulsionam ainda mais a carreira da jovem no automobilismo

A catarinense irá brilhar na Stock Series, que começa dia 22 e 23 de abril, em Interlagos, em São Paulo. Ela está confiante para colocar o pé no acelerador.

“É um campeonato novo, um carro novo, mas estou bastante confiante, porque vou competir com a equipe Motor Garra Racing, do Rio Grande do Sul. É uma equipe que sempre disputa títulos, está sempre na briga pelo campeonato, então estou confiante que nesse meu primeiro ano posso aprender bastante com a equipe e sempre buscar por vitórias“, afirma Bruna.

Além disso, Tomaselli já está de olho no futuro. “Daqui a uns dez anos espero estar competindo na Stock Car, em uma categoria de alto nível e viver profissionalmente do automobilismo”, deseja Tomaselli que, para isso, já está no caminho certo.

“Continuar lutando para chegar nos objetivos. O caminho vai ser feito. Com bastante vontade e dedicação vou conseguir chegar onde quero na minha vida”, finaliza.

Automobilismo: “Muito mais homens, mas isso está mudando”

Ainda que saiba que a diferença entre homens e mulheres no automobilismo é grande — em quantidade —, Bruna observa com orgulho o crescimento da presença feminina no esporte. Há esperança, e isso é o mais importante. Tomaselli sabe que, com mais mulheres no automobilismo, as portas se abrem cada vez mais para outras jovens poderem seguir seus passos.

automobilismoBruna observa com orgulho o crescimento da presença feminina no esporte – Foto: Arquivo Pessoal Bruna Tomaselli/Cedido/ND

“A gente via poucas meninas competindo no automobilismo, pouca menina em tudo. Agora a gente vê cada vez mais. Mulheres pilotos, mais mulheres participando da equipe, mecânica, enfim, mais mulheres participando de tudo. Então, vejo que está mudando e espero que cada vez continue tendo mais mulheres no esporte”, almeja a piloto.

Para as jovens que querem seguir carreira no automobilismo, Bruna dá a dica: “É se dedicar bastante. É um esporte que precisa de dedicação, como todos os outros. Treinar bastante. Não é um esporte fácil, mas seguir. Nunca deixe que ninguém te diga nada, pois se é isso que você quer, é seguir com dedicação. Não importa se é mulher ou homem… é se dedicar para chegar”.