Enquanto a NBA já se prepara para retomar a temporada, no Brasil, o NBB cancelou a edição 2019/2020 devido à pandemia. Mas, enquanto os times estão “parados”, nos bastidores a movimentação já começou e o joinvilense Blackstar está trabalhando para estar entre os times que farão a bola subir a partir de 14 de novembro – data estimada para o início da temporada.
Diretoria corre contra o tempo para conseguir patrocinadores e apoiadores para viabilizar a disputa do NBB – Foto: Divulgação/NDA equipe de Joinville nunca participou de um NBB e vê a possibilidade se aproximar, mas, para torná-la realidade, precisa de aporte financeiro de patrocinadores e apoiadores. A Liga exige uma comprovação financeira de pouco menos de R$ 2 milhões para a temporada e, hoje, o Blackstar tem metade dessa quantia, explica o presidente Rodrigo Lima.
“Já estávamos mantendo um contato com o NBB, pois esse sempre foi um dos nossos objetivos, porém um objetivo a médio prazo. Agora, o nosso ingresso seria por meio da aquisição do direito associativo, mas para isso, precisamos das comprovações financeira. Conseguimos metade dessa quantia, porém, condicionados à vaga. Ou seja, se não conseguirmos a vaga, não teremos esse valor para trabalhar”, esclarece.
SeguirA equipe joinvilense participaria do Campeonato Brasileiro organizado pela CBB (Confederação Brasileira de Basquete) e que, neste ano, funcionaria como a competição de acesso ao NBB. Porém, após algumas mudanças de data, o campeonato foi oficialmente cancelado. A expectativa, em curto prazo, é pelo início do Campeonato Catarinense. Há indicativos de que a bola possa subir em agosto para os times de Santa Catarina.
Equipe já se preparava antes da pandemia para lutar pela vaga do NBB – Foto: Divulgação/NDEnquanto os atletas treinam para manter o condicionamento e se preparar para os campeonatos, a diretoria corre atrás de parceiros que possam viabilizar o sonho do Blackstar. O presidente conta que, hoje, além das complicações financeiras potencializadas pela pandemia, a maior dificuldade em conseguir o aporte financeiro necessário é a desconfiança dos empresários. “Fora o fator pandemia, existem empresas que foram expostas a experiências negativas em alguns investimentos com o marketing, seja ele esportivo ou não, e quebrar esse desconforto não é fácil”, diz.
Além da vitrine nacional que é o NBB, Rodrigo ressalta que a equipe oferece acompanhamento, planejamento de marketing e transparência. “Nossos apoiadores podem ter membros em nossa diretoria e, se for do seu desejo acompanhar e participar das tomadas de decisão e direcionamentos financeiros”, garante.
Elenco será mantido com chegada de reforços pontuais para o garrafão
A equipe do Blackstar foi montada ainda no final de 2019 visando a disputa do Campeonato Brasileiro. Com nomes conhecidos como Leozão, Renato Scholz e Schneider, a equipe se preparou para conquistar a vaga para o NBB. Além deles, figuras conhecidas do torcedor joinvilense, como Jefferson Socas, Maxwell Ribeiro, Raphael Figueiredo e Willian Weihermann, também integram o elenco, que não deve sofrer muitas alterações.
O presidente conta que o objetivo é manter boa parte do elenco, que conta ainda com dois argentinos, Stefano Pierroti e Laureano, mas sinaliza que contratações pontuais estão no radar. “Para que possamos entrar competitivos precisaríamos de mais uns três nomes para a rotação, principalmente em nosso garrafão”, adianta.
Diretoria tem menos de dois meses para conseguir a comprovação financeira e colocar equipe joinvilense no cenário nacional – Foto: Blackstar/DivulgaçãoA equipe continuou treinando na pandemia, com trabalhos direcionados em casa. Além de treinos físicos desenvolvidos para os atletas conseguirem manter o condicionamento em casa, a equipe disponibilizou aulas de alongamento e yoga. Agora, os jogadores retomaram às atividades na academia e com treinos físicos em grupos.
Para o ala Maxwell, mais conhecido como Max, a preparação continuou sendo intensa e, agora, potencializada pelos trabalhos presenciais. “Continuamos treinando em casa. Perdemos, claro, bastante da parte física, mas conseguimos manter o necessário para voltar aos treinos com as precauções para evitar lesões. Não podemos perder o foco independente de data certa ou não”, avalia.
“Joinville merece um time no cenário nacional”
O joinvilense se acostumou a ver o seu basquete disputando competições nacionais. A cidade participou da fundação do NBB e, agora, tem a possibilidade de ver outro time debutar entre as maiores equipes do país. Mas, para isso, o Blackstar tem pouco mais de 45 dias para conseguir investidores e apoiadores que acreditem no basquete e no projeto. “Teríamos que conseguir um apoiador a cada 10 dias. Teremos quatro semanas de batalha, não é fácil, ainda mais com o atual cenário econômico atual, mas lutaremos até o final”, garante o presidente.
Equipe retomou os treinos e diretoria mira reforços pontuais – Foto: Blackstar/DivulgaçãoPara Max, a cidade merece ter um time no NBB. “Tomara que a gente consiga apoiadores para jogar o NBB. Sabemos que depende de uma série de fatores, mas não podemos perder o foco. Estamos focados no projeto. A cidade precisa de um basquete forte, de um time forte, com uma boa representação. Essa cidade merece porque gosta demais de basquete”, fala. “O projeto está caminhando um passo de cada vez, está caminhando da maneira correta. Tem tudo para dar certo se as empresas confiarem e investirem. Temos grandes profissionais, grandes jogadores, pessoas sérias querendo fazer o basquete acontecer na cidade”, complementa.
A paixão do joinvilense pelo basquete é, também, fator determinante para o presidente do Blackstar. “Joinville está acostumada com o basquete figurando entre as maiores forças do Brasil, o torcedor joinvilense é diferenciado, conhece muito da modalidade e não pode ficar sem um representante”, fala.