Basquete Feminino de Joinville precisa de investimentos: ‘com o que temos, chegamos no limite’

Fabiano Borges completa 13 anos à frente do projeto e expectativa é aumentar núcleos na cidade. No entanto, investimento é fundamental para avançar em rendimento e resultados

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Uma modalidade que cresce a cada ano que passa, mas que, quando os olhos se voltam para o feminino, ainda deixa muito a desejar em estrutura, investimento e visibilidade. O basquete feminino cresce, o esporte se torna a preferência de muitas garotas ainda jovens, mas a estrutura para a prática no país está longe de ser a ideal. Em Joinville, o Basquete Feminino cresce, amadurece e tem importantes conquistas graças ao projeto sólido e sério. À frente do projeto há 13 anos, Fabiano Borges comemora as conquistas da equipe em 2022, mas sabe que ainda é necessário muito mais para que as conquistas sejam consistentes. “Com o que temos, chegamos no limite, fizemos muita coisa com pouco”, salienta.

Basquete Feminino de Joinville busca investimento da iniciativa privada para fortalecer time e participar de competições nacionais – Foto: Divulgação/NDBasquete Feminino de Joinville busca investimento da iniciativa privada para fortalecer time e participar de competições nacionais – Foto: Divulgação/ND

Na última temporada, o Basquete Feminino de Joinville empilhou títulos desde a categoria Sub-15 até a adulta, o time disputou vários campeonatos dentro e fora de Santa Catarina. Pelo segundo ano consecutivo, o time disputou o Campeonato Brasileiro Sub-23 e, apesar de alguns resultados abaixo, de maneira geral, o ano foi positivo, ressalta Borges.

“De acordo com os nossos principais objetivos, o ano foi excelente. Conquistamos os Joguinhos Abertos que é sempre nossa meta, participamos do Brasileiro, no Sub-17 pela primeira vez, Estaduais. Então, dentro das nossas condições, foi uma boa temporada dentro de quadra”, fala.

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Já no que diz respeito à gestão e investimentos, a equipe não evoluiu, explica. “Não conseguimos andar muito, mas é preciso salientar o apoio do município, que foi fundamental. Mas, queremos mais”, diz.

Para a temporada 2023, há reformulações, algumas dúvidas no que diz respeito ao calendário e o desejo de contar com a iniciativa para a realização do principal sonho: disputar a LBF.

De acordo com Borges, as categorias continuam com a disputa da Olesc, Joguinhos e Jogos Abertos, competições estaduais da FCB (Federação Catarinense de Basketball) e com relação aos campeonatos brasileiros, o cenário é de incerteza. “Depende da Confederação, mas se continuar nos mesmos moldes, provavelmente não teremos participação devido aos custos, ficou inviável e fora da nossa realidade sem a contrapartida para a cobertura de alguns custos, como os de hospedagem”, explica.

Já a disputa da LBF (Liga de Basquete Feminino) cogitada pela equipe, não acontecerá em 2023. Apesar de participar das reuniões prévias e iniciar os estudos para participação nesta temporada, mais uma vez, os custos inviabilizaram, por hora, a realização do sonho. Sem apoio da iniciativa privada, os repasses limitados do município não conseguem cobrir a disputa do principal campeonato do basquete feminino no país.

Apenas a entrada na Liga para participação demandaria cerca de R$ 300 mil por ano. “Para disputar, de fato, título, é preciso de R$ 1 milhão, mas para ter uma equipe que consiga brigar, como Blumenau faz, um investimento de R$ 500 mil seria adequado”, conta. No entanto, atualmente essa é uma realidade distante do basquete feminino na cidade.

“O crescimento é proporcional ao investimento, quanto mais investimento, crescemos e nos fortalecemos mais. Estamos buscando parceiros e a entrada da iniciativa privada no projeto é fundamental para evoluir ainda mais, para que possamos ter uma estrutura adequada. Precisamos de fisioterapeuta, preparador físico, academia, pontos que fazem com que o crescimento aconteça. O investimento dentro e fora de quadra”, ressalta.

Apesar das dificuldades, Borges vê evolução na renovação do basquete feminino brasileiro, em iniciativas como o Campeonato Brasileiro Sub-23, que revelou várias atletas que, nesta temporada, estarão na LBF, mas também aponta as causas para a falta de estrutura.

“A situação do basquete feminino no Brasil ainda é muito complicada. Se analisarmos, por exemplo, o campeão da LBF não tem base. O Bradesco, que tem uma base forte, não tem time adulto. Então, fica um processo interrompido. Precisamos de mais divulgação, de mais espaço na mídia para massificar mais a modalidade”, destaca.

Para o ano, em Joinville, a intenção é ampliar o número de atletas e de núcleos, chegando a 60 jogadoras e mais dois núcleos espalhados pela cidade.

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