O coração de Bruna Tomaselli, piloto catarinense de Cabi, Oeste de Santa Catarina, acelerou freneticamente quando o telefone tocou. Até parecia estar nas pistas naquele momento. A ansiedade tomou conta dela enquanto esperava a notícia que poderia mudar sua vida. E então, quando finalmente ouviu que iria competir na W Series, a primeira e única categoria de automobilismo 100% feminina do mundo, como única representante brasileira e da América do Sul, a emoção veio como fogos de artifício.
A catarinense irá brilhar na Stock Series, que começa dia 22 e 23 de abril, em Interlagos, em São Paulo e está confiante para colocar o pé no acelerador. – Foto: Arquivo Pessoal Bruna Tomaselli/Cedido/NDEla não conseguia acreditar no que seus ouvidos acabavam de escutar, sentindo como se estivesse prestes a explodir de felicidade. Era como se a sua música favorita tivesse sido tocada especialmente para ela, preenchendo cada célula do seu ser com uma alegria inimaginável. Pulou de alegria, gritando de felicidade com sua mãe e irmã que se juntaram a ela em um abraço emocionado, com lágrimas nos olhos e a certeza de que aquele momento seria um dos seus passos mais importantes na história feminina do automobilismo.
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“Foi muito bacana. Fiz testes, passei por uma classificatória e aí depois fiquei esperando eles darem a resposta. (…) Uma das maiores conquistas foi poder representar as mulheres e o Brasil nessa categoria”, relembra a catarinense, de 25 anos, com orgulho. A categoria faz parte da programação da F1 e Bruna competiu pela Veloce Racing.
A história de amor com as pistas começou quando ainda era criança. Pedia sempre para dirigir o carro do pai e demonstrava interesse pelo automobilismo.
Aos oito anos, seu pai decidiu dar asas ao interesse e deu para Tomaselli o seu primeiro kart. Desde então, ela não parou mais de acelerar, conquistando diversos títulos em campeonatos estaduais, nacionais e até internacionais.
“A gente ia para a pista treinar de kart. A pista ficava em São Miguel, uma que tem ainda até hoje. Toda semana treinava, era uma brincadeira mesmo, mas aí comecei a participar de provas, corridas, tendo que treinar cada vez mais. E foi assim que comecei. Eu competi no kart até os 15 anos. Hoje eu ainda treino de kart toda semana como uma forma de manter reflexo”, conta.
Na adolescência, ela começou a trilhar seu caminho nas corridas de “Fórmula”, uma jornada que exigia muito treinamento, dedicação e, acima de tudo, coragem.
Foram dois anos na Fórmula Júnior, mais dois na Fórmula 4 Sul-americana e, então, mais um passo importante no caminho: morou três anos nos Estados Unidos, competindo na USF2000, que faz parte do Road to Indy e, em 2019, foi a recordista de ultrapassagens da temporada, encerrando o ano na oitava posição em uma das categorias mais competitivas. Em 2020, Bruna fez história ao se tornar a primeira mulher a vencer na sua divisão P3, no Campeonato Brasileiro de Endurance e disputou o título até o final.
Bruna nunca parou a busca pelo que almejava no automobilismo e, para isso, treina todos os dias. “Sou piloto e preciso ter força e resistência. Então, é academia com personal, cardiorrespiratório e kart toda semana”, explica. E com tanto comprometimento, em 2019, veio a classificação para a W Series, onde se destacou e competiu até o ano passado, mas agora seu olhar está voltado para a Stock Series, um desafio ainda maior, uma categoria antes da Stock Car, a mais almejada.
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Estrada de sonhos: próximos passos impulsionam ainda mais a carreira da jovem no automobilismo
A catarinense irá brilhar na Stock Series, que começa dia 22 e 23 de abril, em Interlagos, em São Paulo. Ela está confiante para colocar o pé no acelerador.
“É um campeonato novo, um carro novo, mas estou bastante confiante, porque vou competir com a equipe Motor Garra Racing, do Rio Grande do Sul. É uma equipe que sempre disputa títulos, está sempre na briga pelo campeonato, então estou confiante que nesse meu primeiro ano posso aprender bastante com a equipe e sempre buscar por vitórias“, afirma Bruna.
Além disso, Tomaselli já está de olho no futuro. “Daqui a uns dez anos espero estar competindo na Stock Car, em uma categoria de alto nível e viver profissionalmente do automobilismo”, deseja Tomaselli que, para isso, já está no caminho certo.
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“Continuar lutando para chegar nos objetivos. O caminho vai ser feito. Com bastante vontade e dedicação vou conseguir chegar onde quero na minha vida”, finaliza.
Automobilismo: “Muito mais homens, mas isso está mudando”
Ainda que saiba que a diferença entre homens e mulheres no automobilismo é grande — em quantidade —, Bruna observa com orgulho o crescimento da presença feminina no esporte. Há esperança, e isso é o mais importante. Tomaselli sabe que, com mais mulheres no automobilismo, as portas se abrem cada vez mais para outras jovens poderem seguir seus passos.
Bruna observa com orgulho o crescimento da presença feminina no esporte – Foto: Arquivo Pessoal Bruna Tomaselli/Cedido/ND“A gente via poucas meninas competindo no automobilismo, pouca menina em tudo. Agora a gente vê cada vez mais. Mulheres pilotos, mais mulheres participando da equipe, mecânica, enfim, mais mulheres participando de tudo. Então, vejo que está mudando e espero que cada vez continue tendo mais mulheres no esporte”, almeja a piloto.
Para as jovens que querem seguir carreira no automobilismo, Bruna dá a dica: “É se dedicar bastante. É um esporte que precisa de dedicação, como todos os outros. Treinar bastante. Não é um esporte fácil, mas seguir. Nunca deixe que ninguém te diga nada, pois se é isso que você quer, é seguir com dedicação. Não importa se é mulher ou homem… é se dedicar para chegar”.
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