Nascemos no amor romântico e acreditamos nele! Logo, muitas pessoas pensam e acreditam em uma única forma de amor, aquela em que duas pessoas se unem e se tornam exclusivas uma da outra sem nem precisar conversar.
Já é dada com o início da relação a garantia de amor, desejo e fidelidade eternos. Com isso, tem-se a exigência de exclusividade emocional e sexual, ou seja, a monogamia.
A monogamia tem sido cada vez mais questionada como modelo de relacionamento amoroso, afetivo e sexual – Foto: Pexels/Divulgação/NDCada vez mais esse modelo de relacionamento tem saído de cena, e com ele levando o que chamamos de amor romântico. Pois, este amor idealiza as pessoas, porém, a convivência não dá conta dessa idealização.
SeguirE se te contaram que quem ama não tem tesão por mais ninguém, saiba que isso é um dos grandes mitos do amor e dos relacionamentos. Não é sobre ter ou não tesão, e sim, sobre o que você vai fazer com isso. A busca pela individualidade é um importante ingrediente para a quebra do amor romântico.
É possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo? É possível ter tesão por mais de uma pessoa ao mesmo tempo? Sem tesão o casamento acaba? Tem como trazer o tesão de volta para a relação?
Se abrirmos a relação voltaremos a ter tesão? A infidelidade pode apimentar a relação? Se fizermos sexo a três tudo voltará a ser como antes? E se fizermos troca de casal (swing) estaremos mais protegidos/as?
Estas são perguntas recorrentes na terapia da sexualidade e de casal em meu consultório particular e nos meus atendimentos online no portal Sexo sem Dúvida. São dúvidas muitas vezes permeadas de crenças e mitos que interferem na relação.
Eu já adianto que sem conversar e entender para onde foi o tesão, mudar o status do relacionamento ou práticas sexuais diversas não vão resolver questões no relacionamento.
Lembro que dialogar a respeito de exclusividade sexual não é simples. Aqui, trarei algumas ideias e situações vindas de pacientes e abraçadas pela ciência. Então, te convido a seguir a leitura aberta a conhecer novas formas de amar, sem preconceitos nem disseminação de ódio. É importante conhecer para respeitar.
Te convido aqui a questionar a estrutura monogamia-fidelidade-prazer sexual ao invés de matar o tesão e a relação em formas engessadas de relacionamentos.
Então fica a pergunta: falta de tesão no casamento: abrir a relação funciona pra todo mundo? Abrir relação não é solução para falta de tesão ou qualquer outra dificuldade sexual.
Se a questão é falta de tesão, a terapia da sexualidade pode te ajudar enquanto pessoa e/ou enquanto casal. É preciso entender o que vem acontecendo. Abrir a relação sem esta compreensão pode, na verdade, ser o fim da relação.
As dificuldades sexuais podem acontecer em qualquer forma de relacionamento e com qualquer pessoa, independente de identidade de gênero e orientação afetivo-sexual, bem como a vida sexual prazerosa. Com disponibilidade e boa comunicação, os acordos sexuais e o prazer acontecem.
Os estudos da psicanalista Regina Navarro e os atendimentos clínicos têm mostrado que relacionamentos amorosos, abertos, livres podem ser uma tendência nos próximos anos. Com o amor romântico e a monogamia sendo repensadas, a tendência é sim de mudanças nas formas de se relacionar.
É para todo mundo? Não é para todo mundo, pois o problema não é ser monogâmico ou não monogâmico, mas não ser uma escolha sua. Assim, é preciso abrir espaço para o diálogo sobre monogamia e não monogamia. É uma conversa para além da exclusividade, infidelidade e do ciúme. É sobre amor, intimidade, prazer, bem-estar, consentimento…
A partir do momento em que o sexo passar a ser pelo prazer e o relacionamento para o bem-estar, o tesão pode reinar nas relações e flexibilizar as orientações afetivo-sexuais, as práticas sexuais e as formas de amar. O seu tesão é sobre você e não sobre o status da sua relação.