Antes sozinha do que mal acompanhada: por que ainda resistimos à ideia de não ter uma relação?

Aprender a ter compreensão do que você quer e do que você não quer faz você ocupar o espaço de escolher. Não só estar sozinha, mas escolher você, escolher boas relações, escolher o cuidado

Foto de Carolina Freitas

Carolina Freitas Florianópolis

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Ditados populares muitas vezes fazem muito sentido. É um tipo de sabedoria transmitida de geração em geração, que reflete observações sobre a vida, valores e ensinamentos de forma precisa. “Antes só do que mal acompanhada” é um desses ditados essenciais.

Significa que é melhor estar sozinha do que em má companhia. De forma breve enfatiza a importância de escolher de forma cuidadosa as pessoas com as quais você se relaciona. Lembra que estar em uma companhia negativa ou tóxica é bem pior do que estar sozinha. Mas pergunto: estar sozinha é ruim? Não precisa ser. Vamos refletir juntas…

Psicóloga reforça que estar sozinha não significa solidão ou infelicidade, mas uma oportunidade de crescimento pessoal e autoconhecimento. Melhorar o seu relacionamento com você é o alicerce para relacionamentos saudáveis. – Foto: Pexels / NDPsicóloga reforça que estar sozinha não significa solidão ou infelicidade, mas uma oportunidade de crescimento pessoal e autoconhecimento. Melhorar o seu relacionamento com você é o alicerce para relacionamentos saudáveis. – Foto: Pexels / ND

Sem o desespero de estar com qualquer alguém ou ter de encontrar alguém, você se liberta da necessidade de validação de um companheiro (pensando em um relacionamento heterossexual) e de relacionamentos tóxicos. Aprender a ter compreensão do que você quer e do que você não quer faz você ocupar o espaço de escolher. Escolher você, escolher boas relações, escolher o cuidado. Três palavras passam a ter novos significados na sua vida: assertividade, autoconfiança e amor próprio.

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Hoje acompanhamos avanços conquistados pelas mulheres, como autonomia financeira, social e emocional. Mas ainda sim a sociedade patriarcal acredita – e faz acreditar – que a realização de uma mulher está no relacionamento com um homem, ou seja, muitas vezes “antes mal acompanhada do que só”.

Em meus atendimentos clínicos e no portal Sexo sem Dúvida, muitas mulheres vêm questionando cada vez mais a falta de conexão, ausência de escuta e troca e a falta de carinho em seus relacionamentos. E compreendendo que é possível escolher estar sozinha e que isso não é sobre “ter defeitos”.

Além de ser preventivo de relações abusivas e tóxicas, não é sobre colocar critérios impossíveis de serem atingidos ou sobre não saber “segurar homem”, e sim sobre segurança e bem-estar físico, emocional e sexual.

É possível acompanhar hoje relações românticas e sexuais deixando de ser prioridade para algumas mulheres, sobretudo quando elas passar a conciliar demandas que tiram sua liberdade com parceiros geralmente ambíguos ou violentos. Logo, relações vazias, abusivas e superficiais podem ser experiências negativas, que levam mulheres a reconsiderar seu envolvimento romântico e abrirem mão de relacionamentos e de sexo.

Mas estar sozinha significa viver sem sexo?

Já te adianto que não. Estar sozinha não significa necessariamente que uma mulher vive sem sexo. Estar sozinha é uma oportunidade também para se abrir para o sexo solo. Ou seja, explorar sua própria sexualidade de forma saudável e prazerosa, de conectar-se consigo mesma. O autoconhecimento sexual favorece a autonomia sexual. E, com isso, você se experimenta e descobre sensações, toques, velocidades, intensidade com as quais o seu corpo se excita e te dá prazer.

Desfrutar da própria companhia é muito mais saudável do que viver a solidão sexual a dois e a falta de conexão que não traz prazer. Sua vida sexual deve contribuir para o seu bem-estar emocional e físico, sozinha ou bem acompanhada. Quando mal acompanhada, dificilmente as relações sexuais e pessoais terão qualidade.

Por fim, o ditado popular “antes só do que mal acompanhada” pode ser um lembrete valioso para você priorizar relacionamentos saudáveis, incluindo consigo mesma. É de fundamental importância cuidar do  próprio bem-estar emocional e mental, estabelecer padrões saudáveis em suas relações românticas, sexuais e pessoais, garantir que sejam baseadas no respeito mútuo e no cuidado.

A busca pelo autoconhecimento e pela compreensão das dinâmicas de escolhas e relacionamentos são aspectos fundamentais do desenvolvimento pessoal e do bem estar emocional.

O livro “A prateleira do Amor: Sobre mulheres, homens e relações” (Editora Appris), da psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello, pode ser um valioso recurso para te ajudar a explorar mais esse tema e aprimorar suas habilidades interpessoais, uma vez que o conhecimento e a auto responsabilidade são ferramentas importantes para tomar decisões mais conscientes e relacionamentos mais saudáveis.

Lembre-se de que estar sozinha não significa solidão ou infelicidade, mas uma oportunidade de crescimento pessoal e autoconhecimento. Melhorar o seu relacionamento com você é o alicerce para relacionamentos saudáveis.

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