O talento e amor sendo repassado por gerações é algo comum no basquete. No badalado mundo da NBA, os dois maiores jogadores de uma geração têm o esporte no DNA familiar. Lebron James vê os dois filhos seguindo seus passos e já envolvidas com o basquete no colegial e na universidade. O maior arremessador da história, Stephen Curry, cresceu nas quadras da NBA acompanhando o pai, Dell Curry. Há outros muitos exemplos como Domantas Sabonis e o pai Arvydas Sabonis, Klay Thompson e o pai Mychal Thompson, entre tantos outros que se espalham não só na NBA, mas em todas as Ligas pelo mundo.
Gabriel e Mingão dividem o amor pelo basquete – Foto: Adriano Mendes/NDTVE seguir os passos do pai ainda que trilhando seu próprio caminho foi a vida escolhida pelo jovem ala Gabriel Oliveira, que hoje atua pelo Basquete Joinville. Apesar da idade, Gabriel já tem bagagem no basquete nacional e depois de passar por outras equipes, desembarcou no Norte de Santa Catarina em março deste ano.
O ala saiu de casa aos 14 anos, mas o basquete o fisgou ainda mais jovem. Quando ele e o irmão gêmeo João tinham apenas seis anos, o pai plantou a semente do amor pelo esporte e ela cresceu. E o pai não apenas deu o empurrão inicial como é a referência de Gabriel.
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Gabriel e João começaram cedo no basquete – Foto: Arquivo Pessoal“Eu sempre olhei para o meu pai como inspiração. Ele sempre foi uma base para mim no esporte, é o cara que está me guiando, que vai me guiar sempre, vai estar sempre ali comigo me ajudando. Ter um cara com essa experiência no esporte, com essa bagagem é um negócio que é até surreal”, fala.
Gratidão por tudo que me ensinou desde pequeno, não só o basquete, mas lições de vida, todo carinho e amor. Mesmo sendo um amor duro, é um amor que eu consigo entender, é um amor protetor.
Gabriel Oliveira, atleta
Mingão fez história no basquete. Vice-campeão mundial com o Vasco, o ex-pivô esteve na seleção com Oscar, Marcel e Pipoca e dividiu a quadra com o treinador do Basquete Joinville, Olívia. De rivais a amigos, os dois agora também “dividem” a responsabilidade de ajudar Gabriel.
“Eu sempre quis mostrar a eles que o esporte é uma das formas para uma vida melhor, que eles podem seguir como ser humano, como bom cidadão. Ele é um garoto muito resiliente, já tem passagens por outras equipes e está sempre em busca de uma oportunidade. Acho que esse projeto aqui de Joinville veio ajudar muito ele, inclusive com o próprio apoio do Olívia, que é meu grande amigo, e isso me deixou muito feliz”, ressalta Mingão.
Ele e Olívia se enfrentaram muitas vezes, mas também jogaram juntos e criaram uma amizade que dura décadas. Agora, com o ex-pivô no Rio de Janeiro e o filho em Joinville, é Olívia quem desempenha o papel de “pai” no dia a dia.
“Primeiro que a responsabilidade é grande já que o Mingão me ensinou muito. Eu sou pai também, a gente entende, tem que trabalhar o psicológico dos meninos, são meninos muito novos que estão começando a carreira agora. Então, também temos que entender o lado deles, até porque nós também fomos atletas e sabemos um pouco do que passa na cabeça deles”, salienta Olívia.
Basquete como sonho de vida de pai e filho
Há seis anos, Gabriel saiu de casa em busca do sonho de viver do basquete. Assim como o pai, que deixou Salvador para trás cedo, o jovem ala do Basquete Joinville saiu do Rio de Janeiro e depois de passar por outras equipes, chegou à equipe catarinense.
Pai e filho dividem a quadra de basquete – Foto: Adriano Mendes/NDTVE não é só a história de sair de casa em busca de um futuro profissional que os dois têm em comum. Em quadra, apesar de posições diferentes, os dois possuem os mesmos movimentos, garante o amigo e treinador.
“Desde o primeiro dia eu olhava para ele e dizia assim: não é o Gabriel, é o Mingão que está ali. Tem muita coisa parecida, o estilo de jogo é parecido, a forma de correr na quadra, o jeito de falar, o jeito que ele chega ao treino, tudo isso é muito parecido com o pai dele”, diz.
A distância física é grande, são quase mil quilômetros entre Joinville e o Rio de Janeiro, mas a presença do pai é constante.
“Eu acho que nunca estou longe, sempre sinto ele, é um negócio meio estranho, mas eu sempre sinto ele quando estou na quadra de basquete, na minha cabeça sempre estou ouvindo ele, ouvindo os conselhos dele de novo”, conta Gabriel.