Como ser um pai ideal? Confira 6 responsabilidades da paternidade após a separação

Advogada e psicólogo falam sobre as responsabilidades e obrigações de exercer a paternidade fora do casamento, tanto legalmente quando afetivamente

Foto de Ada Bahl

Ada Bahl Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Na maioria das vezes, quando os pais se separam, as crianças ficam com as mães. Porém, diferente do que muitos pensam, não é porque o pai não mora com os filhos que a sua única obrigação é pagar a pensão alimentícia e vê-lo a cada 15 dias.

6 responsabilidades que um pai tem após a separaçãoÉ necessário que pais se façam presentem no dia-a-dia dos filhos – Foto: Dominika Roseclay/Pexels/Divulgação/ND

Pelo contrário, no caso da guarda compartilhada, segundo a lei brasileira, presença, cuidados e apoio financeiro devem ser divididos entre o pai e a mãe. Isso tudo é responsabilidade de ambos até que o filho complete 18 anos.

Segundo um levantamento da Universidade de Connecticut, ser amado ou rejeitado pelo pai afeta o desenvolvimento da personalidade na infância e o comportamento na vida adulta. Em um contexto em que as dinâmicas familiares se transformam, é essencial destacar a relevância das responsabilidades parentais mesmo após a separação.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

O Código Civil Brasileiro apresenta um conjunto claro de deveres que pais separados devem cumprir, visando proteger e promover o desenvolvimento saudável de seus filhos.

O ND+ conversou com a advogada Viviane Pacheco, fundadora do escritório Pacheco Advogados, para pontuar seis responsabilidades dentro da legislação. Confira:

1. O dever de prover a pensão alimentícia

Segundo Viviane, a legislação brasileira determina que ambos os genitores devem garantir o sustento adequado dos filhos, contribuindo financeiramente de acordo com suas possibilidades. Trata-se do artigo 1.694 do Código Civil.

“Essa pensão engloba, não apenas a alimentação, mas também a moradia, educação, saúde e outras necessidades essenciais das crianças”, complementa.

A paternidade não acaba após a separação – Foto: Juan Pablo Serrano/Pexels/Divulgação/NDA paternidade não acaba após a separação – Foto: Juan Pablo Serrano/Pexels/Divulgação/ND

2. A importância da convivência regular e afetiva

A advogada pontua que a convivência saudável e constante com ambos os pais é um direito das crianças e não uma escolha dos pais, com quem eles devem se relacionar. É o artigo 1.589 do Código Civil.

“Os genitores devem estabelecer uma relação de proximidade, oferecendo carinho, orientação e apoio emocional, contribuindo para o desenvolvimento emocional e psicológico saudável dos filhos”, explica Viviane.

3. Participação nas decisões relevantes

“A tomada conjunta de decisões relacionadas à educação, saúde e bem-estar dos filhos é fundamental para garantir que suas necessidades sejam adequadamente atendidas”, pontua a advogada. Isso é estabelecido no artigo 1.632 do Código Civil.

“A colaboração entre os pais na escolha de escolas, tratamentos médicos e atividades extracurriculares é um aspecto essencial da responsabilidade parental”.

4. Assegurar proteção e cuidados

Viviane salienta que uma prioridade incontestável para os pais separados, citada no artigo 1.583 do Código Civil, é a integridade física e emocional dos filhos.

“Proteger as crianças de qualquer forma de abuso, negligência ou risco é um dever essencial para garantir um ambiente seguro e acolhedor.”

5. Manter comunicação e informação constantes

“A comunicação aberta e a troca de informações sobre o bem-estar dos filhos é um componente crítico para manter o vínculo entre os pais e garantir que todas as partes envolvidas estejam informadas sobre a vida das crianças”, frisa Viviane, conforme o artigo 1.589 do Código Civil.

6. Prevenir a alienação parental

“Outra questão crucial que deve ser evitada é a Alienação Parental, na qual um dos genitores influencia negativamente a criança contra o outro”, ressalta. A questão está pautada na Lei nº 12.318/2010.

“Esta prática é prejudicial ao bem-estar emocional dos filhos e, portanto, os pais têm o dever de evitar qualquer atitude que possa causar alienação”, complementa a advogada.

Advogada cita responsabilidades paternas no Código Civil Brasileiro – Foto: Tatiana Syrikova/Pexels/Divulgação/NDAdvogada cita responsabilidades paternas no Código Civil Brasileiro – Foto: Tatiana Syrikova/Pexels/Divulgação/ND

Relação de pai e filho

O psicólogo Rafael Frasson salienta a importância de uma forte relação entre pai e filho. “É um nível de relação emocional que molda vidas de ambos de maneiras incomparáveis. Essa relação evolui com o tempo, desde os primeiros momentos de cuidado ao desenvolvimento de um companheirismo e respeito mútuo”.

Rafael explica que a evolução da conexão passa por todas as fases da criança e acompanha o crescimento dos dois como seres-humanos.

“Nos primeiros anos, quando a criança está aprendendo a viver no dia a dia, o pai é uma referência aos olhos do filho. Ele terá o papel de ensinar como viver e conviver nesse mundo complexo”, explica.

Conforme o filho cresce, a relação se transforma, diz o psicólogo. “O pai deixa de ser apenas uma fonte de orientação e torna-se um mentor. Ele compartilha experiências, oferece conselhos e encoraja a independência. Nesse período, a relação deixa espaço para a troca mútua de conhecimentos”.

Psicólogo reforça que afeição paterna é fundamental e indispensável para crescimento saudável da criança – Foto: Divulgação/NDPsicólogo reforça que afeição paterna é fundamental e indispensável para crescimento saudável da criança – Foto: Divulgação/ND

À medida que o filho se torna adulto, a relação entre pai e filho evolui novamente, diz ele. “Agora, eles podem se aproximar como amigos e colegas, compartilhando interesses, histórias e preocupações. O respeito mútuo cresce, baseado na jornada que percorreram juntos”.

Conforme o psicólogo, a relação entre pai e filho exige paciência, empatia e dedicação, mas também é recompensada com um amor profundo e duradouro.

“Essa relação, enraizada na conexão entre duas pessoas, é um lembrete poderoso da importância de amar, cuidar e investir naqueles que são parte essencial do nosso legado e que tornarão adultos saudáveis mentalmente”, diz Rafael.

O psicólogo dá algumas dicas cruciais para os pais:

  • Mostre interesse genuíno;
  • Tenha tempo de qualidade e planeje atividades especiais;
  • Participe das atividades dos filhos;
  • Tenha sempre uma comunicação aberta e clara;
  • Se envolva com a rotina dos filhos;
  • Aceite erros;
  • Delegue tarefas;
  • Aprenda a dizer não.

Tópicos relacionados