O fracasso do Los Angeles Lakers, de candidato ao título à temporada decepcionante

Campeão na temporada 2019/2020 e com LeBron James em mais uma temporada de prime, Lakers corre o risco de ficar fora dos playoffs

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É quase impensável, no começo de uma temporada, duvidar de um time que tenha LeBron James. Na atual temporada da NBA não foi diferente. O Los Angeles Lakers, campeão em 2020, foi colocado em praticamente todas as previsões como candidato ao título. Primeiro, porque tem LeBron James e segundo porque tem (tem mais ou menos) Anthony Davis, a dupla que deu o título que a franquia angelina tanto queria para igualar o número de conquistas do Boston Celtics e “dividir” a fama de maior campeão da Liga que, em 2022, completa 75 anos.

LeBron James lidera a NBA em pontuação e ainda assim não consegue “carregar” o Los Angeles Lakers – Foto: NBA/DivulgaçãoLeBron James lidera a NBA em pontuação e ainda assim não consegue “carregar” o Los Angeles Lakers – Foto: NBA/Divulgação

Mas, as previsões viraram do avesso e nem demorou muito. O Lakers se enfiou em um buraco ainda na primeira parte da temporada regular e a cada mês a situação piora mais e mais. Com mais derrotas do que vitórias e brigando para se segurar no barco do play-in, a franquia de LA teve muitos problemas, desde as escolhas que passaram de duvidosas para fracassadas até as lesões que minaram as pretensões da equipe.

O primeiro erro que até fez surgir questionamentos e opiniões opostas que caminhavam entre “ou vai dar muito certo, ou vai dar muito errado” foi a montagem do elenco. E parece que o grupo que apostou na segunda opção estava certo.

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Como já é prática comum na franquia de Los Angeles, mais uma vez, os ativos foram trocados sem qualquer cerimônia. Aconteceu no passado recente, quando o Lakers mandou embora praticamente todos os seus ativos para trazer Anthony Davis, e aconteceu novamente para a chegada de peças como Russell Westbrook, Trevor Ariza, Carmelo Anthony.

A saída mais sentida nesta leva foi a de Alex Caruso, que tem encantado os fãs do Chicago Bulls, mas ele não foi o único: Kyle Kuzma também arrumou as malas rumo a Washington e, por lá, tem feito uma temporada consistente. Os dois se juntam a nomes como Brandon Ingram e Lonzo Ball, que já foram “dispensados” de Los Angeles para se desenvolverem em outras franquias. O Lakers não é o tipo de franquia que cuida bem dos seus draftados e é o tipo que vê os jovens sendo importantes… mas em outro lugar.

Em detrimento aos seus jovens, na última offseason, Rob Pelinka (com alguma ou toda ajuda do próprio LeBron James) trouxe peças experientes, veteranos com rodagem e qualidades já conhecidas, reconhecidas e consolidadas, tudo na tentativa de formar uma equipe capaz de caminhar com as próprias pernas com consistência enquanto LeBron James pudesse ser, ao menos, poupado ao longo da temporada regular sem sobressaltos.

O que não se imaginava – alguns até imaginavam sim – era que o elenco se transformaria em um frankstein sem identidade, sem estilo e modo de jogo, sem um basquete minimamente aceitável. Não bastasse isso, o Lakers não se moveu na trade deadline e, se havia alguma esperança de melhorar o elenco, ela foi minada e o torcedor precisa se segurar nas emoções com o que tem.

Poderia parecer suficiente, afinal, a lakernation tem LeBron James, mas não é. E olha que estamos falando de uma temporada em que o King, mesmo com seus 37 anos, lidera a NBA, com uma média de mais de 30 pontos por jogo.

O que era para ser um time brigando na ponta de cima da tabela, se transformou em motivo de piada para os adversários e muita preocupação para sua própria torcida.

Atualmente, o Lakers briga para entrar no play-in e ter a chance de disputar as últimas vagas aos playoffs e tem, como adversários, principalmente, um New Orleans Pelicans que vive boa fase e teve o acréscimo de CJ McCollum na trade deadline e um San Antonio Spurs que vem sedento por uma vaguinha nos playoffs, mais uma para o lendário Gregg Popovich, o treinador mais vitorioso da história da NBA.

