Técnico do ano na NBA já desistiu do basquete após tragédia familiar e foi ‘salvo’ por Popovich

Monty Williams foi eleito o técnico do ano, cravou seu nome na história do Phoenix Suns, mas precisou superar uma tragédia familiar para voltar às quadras

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Foi das mãos do filho que Monty Williams recebeu o prêmio de Coach Of The Year. Em meio ao treino, rodeado por seus jogadores e abraçado pela família. O técnico do Phoenix Suns venceu o prêmio até com certo atraso. Monty merecia receber a honraria já na temporada passada e viu o prêmio chegar no ano em que a NBA completa sua 75ª temporada. Simbólico para um treinador que precisou superar muita coisa para estar à beira da quadra quebrando recordes, cravando seu nome na história e transformando uma franquia “esquecida” há anos.

Monty Williams abandonou o basquete após tragédia familiar e foi “resgatado” por Gregg Popovich – Foto: NBA/Divulgação/NDMonty Williams abandonou o basquete após tragédia familiar e foi “resgatado” por Gregg Popovich – Foto: NBA/Divulgação/ND

Após a chegada do treinador, o Suns mudou seu patamar e deixou de ser uma franquia que cumpria tabela para se transformar no time de melhor campanha na Liga. Em seu primeiro ano, fez uma campanha de 8-0 na bolha, ficou de fora do play-in por “pouco” e mostrou que o trabalho no Arizona daria resultado. No ano seguinte, chegou às finais da NBA e, na temporada em que a NBA reconheceu a grandeza do seu trabalho, conseguiu a melhor campanha da história da franquia e a liderança da Liga.

O Suns tem à frente um jogo 7 diante do Dallas Mavericks de Luka Doncic para definir sua história na temporada, mas nada do que tem acontecido nos últimos três poderia ter acontecido. Aconteceu porque Monty Williams foi resiliente e forte o suficiente para superar uma tragédia familiar. Não sozinho. Ele contou com a ajuda de uma mão que se estendeu e o puxou de volta para o basquete. A mão? Do lendário Gregg Popovich.

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O COY da temporada 2021/2022 viveu uma tragédia repentina que mexeu com todas as suas estruturas e de toda sua família. Pai de cinco filhos, Monty era assistente técnico do Oklahoma City Thunder em 2016 e recebeu a notícia que mudou sua vida e poderia ter tirado dos fãs da NBA a genialidade do treinador. Sua esposa, Ingrid Williams, morreu no dia 10 de fevereiro em um grave acidente. Um carro furou o sinal vermelho em um cruzamento e acertou em cheio o veículo dirigido por Ingrid, que tinha 44 anos.

No funeral da companheira, ele ressaltou o perdão à família da motorista que provocou o acidente e que também morreu na colisão. “Essa família não acordou com vontade de fazer mal à minha mulher. A vida é difícil, isso foi muito difícil, mas não desejamos mal à família”, disse à época.

Monty e Ingrid tinham cinco filhos que tiveram a mãe arrancada de repente. O treinador se afastou do basquete. Ao fim da temporada, o OKC anunciou oficialmente que o então assistente não retornaria à NBA.

Cinco meses após o anúncio do OKC, Monty foi contratado pelo San Antonio Spurs como vice-presidente de operações e, a partir daí, tudo mudou. E ele sabe e reconhece quem foi o responsável por transformar sua vida que parecia ter perdido o sentido em uma trajetória de vitória e evolução.

Monty tem como característica evoluir seus jogadores. As temporadas e o desempenho do Suns mostram o que a mão do técnico é capaz de fazer com atletas que têm talento e precisam de amadurecimento.

Mas, antes que ele pudesse transformar o Suns, foi a mão de Gregg Popovich que o salvou. “Ele foi o único que não me ofereceu só um emprego, me ofereceu uma oportunidade de ter um porto seguro. Pop foi o único que tomou a atitude necessária e evitou que eu tomasse uma decisão ruim. Ninguém mais me falaria e eu precisava de honestidade naquela época. Ele está na minha vida há 25 anos e eu o amo como família”, disse em entrevista em 2019, quando já estava no Suns como técnico e enfrentava o lendário Pop, treinador mais vitorioso da história da NBA.

Monty desembarcou em Phoenix em maio daquele ano e se Pop o salvou e mudou sua trajetória, ele fez o mesmo com o Suns.

O time era tido como piada na NBA há anos e a chegada do treinador mudou o rumo dessa história. Um primeiro ano de “reconhecimento” e de uma sequência de oito vitórias que fizeram o mundo olhar com mais atenção para o Arizona, que já tinha peças talentosas. Em seu segundo ano, a consolidação, a chegada de Chris Paul e a final da NBA.

Nesta temporada, a melhor campanha da história da franquia, com 64 vitórias e apenas 18 derrotas, liderança da Liga e o merecido prêmio de COY.

O prêmio coroa uma vida de amor ao basquete. Amor que o fez retornar depois de uma perda irreparável e um buraco na vida de toda a família. O prêmio veio com folga. Monty somou 458 pontos na eleição e Taylor Jenkins, segundo, ficou com 270. Spoelstra fechou o top 3 com 72 pontos.

A entrega não poderia ser feita de maneira diferente, com outras testemunhas, em outro lugar. A família que precisou se unir e juntar os cacos após a tragédia, o time em que ele está fazendo história. Uma entrega na quadra em que ele molda um time que, assim como ele, renasceu.