Por Guia Manezinho – Rodrigo Stüpp – Interino
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Já digo de cara: não vim aqui falar sobre bandeira, esquerda, direita. Vim aqui falar do meu país: a Florianópolis, Desterro, a Ilha da Magia, a morada dos manezinhos.
E se a gente pensasse como Nativo e valorizasse primeiro o que é nosso? Felipe Bottamedi/NDTô aqui pensando no quanto a gente ainda precisa da opinião alheia aqui em Floripa pra se valorizar. Deu no NY Times? Então tá certo! Agora sim! Um site gringo nos colocou no topo do ranking? Ah, Floripa!
SeguirPrecisa alguém vir dizer que temos a gente mais bonita e interessante do mundo, se a gente consegue comprovar isso conversando num barzinho ou num rancho de pesca?
Que Floripa pare de depender de opiniões alheias. De que sempre é quem vem de fora que tá certo, que traz “progresso”. É claro que a gente quer avançar, mas pra isso, precisa marchar no mesmo passo, não trocar tiros e farpas.
Pra isso, a gente não precisa levantar armas. Basta jogar uma tarrafa, bater no peito, cantar o Rancho do Amor à Ilha, celebrar a vida com quem ama, receber bem quem nos respeita. E dáli um carcaço se o bocamóli chegar colocando a gente pra baixo.
Que a gente também deixe de achar melhor a comida que vem de outros lugares. Não é que eu não goste de comida Mexicana, Peruana, Mineira, Pernambucana. Mas dizer que “manezinho só tem um prato simples, que é pirão com peixe frito” tem dois problemas.
Tainha recheada: sabor tipo exportação. Foto Divulgação / NDO primeiro é ignorar o nosso passado sofrido, à base de pesca e agricultura. E que se manteve por quase dois séculos quase sem alterações.
O segundo, é refutar que temos excelentes chefs nativos, alguns que vão ao mar pescar o que vão preparar, e rodam o mundo pra ensinar o que se cozinha e come por aqui.
Que a gente não dependa de histórias que venham de fora, como o Halloween, porque já temos as nossas próprias Bruxas, em Itaguaçu e nas lendas de Franklin Cascaes.
Que a gente inverta a lógica e pare de chamar Ilha do Campeche de Caribe em Floripa, e chame o Caribe de Campeche na América Central. Que a Califórnia seja o Rio Tavares nos States e que Parque da Luz seja inspiração para o Central Park em NY.
Túnel Antonieta de Barros, no “Mônaco Manezinho” – Foto: Mauricio Vieira/Secom/NDPorque todo mundo sabe que Mônaco, na verdade, é inspirado no José Mendes e no Veleiros Iate clube, né raça?
Que a gente integre mais a Beira-mar e o Maciço do Morro da Cruz. E que a gente tenha que depender menos de carro pra se locomover aqui. Que em vez de “OU”, a gente faça uma Floripa com mais “E”.
Neste caso, a independência não vem pra separar, mas para acrescentar.