Los Angeles Lakers tem um dos calendários mais difíceis na reta final de temporada regular e ainda briga por uma vaga no play-in – Foto: NBA/DivulgaçãoLos Angeles Lakers tem um dos calendários mais difíceis na reta final de temporada regular e ainda briga por uma vaga no play-in – Foto: NBA/Divulgação

O planejamento deu errado, as trocas não funcionaram e o resultado é um Lakers em 11º quando o assunto é PPG e cede, ao adversário, mais de 114 pontos por jogo. O time está longe, bem longe de liderar a Liga em fundamentos como assistências e rebotes. Situação oposta à de LeBron James que tem médias de 30.1 PPG, 8.2 RPG (rebotes por jogo) e 6.3 APG (assistências por jogo).

Mas se LeBron James está fazendo o que sempre faz, por que o Lakers não corresponde? Porque não tem um elenco capaz de apoiar o camisa 6. Sua segunda estrela, Anthony Davis, não consegue ficar saudável. Peça fundamental na conquista do último título e um pivô dominante, um pontuador feroz, um monstro ofensivo, AD tem um problema crônico no tendão de Aquiles e, talvez, seja momento de admitir que ele nunca será um jogador saudável daqueles que começa e termina uma temporada sem perder a maioria dos jogos.

Sem Anthony Davis e com um time que simplesmente não consegue produzir, o resultado é uma campanha desastrosa. Desde o início da temporada, o Lakers não conseguiu fechar um mês sequer com mais vitórias do que derrotas, seu “melhor resultado” foi em novembro, quando igualou em oito vitórias e oito derrotas.

E em situações importantes, confrontos diretos, o Lakers tem sofrido derrotas acachapantes, como o confronto contra o Pelicans, importante na briga pelo play-in. Nola venceu por sonoros 123 a 95, contra o Clippers, rival de LA, mais uma derrota amarga, 132 a 111. Contra o Suns, líder da Conferência, foram 29 pontos de diferença.

O insucesso e o fracasso do Lakers fazem a torcida questionar muita coisa, mas uma figura virou o alvo central das críticas: Russell Westbrook. E ele tem lá sua parcela de culpa na atuação e campanha vergonhosa do time, mas não carrega esse fardo sozinho. O camisa 0 tem história na NBA, quebrou um recorde que ninguém pensava ser possível, desbancando ninguém menos que Oscar Robertson com o maior número de triple-doubles em 75 anos de NBA. E não só isso, Russ não construiu uma carreira respeitosa à toa, não foi MVP à toa.

Em sua primeira temporada no Lakers, Russell Westbrook virou o principal alvo da torcida – Foto: NBA/DivulgaçãoEm sua primeira temporada no Lakers, Russell Westbrook virou o principal alvo da torcida – Foto: NBA/Divulgação

Mas, o que parece é que, em Los Angeles, a culpa foi jogada em seus ombros enquanto ele está longe de ter a liberdade e jogar da maneira que o fez construir essa carreira. Westbrook precisa ter a bola nas mãos, precisa ter espaço e liberdade para atacar a cesta e, em LA, raros foram os jogos em que ele conseguiu desempenhar esse papel.

O sistema de jogo – que na verdade é inexistente – não o favorece e já era de se imaginar que, em um time com LeBron James, não haverá outro jogador que terá mais a bola nas mãos do que ele. Erro em trazer Russell Westbrook para um papel que ele não pode desempenhar porque não é assim que joga. Culpa-se o jogador e, como resultado, LeBron não tem o apoio que precisava.

Sem a ajuda que gostaria e sem Anthony Davis, LeBron James é sacrificado em todos os jogos possíveis. O King tem uma média de 37,2 minutos por jogo, chegando a jogar quase 42 minutos contra o Pelicans, mesmo depois de torcer o tornozelo no segundo quarto. Mesmo assim, o Lakers foi derrotado.

LeBron James tem feito tudo que pode e até o que não pode e ninguém imaginaria que, mesmo com ele neste nível, não seria suficiente para uma temporada, no mínimo, mediana.

O que se desenha é um desastre para o Lakers, que tem um dos calendários mais difíceis nesta reta final de temporada regular e precisa, desesperadamente, emendar vitórias para garantir um sopro de esperança no play-in. Entre os adversários que LA tem pela frente estão Pelicans em mais um confronto direto, Nuggets de Jokic duas vezes, o líder Suns, Warriors de Stephen Curry e OKC.

A situação pode mudar? Pode. O basquete é apaixonante justamente por sua imprevisibilidade, no entanto, o roteiro escrito pelo Lakers até aqui é de uma temporada frustrante, decepcionante e que deve provocar, independentemente do resultado final, mudanças profundas na franquia angelina.