Alice Feuback completa 100 anos de vida nesta terça-feira (6). Moradora de Biguaçu, na Grande Florianópolis, ela garante que não há segredo para a longevidade, mas considera que ter o amor e o cuidado da família são fatores essenciais.
Alice completou 100 anos nesta terça-feira (6) – Foto: Leo Munhoz/NDA centenária contradiz o que se pensa sobre os idosos que alcançam essa marca. Ela esbanja saúde e não depende de remédio – como gosta de frisar, é comunicativa, lúcida e não possui problemas de locomoção.
Apesar disso, conta com o suporte e ajuda da família, com quem mora há pouco mais de 30 anos.
SeguirSempre muito trabalhadora, Alice criou seu único filho sozinha, e precisou batalhar bastante. Mas ressalta como a vida ainda foi boa, e como sente falta do trabalho. “Trabalhar é bom!”, conta.
“Uma das melhores coisas da vida da gente é trabalhar. Você trabalha chega à noite e dorme aquele sono tão tranquilo, porque trabalhasse”, continua. “No outro dia você pensa: “ai que bom, já tem isso para fazer”, explica. “Agora deitar, levantar, os dias são iguais, amanhece e anoitece a mesma coisa”. “Isso é ruim”, garante ela.
Hoje, a idosa vive uma vida mais tranquila. “Eles me chamam para comer e eu vou lá na mesa, almoço, depois vou lá na cama dormir um pouco, logo já me levam um cafezinho, um suco. Me tratam muito bem”, conta Alice.
“Às vezes eu penso assim, se todas as pessoas que tivessem a minha idade, fossem bem tratadas igual a mim, era uma beleza”, diz. “Tem pessoas que sofrem muito”, afirma Alice. Ela tem um filho, três netos e seis bisnetos.
“A gente se sente feliz. Com saúde, tudo bem, tudo ótimo. Não se pode ser infeliz”, garante.
O neto de Alice Feuback, Jackson Feuback, conta que a relação com a avó sempre foi muito próxima. Ele ainda garante que ela adora contar histórias. “Teve uma situação muito engraçada”, conta. “Um dia estávamos passeando de carro, e ela pediu para eu parar”, continuou.
“Cumprimentou uma amiga, ofereceu carona e como a senhora não aceitou, voltou para dentro do carro”, explica. “Quando fechou a porta, ela me disse: ‘nossa, como ela tá velha’. Nisso a vó já tinha 92 anos”, conta o neto.
Ao ser questionada sobre a pandemia, Alice logo responde. “Minha preocupação foi com os outros, não comigo”, afirma. “Eu rezo muito pelas pessoas, então vou pensar nas outras que pegaram Covid-19, não em mim”, explicou.
A idosa ainda lembra como era a vida pouco antes da quarentena. “Eu gostava de viajar, viajava muito! Adoro andar na rua. E hoje, não dá”.
“Ela saía muito, era um pé dentro de casa e outro na rua, isso pouco antes da pandemia, não dependia de ninguém”, afirma Ana Feuback, nora de Alice.
Segredo da longevidade
Alice então responde aquela pergunta de ouro. Como chegar aos 100 anos com tanta saúde e disposição?
“Não há uma receita para chegar aos 100 anos com saúde. “Não depende de mim, da vida, do que ela faz, ou deixa de fazer. Depende da natureza da pessoa, da família”.
Alice, que se mostrou uma contadora de histórias, ainda refletiu. “Um dia, uma mulher morreu, foi bater na porta do inferno, ninguém atendeu, bateu na porta do céu, ninguém atendeu. Então ela se questionou “eu não fiz nada, porque não estão me aceitando?” Então alguém lhe respondeu “então agora você volta lá para baixo, e faz alguma coisa!”, afirma.