A quinta-feira (31) é marcada pelo Dia Mundial sem Tabaco. Porém, no Brasil, ainda há muito trabalho a ser feito. Segundo uma pesquisa realizada em 2022, pela biofarmacêutica AstraZeneca, 28% dos brasileiros são fumantes e consomem cerca de 11 cigarros por dia.
Um único cigarro já reduz o nível de oxigênio na pele por cerca de uma hora – Foto: Freepik/NDAinda nessa linha, cerca de 34,3% dos fumantes aumentaram o consumo de cigarro desde o início da pandemia da Covid-19, em 2020, segundo a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Além disso, a OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta que nove em cada dez pessoas começaram a fumar antes dos 18 anos.
Entre os inúmeros danos à saúde, o tabagismo pode ser um grande vilão à pele. Conforme um estudo realizado na Universidade de Nagoya, no Japão, o cigarro gera uma perda de 40% na produção de colágeno, importante proteína presente na produção de elasticidade, hidratação e resistência da pele.
SeguirAgora que você conhece um dos danos que o consumo de tabagismo pode ocasionar na sua pele, o cirurgião plástico Luís Maatz, especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, listou mais cinco fatos que te farão pensar duas vezes antes de colocar um cigarro na boca. Confira abaixo:
1. Vasoconstrição
Pelo fluxo sanguíneo que substâncias importantes, inclusive o oxigênio, são transportados para órgãos e tecidos.
As toxinas do cigarro diminuem a espessura dos vasos sanguíneos e isso os deixam mais contraídos e dificulta a irrigação do tecido cutâneo, prejudicando a oxigenação das células.
Segundo o especialista, um único cigarro já reduz o nível de oxigênio na pele por uma hora.
2. Cicatrização comprometida
O cigarro tem forte ligação com complicação pós-operatórias. Com a vasoconstrição, o processo de cicatrização é afetado, visto que as substâncias hidratantes não encontram o caminho entre vasos finos. Este fator prejudica o processo de recuperação e regeneração da pele.
O cirurgião aponta que os fumantes têm maior risco de necrose. Fator que acontece tanto pela vasoconstrição como pelo efeito pró-trombótico. Nos casos da vasoconstrição, o fluxo sanguíneo periférico diminui em 30 a 40% em poucos minutos após a inalação da fumaça.
3. Acne inversa
A acne inversa é comum em fumantes. Costuma ser confundida com espinhas ou furúnculos, a acne inversa é uma inflamação crônica da pele, caracterizada por inchaços e cistos profundos em áreas como axilas, mamas, virilha, genitais e glúteos.
“Alguns estudos indicam que a nicotina altera a função das células imunológicas, gerando uma hiperplasia epidérmica, a ruptura dos folículos pilosos e, consequentemente, a acne inversa”, aponta Luíz.
4. Envelhecimento da pele
Entre os principais do tabagismo está o envelhecimento cutâneo. Ou seja, o aparecimento acelerado de rugas, linhas proeminentes, flacidez, pigmentações amareladas, avermelhadas ou acinzentadas.
As toxinas do cigarro penetram as células da pele que produzem o colágeno, aumentando a produção da enzima metaloproteinase, que destrói estas fibras.
O hábito de fumar contribui ainda no surgimento de rugas labiais, o chamado “código de barras”. As marcas são uma consequência da repetição de movimentos dos músculos do rosto ao tragar.
Para as mulheres fumantes, o risco de envelhecimento precoce da pele é maior, já que a nicotina interfere no fluxo do estrógeno, o hormônio feminino que, entre várias funções, atua na síntese do colágeno e da elastina.
5. Dermatite
O cigarro tem forte relação com dermatite do tipo alérgica, como o eczema nas mãos. Nos produtos, há diversas substâncias alérgenas presentes no filtro, no papel e no tabaco. Se já não bastasse, os adesivos de nicotina, para quem decide parar de fumar, também causam dermatite de contato irritante e alérgica.
“Há diversos tratamentos que minimizam os efeitos estéticos, como aplicações de ácido hialurônico e toxina botulínica; a ritidoplastia (face lift) ou técnicas de microagulhamento. Entretanto, o melhor tratamento é parar de fumar, evitando os inúmeros prejuízos não só à pele, mas à saúde de forma geral”, finaliza Luís Maatz.